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Viana do Castelo

Já é conhecido o cartaz da Romaria d’Agonia 2020

Autoria de Luís Carlos Araújo Lagadouro

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O distanciamento social imposto pela pandemia de covid-19 inspirou o autor do cartaz escolhido para ser a imagem da edição 2020 da Romaria d’Agonia, em Viana do Castelo, por retratar uma festa “sentida à distância, através das plataformas digitais”.


O fotógrafo Luís Lagadouro, de 31 anos, natural da freguesia de Outeiro venceu o concurso com um cartaz que junta tradição e tecnologia.

Cartaz da Romaria d’Agonia 2020. Foto: Luís Carlos Araújo

A imagem, hoje apresentada publicamente no teatro municipal Sá de Miranda, retrata uma mordoma, sentada numa cadeira, com a imagem da santa padroeira, a Senhora d’Agonia, colocada numa parede e, em frente para um computador. Sorrindo olha para o monitor, simulando a visualização de um dos números da romaria que este ano se cumprirá através das plataformas digitais.

“A ideia surgiu em conversa com amigos, brincando com a inundação de transmissões em direto nas redes sociais. Comentamos que as Festas d’Agonia 2020 seriam praticamente todas virtuais. Comecei a pensar que por ser virtual não teria de perder a alma e poderia passar uma imagem de esperança. E daí veio a ideia de estar a (vi)ver as festas em casa, mas igualmente trajado como se faz durante a festa, pois há sempre alguém que leva um lenço, uma camisa ou um colete vestido”, explicou.

A mordoma Teresa Viana, de 27 anos e residente em Vila Nova de Anha, também em Viana do Castelo, escolheu envergar um traje de domingar, que inclui um lenço com cem anos.

“Tenho de ter sempre presente no meu pensamento que, para além de um ano atípico, só tenho de sentir orgulho e alegria por me darem esta oportunidade. Queremos demonstrar a todos os vianenses e a todos aqueles que querem viver a romaria connosco que este ano também será possível. E que para o ano estaremos todos juntos e com mais paixão pelas nossas festas”, afirmou a jovem.

O cartaz da romaria voltou, este ano, a ser selecionado em concurso público, que decorreu entre 03 de março e 29 de maio, tendo recebido propostas de 16 candidatos, num total de 21 propostas.

Em 2019, segundo dados então avançados pela VianaFestas, contaram-se 83 propostas, maioritariamente de Viana do Castelo, mas também de Coimbra, Braga, Porto e Lisboa.

Romaria decorre de 19 a 23 de agosto

A edição 2020 da Romaria Nossa Senhora da Agonia vai decorrer entre os dias 19 e 23 de agosto.

“Será uma festa diferente, mas também por isso ainda mais emotiva, por ser vivida desta vez apenas à distância. As preocupações com a saúde pública, numa festa que envolve a concentração de tantas pessoas, não podia ser colocada em segundo plano, tendo em conta o momento que todos vivemos. Este ano vamos sentir a romaria, mas para o ano estaremos, todos, a vivê-la como sempre”, disse António Cruz, presidente da Comissão de Festas da Romaria d’Agonia.

Este ano, a capital do Alto Minho não vai festejar nas ruas, pela primeira vez em 248 anos, os números emblemáticos da Romaria d’Agonia devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Além do cartaz foi também apresentada a programação digital da festa, um momento que habitualmente se realizava num restaurante da cidade com mais de uma centena de pessoas e que este ano se realizou no teatro da cidade, com cerca de 50 pessoas, cumprindo as regras impostas pela pandemia de covid-19.

A programação será disponibilizada num sítio na Internet, num espaço designado “A festa de todos”, e através das redes sociais com os números principais da romaria, informação e memórias de uma romaria com cerca de dois séculos e meio de história.

A página criada disponibilizará conteúdos multimédia sobre momentos das festas, acessíveis para telemóveis por códigos de barras bidimensionais (QR Code) disponíveis na Exposição de Rua “Sentir as Festas d’Agonia”, em vários locais pela cidade de Viana do Castelo.

