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João Almeida acreditou sempre mas assume que o melhor ganhou a Vuelta

Considera “gratificante” igualar Joaquim Agostinho
João almeida acreditou sempre mas assume que o melhor ganhou a vuelta
Foto: UAE-TeamEmirates / Arquivo

João Almeida perdeu para o melhor na Volta a Espanha, mas fez história no ciclismo nacional, considerando “gratificante” igualar Joaquim Agostinho e elegendo a vitória no Angliru como melhor momento rumo ao segundo lugar.

“Tenho vindo a absorver [o feito] dia a dia. Aqueles últimos dias já tinha meio que certeza – sabia que estava bem – que o pódio era garantido. É uma boa sensação. Estou feliz. Estou sempre feliz, mas agora estou um bocadinho mais feliz”, começou por dizer, em entrevista à Agência Lusa.

No domingo, ao terminar a 80.ª Vuelta na segunda posição, atrás do dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), igualou o melhor resultado português em grandes Voltas, que pertencia a Joaquim Agostinho, ‘vice’ na prova espanhola em 1974.

“É gratificante, ainda por cima [estar] ao lado do Joaquim Agostinho. Acho que continuo a estar ligeiramente atrás, mas tenho bastantes anos ainda pela frente de carreira. Espero chegar ao lado dele ainda, mas se não chegar também está tudo bem. O que interessa é darmos o nosso melhor e que venha alguém ainda que esteja mais próximo e faça ainda mais”, declarou.

Para alcançar o nível do melhor voltista nacional de sempre, faltaria igualar “aquele terceiro” no Tour (1978 e 1979) ou fazer “melhor ainda” do que o lendário ciclista. “Com esse terceiro, acho que já me colocaria ali lado a lado com ele”, pontuou o único português a terminar as três ‘grandes’ entre os quatro primeiros.

Almeida assume ter noção de que entrou não só para a história do ciclismo nacional, mas também do desporto em Portugal, descrevendo-se como “uma pequena figura que as pessoas têm em conta”.

Sendo a crença nas suas capacidades uma das suas principais características, admite que só deixou de acreditar que podia ganhar a Vuelta “no último quilómetro da etapa 20”. “Aí vi que era impossível passar o Vingegaard e ganhar-lhe 50 segundos”, acrescentou.

Até a essa penúltima tirada, o ciclista da UAE Emirates confiou em si para chegar à camisola vermelha, mas também que o dinamarquês poderia ter um dia mau.

“A diferença de tempo também não era gigante. Era possível, embora não me sentisse a 100%. Na última semana, sentia-me meio doente, engripado. Então, sabia que não estava no meu melhor, mas o adversário também não estava. E tentei”, descreveu, reconhecendo que se sentiu “bastante limitado” e “mais fracos” nos últimos dias da Vuelta.

Ainda assim, para João Almeida é claro que ganhou o melhor: “Termino a Vuelta sem arrependimentos. Dei o meu melhor. Ataquei sempre que podia ou achei que devia atacar. E sinto que não poderia ter ganho a Vuelta”.

O luso de 27 anos desvalorizou ainda as críticas feitas à sua equipa, considerando que houve apenas “um momento ou dois” em que não estiveram consigo a 100%.

“Mas o resto dos dias fizeram tudo por mim […]. Acho que nenhuma equipa está sempre perfeita, todos às vezes falhamos. Mas, no geral, acho que estivemos muito bem e sem eles não conseguia ter feito segundo”, defendeu.

Almeida até justificou as aventuras solitárias dos seus colegas, que ajudaram a UAE Emirates a somar sete vitórias em etapas na 80.ª edição da prova espanhola.

“Nós tínhamos diferentes objetivos, não tínhamos só o objetivo de tentar ganhar a Vuelta. Sempre que houvesse etapas não fundamentais para a classificação geral […) queríamos estar presentes na fuga e ganhar [a partir] da fuga. Para os corredores também terem as suas oportunidades acho que fazia sentido e fez sentido. Nesses dias, nunca esteve em perigo a minha classificação”, sustentou.

O também terceiro classificado do Giro2023 abordou ainda o anúncio da saída de Juan Ayuso durante a prova espanhola, reconhecendo que se pudesse escolher, preferiria que tivesse acontecido apenas após o final da Vuelta.

“Já tivemos pequenas fricções entre nós, mas é algo que é natural, é falado no momento, é resolvido e está tudo bem no dia a seguir. Já sabíamos que antes que ele ia sair da equipa, não foi uma novidade para nós. Ele é um atleta 100% profissional, como todos os outros da nossa equipa. Independentemente de ir sair ou não, ele fez o que tinha a fazer por nós, trabalhou bastante bem e foi profissional a 100%”, elogiou.

Instado a escolher o melhor e o pior momento que viveu durante a Volta a Espanha, Almeida nem hesitou.

“O melhor foi definitivamente a vitória no Angliru. Acho que foi especial e histórico. Deve ser uma das vitórias mais bonitas da minha carreira. E o pior foram alguns dias em que não me senti bem, mas faz parte do percurso”, resumiu, prometendo regressar à mítica subida para ver o seu nome gravado.

“Claramente vou subir de carro desta vez”, brincou.

 
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