Jovem investigadora de Viana do Castelo conquista prémio de engenharia

Andreia Meixedo recebeu voto de louvor da Junta de Santa Maria de Portuzelo

Andreia Meixedo, investigadora de Viana do Castelo, ganhou o Prémio Ferry Borges atribuído pela Associação Portuguesa de Engenharia de Estruturas.

A Junta de Santa Marta de Portuzelo, de onde a jovem é natural, aprovou um voto de louvor pela distinção.

A investigadora do Instituto de I&D em Estruturas e Construção (CONSTRUCT) e antiga estudante do Programa Doutoral em Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, recebeu o prémio durante as Jornadas Portuguesas de Engenharia de Estruturas, realizadas entre 06 e 11 de novembro, no LNEC.

Desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento de Andreia Meixedo, o artigo premiado foca-se na monitorização da integridade estrutural não supervisionada de pontes ferroviárias com base em técnicas de inteligência artificial. Foi desenvolvido um procedimento online e contínuo para identificação de danos, partindo das respostas dinâmicas da ponte induzidas pela passagem dos comboios.

“Deste modo, aproveita-se o carregamento de elevada magnitude para aumentar a sensibilidade a alterações estruturais. A inovação deste procedimento está na extração automática de informação relevante acerca da condição estrutural das pontes, através da implementação de uma metodologia de inteligência artificial que permite a deteção de danos em tempo real e com um número residual de falsos alertas”, avança a investigadora vianense, em declarações ao site da Universidade do Porto.

Foto: DR

Segundo a mesma fonte, o caráter não supervisionado do procedimento inclui a capacidade de detetar danos em pontes que já apresentem alterações estruturais, a partir de uma definição inovadora do limite de confiança. Este limite permite uma adaptação às alterações estruturais detetadas ao longo do tempo, mantendo-se operacional para a deteção de novos danos que apareçam num futuro próximo.

“A eficácia desta metodologia foi testada e validada através da criação de uma réplica digital fidedigna da complexa ponte ferroviária sobre o rio Sado, ajustada com recurso a dados experimentais adquiridos por um sistema de monitorização contínua instalado no local. A metodologia provou ser robusta a falsos alertas para um conjunto alargado de cenários de dano, assim como sensível a danos de pequena escala, mesmo quando estes resultam de reduções de rigidez muito baixas que não colocam em causa a segurança estrutural”, explica a investigadora da FEUP.

A orientação da investigação passou por Rui Calçada, atual Diretor da FEUP, Diogo Ribeiro, professor adjunto no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e membro do CONSTRUCT, e João Santos, na altura investigador auxiliar no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

“Esta investigação foi ainda desenvolvida em estreita colaboração com o LNEC e com o apoio das Infraestruturas de Portugal (IP), gestora da ponte ferroviária, sem a qual não teria sido possível efetuar o trabalho”, salienta Andreia Meixedo.

O artigo, publicado em 2021 na edição 238 da revista “Engineering Structures”, conta ainda com a participação de Michael Todd, professor de Engenharia Estrutural da Universidade da Califórnia, em San Diego.

 
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