Celorico de Basto e Amarante inauguram, no sábado, a requalificada Ponte de Arame de Lourido, uma obra original de 1926, ligando os dois concelhos, que se encontrava em ruínas.
“É uma obra simbólica, porque une dois concelhos, une as duas margens do rio Tâmega, que é um elemento agregador deste território”, comentou hoje o presidente da Câmara de Celorico de Basto, em declarações à Lusa.
Quando acompanhava os retoques finais na empreitada, José Peixoto Lima assinalou que as duas localidades sempre tiveram ligações históricas. Contudo, durante décadas, o mau estado da ponte tornou a travessia impossível, afastando as duas comunidades.
Recuperação avançou após desistência da barragem de Fridão
Durante vários anos, a possibilidade de a barragem de Fridão poder ser construída, submergindo a travessia, foi adiando a sua recuperação, o que só foi possível realizar quando foi abandonado aquele projeto hidroelétrico.
No passado, a ponte suspensa, popularmente conhecida como ponte de arame, numa extensão de 55 metros, garantia, a partir de 1932, o acesso da povoação de Rebordelo, na margem esquerda, à estação ferroviária de Lourido (antiga Linha do Tâmega), na margem direita, além das relações familiares e económicas, sobretudo a lavoura, entre duas comunidades rurais.
Ligação à ecopista do Tâmega
A travessia agora reaberta vai também melhorar o acesso à ecopista do Tâmega, nas proximidades, que liga Amarante a Celorico de Basto, utilizada diariamente por centenas de pedestrianistas e ciclistas.
A intervenção, orçada em 325 mil euros, foi realizada segundo um estudo técnico da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.











A infraestrutura recebeu um novo tabuleiro em madeira, novas guardas e foram colocados cabos de aço para reforço da segurança, mantendo-se também os originais, como memória da ponte construída há quase um século.
A obra também melhorou os acessos nas duas margens, apesar do acentuado declive das margens. Do lado de Celorico de Basto, está a ser criado um miradouro sobranceiro à ponte, com vista panorâmica, além de sinalética.
Aquele conjunto constituirá, segundo o autarca, um forte atrativo turístico, como comprova, apontou, o elevado número de pessoas que têm visitado o local, antes de a obra estar concluída.
“Acredito que será um ícone turístico para ambas as localidades”, referiu o presidente da câmara.
Do lado de Amarante, o presidente da câmara, Jorge Ricardo, fala de um “projeto abraçado pelos dois concelhos”, destacando o caráter simbólico da empreitada, por permitir ligar, como no passado, as duas aldeias, nomeadamente quando às Minas de Vieiros, do lado de Rebordelo, acorriam trabalhadores oriundos da outra margem do Tâmega. Ou quando a ponte facilitava a ligação à estação de Lourido às gentes de Amarante.
Mas também por ser uma bonita obra de engenharia, com quase um século de existência, muito apreciada pela sua raridade.
À Lusa, o autarca evidencia o potencial turístico daquele conjunto, que vai ter um novo acesso em terra batida a partir da aldeia. Promete também a construção de um pequeno parque de estacionamento, do lado de Amarante, para facilitar fruição do rio, sobretudo durante o verão.