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Braga

Ciência: Entre o mar e o laboratório procuram-se novas soluções para a saúde e a alimentação

Projeto CVMar+i envolve investigadores da região Norte e da Galiza, incluindo do 3 B’s Research Group, da UMinho, e do INL

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3 B's Research Group, no AvePark, em Guimarães. Foto: Twitter de António Costa (Arquivo)

Algas, espinhas ou membranas de peixes estão a ser levadas do mar para o laboratório para criar próteses, componentes de medicamentos ou cosméticos, no âmbito de um projeto ibérico.

Foi com o intuito de perceber se a valorização de subprodutos de origem marinha poderia vir a ter impacto no desenvolvimento da indústria farmacêutica, da indústria alimentar e da medicina regenerativa do Norte de Portugal e da região da Galiza que surgiu o projeto CVMar+i.

Iniciado em junho de 2017, este projeto ibérico, que integra o Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP), tem vários objetivos traçados, mas todos seguem o mesmo princípio: o aproveitamento dos recursos marinhos tirando partido de compostos que, atualmente, representam “possibilidades inesgotáveis por descobrir”.

Tiago Silva. Foto: Linkedin

Quem o afirma é Tiago Silva, um dos dez investigadores que integram a equipa do 3B’s Research Group da Universidade do Minho, entidade coordenadora do projeto. Em declarações à Lusa, explicou o quanto o CVMar+i pode vir a ter “impacto na economia real” e “ajudar a desenvolver socioeconomicamente” a região transfronteiriça.

“A ideia é nós termos colaborações quer entre os grupos portugueses e espanhóis, quer entre a academia e o tecido empresarial, sem haver distinção de geografia ou de áreas de negócio e de trabalho”, disse, adiantando que o objetivo passa também por “fortalecer as empresas e promover o aparecimento de novas empresas que possam explorar novas áreas de negócio”.

O CvMar+i, financiado em 3,2 milhões de euros, é, segundo Tiago Silva, o resultado da “maturação” das linhas de investigação que têm vindo a ser desenvolvidas dentro desta temática desde 2006 por vários parceiros ibéricos, desde centros de investigação, passando por universidades e até empresas.

No total, são 17 os parceiros envolvidos nesta colaboração transfronteiriça, que visa o desenvolvimento de 11 linhas de investigação em áreas tão distintas como a medicina regenerativa, a indústria alimentar e a indústria cosmética.

De acordo com Tiago Silva, o 3B’s Research Group está a trabalhar em três linhas de pesquisa ligadas à medicina regenerativa: na criação de estruturas tridimensionais que podem vir a ser “a nova geração de próteses vivas”, no aproveitamento de polissacarídeos de algas que podem ser utilizados nas forragens para encapsular células (medicamentos) e na verificação de compostos de algas que podem ter atividade anticancerígena.

É nesta última linha de investigação que surge a colaboração com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha (CIIMAR) da Universidade do Porto, a entidade responsável por cultivar, extrair e isolar os compostos das microalgas e cianobactérias que podem vir a auxiliar na “luta contra o cancro”.

Em entrevista à Lusa, o presidente do CIIMAR, Vitor Vasconcelos, adiantou serem já “promissores” os resultados obtidos, esperando vir a ter no final deste projeto “um novo produto desenvolvido a partir de micro-organismos de origem portuguesa”.

“Estes biorrecursos podem ter um impacto extraordinário porque, por um lado, nós temos uma riqueza de diversidade de organismos marinhos que ainda estão pouco estudados e, por outro, podemos vir a descobrir novas moléculas que terão uma valorização económica muito grande”, referiu.

Além desta linha de investigação, o CIIMAR está a trabalhar no desenvolvimento de “moléculas antibiofilmes”, para travar uma forma física de crescimento de bactérias que leva a infeções difíceis de tratar. Nas indústrias alimentar e marinha, o impacto pode ser significativo.

É também com o intuito de detetar “a concentração de determinadas espécies químicas” e monitorizar o ambiente que o Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQUP) está a aproveitar as espinhas e membranas de peixes para criar sensores óticos. Até ao momento, os resultados são “bastante promissores”.

“O objetivo é a preparação de sensores óticos, também chamados de opto-sensores. Neste caso, isto traduz-se em obter membranas que terão um comportamento ótico, ou seja, neste caso, que mudarão de cor ao entrarem em contacto com determinadas espécies químicas e com a concentração dessas espécies químicas”, referiu Manuel Augusto Azenha, um dos coordenadores da investigação.

