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Braga

IPSS de Braga obrigada a fechar dois apartamentos onde vivem 10 pessoas com deficiência

Por falta de apoio governamental

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Foto: DR

A CERCI Braga – Cooperativa de Educação e Reabilitação informou os familiares das dez pessoas com deficiência que vivem em duas residências autónomas (dois apartamentos), sitos em São Vicente, que vai ter de fechar as portas desta valência devido à ausência de apoios da Segurança Social.

Em carta enviada aos familiares, a administração da IPSS diz que está desde janeiro de 2022 a suportar na íntegra o custo mensal, que ronda os 16 mil euros por mês, e salienta que há oito colaboradores em risco de desemprego e 10 jovens/adultos com deficiência intelectual, que ficarão sem resposta residencial.

O MINHO contactou o Ministério da Segurança Social (SS) mas não teve resposta. O Governo comprometeu-se em fevereiro a financiar a valência através de um contrato com a CERCI, no âmbito do programa PARES- Programa de Alargamento de Equipamentos Sociais.

Contactou, também, a administradora da CERCI, Vera Vaz, mas esta não se quis pronunciar, adiantando que o organismo vai enviar, ainda hoje, um comunicado, com a sua posição sobre o problema.

A IPSS tem dois apartamentos em S. Vicente, licenciados para acolher pessoas com deficiência, sendo que um foi oferecido por um casal e outro adquirido no mercado, no caso com apoio governamental.

Até dezembro de 2021 estiveram a funcionar com o apoio financeiro do projeto ‘BPI Capacitar’.

“Se isto fechar vai ser uma tragédia”, disse a O MINHO Vasco Cunha que tem um filho com 55 anos numa das residências autónomas e que, salienta, “está lá tão bem, quase já não quer vir a casa”.

Vasco Cunha, que é viúvo e está reformado, diz não entender como é que “em Portugal há dinheiro para tudo menos para quem precisa”.

Na missiva que enviou aos utentes, a gestora da CERCI, Vera Vaz, avisa que vai rescindir o contrato de prestação de serviços da resposta ‘Residência de Autonomização e Inclusão’, por não se ter conseguido que a SS formalize o acordo. A CERCI previa que o fecho ocorresse, a 31 de Julho, e que os utentes saíssem da Casa de S. Vicente e da Casa de Infias, mas adiou o encerramento para o final de agosto.

Diz ter “acreditado que com a aprovação do Programa PARES 3.0, o acordo seria celebrado em simultâneo” e lembra que as candidaturas, aprovadas em fins de fevereiro de 2022, visam o apoio financeiro à aquisição das frações (apartamentos) onde desenvolvemos a resposta de residência autónoma e a adaptação das instalações”.

CERCI aguarda

Na carta a CERCI lamenta: “Continuamos a aguardar a assinatura do contrato, sendo que as condições que agora nos apresentam são as de que só finalizadas as obras se poderá solicitar acordo de cooperação. Ou aguardando a abertura de concurso PROCOOP, que não tem data prevista. Assim, a situação tornou-se insustentável”.

E a concluir, diz; “É com profunda tristeza, que após o envolvimento da comunidade e de todos os recursos que conseguimos reunir para a concretização de uma resposta social tão necessária (doação de um apartamento, apoio financeiro da Câmara Municipal de Braga, do Prémio BPI Capacitar e INR) tenhámos que nos confrontar com esta tomada de decisão. Fica o nosso compromisso de tentar encontrar outra resposta junto da Segurança Social”.

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