O dia 20 de agosto, dedicado a Nossa Senhora d’Agonia, padroeira dos homens do mar, será celebrado presencialmente, na igreja que lhe está dedicada no Campo d’Agonia, mas com limitações determinadas pelas autoridades de saúde e pela Confederação Episcopal Portuguesa relativamente às celebrações litúrgicas.

Haverá ainda outros momentos celebrados presencialmente, como exposições, a apresentação da revista “A falar de Viana, entre outros.

“Vamos dar o exemplo, quer ao Estado, quer à sociedade civil”

Para o presidente da câmara, José Maria Costa, esta foi a forma que Viana do Castelo encontrou para que as festas “não sejam um motivo de preocupação ou que quem a organiza fique com peso na consciência por não serem cumpridas as regras que todos são exigidas”.

“Perante os devaneios a que temos assistido em algumas zonas do país, vamos dar o exemplo, quer ao Estado quer à sociedade civil, que fazemos a festa de forma diferente. Será uma lição de que em Viana do Castelo a romaria assume-se de corpo inteiro, mesmo em ano de pandemia”, sustentou.

O autarca socialista admitiu que o formato eminentemente digital que a romaria assume este ano “vai afetar a vida económica do nosso concelho” , mas também um “desafio à reflexão que dará mais sentido às raízes e à essência de uma festa que convoca todos para um encontro de partilha”.

Anteriormente à Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, estimou que o cancelamento, no formato habitual, da edição 2020 representará uma “perda direta de receita de 10 milhões de euros, sobretudo nos setores do comércio, restauração e hotelaria.

(notícia atualizada às 20h49)

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Viana do Castelo

Onda de assaltos a viaturas na marginal de Viana

Em Amorosa

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Foto: Redes sociais

Pelo menos três viaturas foram alvo de assalto com quebra de vidros nesta madrugada de domingo, na marginal de Amorosa, em Viana do Castelo.

As vítimas tinham o carro estacionado nos vários locais de estacionamento daquela via tendo encontrado os vidros partidos, alguns objetos roubados e tudo remexido dentro das viaturas.

Foto: DR

Foto: DR

Esta não é a primeira vez que há registo de múltiplos assaltos a viaturas na zona marginal da capital do Alto Minho. Há três semanas, vários automobilistas queixaram-se da mesma situação.

A GNR está a investigar os furtos e a proceder a diligências para encontrar os responsáveis.

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Viana do Castelo

Mulher agredida no trânsito em Viana do Castelo

EN 13

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Foto: Google Maps

Uma mulher terá sido agredida por outra mulher após uma manobra no trânsito na Estrada Nacional 13, ao final da tarde de sexta-feira, junto ao Minipreço de Viana do Castelo.

Ao que apurou O MINHO, a mulher seguia numa rotunda pelo lado interior para sair numa segunda saída, quando foi ‘entalada’ por outra viatura que seguia na faixa exterior, mas com o mesmo destino.

 

De acordo com um familiar da vítima, eram cerca das 18:00 horas de sexta-feira. quando a mulher que conduzia a segunda viatura entrou em perseguição à viatura da vítima durante alguns metros, a buzinar, até paragem num semáforo, para ‘ajustar contas’ pela manobra anterior.

Terá então saído da viatura, com duas crianças menores atrás, e desferiu uma agressão na vítima, que sofreu ferimentos ligeiros, sem necessitar de assistência hospitalar.

A vítima procura agora informações junto de possíveis testemunhos que possam ter assistido á agressão, de forma a formalizar queixa na PSP.

Mostra-se revoltada por ter cumprido as regras de trânsito e ainda ter sido agredida por isso.

(notícia atualizada às 20h02 com retificação da hora da ocorrência)

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Alto Minho

História de devoção da ribeira de Viana à Senhora d’Agonia contada através imagens

Reportagem

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Foto: Rui Carvalho

A história “arrepiante” da devoção da ribeira de Viana do Castelo à Senhora d’Agonia, “narrada” pelas fotografias de Rui Carvalho quer transmitir, a partir de sábado, a “carga emocional” de um dos momentos “mais fortes” das festas da cidade.

Viana do Castelo vai entrar em agosto, pela primeira vez em 248 anos, sem viver nas ruas a festa que nasceu para honrar a “Mater”, padroeira dos pescadores, mas a “explosão” de imagens que se vão espalhar pela cidade não vai deixar esquecer que é mês de romaria e de fazer sentir uma devoção “sem igual”.

A veneração à padroeira dos homens do mar, que se cumpre há mais de meio século, “entranha-se mesmo que não se seja da Ribeira”. Para Rui Carvalho, que fotografa a romaria da capital do Alto Minho desde 2004, é “um dos momentos mais fortes e intensos”.

Neto e filho de fotógrafos da cidade, Rui, de 43 anos, assina a “Mater”. A exposição de autor abre ao público, no sábado, com uma seleção de trinta imagens, que retratam um “olhar” que se deixou “envolver” nas festas e “tomar” pelo “carinho” das pessoas pela santa.

“Há várias imagens que passam a carga emocional presente naquele momento [procissão ao mar]. É um momento muito pessoal. Há ali toda uma história de vida por trás. De pessoas que perderam familiares no mar, de quando os barcos querem entrar na barra e a coisa corre mal, é para a santa que se viram. Isso sente-se na imagem”, contou hoje à agência Lusa Rui Carvalho, licenciado em ‘Design’ de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

O culto à Senhora d’Agonia tem a sua primeira referência escrita em 1744. Já a procissão ao rio e ao mar, em sua honra, cumpre-se sempre a 20 de agosto, desde 1968.

Este ano, por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, será celebrado presencialmente na igreja de Nossa Senhora d’Agonia, mas com limitações.

A “narrativa” construída pelas imagens de Rui conta uma história de “envolvência” da ribeira “no antes, durante e depois” da procissão ao mar, desde “a preparação dos tapetes floridos, nas semanas que antecedem a romaria, à noite dos tapetes, à procissão ao mar, ao regresso do mar, com a passagem do andor pelas ruas da ribeira no regresso à igreja”.

“Há uma relação entre a ribeira e a Santa, e a Santa e a ribeira, que é muito especial. Em certas famílias nota-se que é muito sentido. Devido até, dia-a-dia, ao andarem no mar, às dificuldades que sentem. Não é propriamente o dia da festa que é importante para a ribeira, é o ano todo. Se calhar, o dia da festa é quando as emoções vêm a flor da pele”, referiu.

Daquela relação nasceu o nome da exposição: “Mater porque é a mãe que cuida dos pescadores, daquela comunidade e dos vianenses”. A mostra é inaugurada no sábado, pelas 17:00, no âmbito do projeto “Pulsar Viana”, promovida no centro comercial da cidade.

“Nas noites dos tapetes, a dona Celeste da Rua Monsenhor Daniel Machado não me perdoa se não for lá comer uma fatia de bolo de chocolate. Passei a fazer parte da vida daquelas pessoas. Há uma empatia muito grande e sinto, agora, com outra clareza a devoção da ribeira à Senhora”.

Além da mostra “Mater”, Rui Carvalho assina as 25 fotografias da exposição “Sentir os tapetes para a Senhora Passar” que vai abrir ao público, também no sábado, a bordo do navio-hospital Gil Eannes.

Ainda a partir de sábado, em seis locais da cidade vão ser expostas 174 fotografias dos números mais emblemáticos das festas, todas de Rui Carvalho que, em 1993, iniciou uma colaboração ininterrupta com a comissão de festas da Senhora d’ Agonia, nas áreas da conceção, ‘design’, imagem e comunicação. É ainda responsável, desde 2015, pelo registo fotográfico da romaria.

“Há uma explosão de fotografias para que as pessoas sintam as festas, apesar de ser um ano anormal”, disse, referindo-se à pandemia de covid-19 que levou ao cancelamento do formato normal da romaria.

Os painéis com as 170 fotografias vão ser colocados nas ruas onde decorrem os principais pontos da romaria e que através de códigos de barras bidimensionais (‘QR Code’) neles instalados, os visitantes podem aceder aos conteúdos multimédia sobre os quadros emblemáticos que, habitualmente, se realizam naquele local e que estarão disponíveis numa página na Internet criada para o efeito.

Reportagem por Andrea Cruz, da agência Lusa

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