Deste projeto ibérico, que termina oficialmente em dezembro, resultam já vários protótipos – próteses metálicas de “melhor desempenho”, extratos com potencial farmacêutico contra o cancro e compostos bioativos que se vão “mostrando interessantes” para a área alimentar e cosmética e se podem vir a tornar em novos alimentos ou formulações cosméticas.

Contudo, o objetivo do 3B’s Research Group passa agora por “prolongar por seis meses a extensão” do CVMar+i, adiantou à Lusa Tiago Silva, afirmando que um dos maiores desafios do projeto se prende com o “tamanho reduzido da indústria e empresas biotecnológicas da região”.

“Nós queremos contribuir para o fortalecimento desse investimento, mas é um investimento que é difícil porque depende da quantidade de investimento financeiro associado às empresas ou à sociedade em geral, que na nossa região não é particularmente relevante, mas que nós esperamos conseguir fortalecer”, concluiu.

Além do 3B’s Research Group, do CIIMAR e do CIQUP, o projeto tem como parceiros nacionais o INL (Braga), a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, a aStemmatters, a Smart Inovation e a Sarspec.

Do outro lado da fronteira, o CVMar+i conta com a colaboração da Universidade de Vigo, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Santiago de Compostela, do Instituto de Investigaciones Marinas, do Centro Tecnológico del Mar da Fundação CETMAR, da DevelopBiosystem, da BETA Implants, da Iuvenor Labs e da Bialactis Biotech.

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Braga

Ambulâncias duas horas à espera no hospital de Braga: “Socorro está comprometido”

Ambulâncias ficam retidas no parque e não estão operacionais para socorrer outras pessoas

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Um movimento acima do normal no serviço de urgências do Hospital de Braga estava a causar grande constrangimento às corporações de bombeiros e serviços de INEM do distrito, ao início da tarde desta quinta-feira, com algumas ambulâncias a ficarem retidas entre duas a três horas naquele local.

Domingos Ferreira, comandante adjunto dos Bombeiros de Amares, falava mesmo em “socorro comprometido”, apontando três ambulâncias daquela corporação como retiras perto de três horas no serviço de urgências.

“Os carros ficam à espera nas urgências porque as urgências parecem quase paradas”, disse a O MINHO, adiantando que “desta forma é muito difícil assegurar o socorro no nosso concelho”.

Ao que apurou O MINHO junto de outras corporações do distrito, cerca das 15:00 horas, a espera estava a comprometer o socorro nos diferentes concelhos, por não existirem ambulâncias em prontidão nos diferentes quartéis.

Contactado por O MINHO, o serviço de urgências do Hospital de Braga confirmou a espera e remeteu explicações para mais tarde.

(em atualização)

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Braga

Braga recebe Corrida contra o Cancro de Mama mais popular do mundo

Race For The Cure junta cerca de um milhão de pessoas, em mais de 140 cidades. É a primeira vez que se vai realizar em Portugal

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Roma. Foto: Divulgação (Arquivo)

A Race For The Cure, a Corrida e Caminhada contra o Cancro de Mama mais popular do mundo, vai realizar-se em Braga, a 29 de setembro, pelas 09:30, foi hoje anunciado durante uma apresentação pública.

Criado em 1983, esta é a primeira vez que o evento, que junta cerca de um milhão de pessoas em mais de 140 cidades de todo o mundo, se vai realizar em Portugal.

Foto: Sérgio Freitas / CM Braga (Divulgação)

Durante a prova, que começa e termina na Avenida João Paulo II, os participantes podem optar pelo percurso mais curto de 4 quilómetros ou pelo mais longo de 7.4 km.

O valor por inscrição é de 10 euros (com kit incluído). Os interessados podem efectuar a inscrição em no site da Run Porto [clicar aqui] ou na recepção do ginásio Gym Tonico.

A totalidade das verbas angariadas revertem a favor da Associação Rosa Vida e do Gabinete de Apoio Oncológico e para a Associação Mama Help, para apoiar os projectos desenvolvidos por estas Associação: Quality Onco Life Program, Pink Bees e Cinderella. Estes projectos visam a melhorar da qualidade de vida dos doentes oncológicos, a integração dos sobreviventes no seu regresso à vida activa e o apoio a toda a estrutura familiar, nomeadamente ao nível de estratégias para lidar com uma nova realidade.

Na Europa serão 22 cidades a correr pela causa, entre as quais Braga, Roma, Bruxelas, Atenas, Antuérpia, St. Petersburgo, Belgrado, Luxemburgo, Sarajevo, Bucareste, Split ou Sofia.

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Braga

CDU vai fechar campanha eleitoral em Braga

Grande comício na sexta-feira, 04 de outubro

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A campanha da Coligação Democrática Unitária (PCP/PEV) para as eleições legislativas vai ter moldes tradicionais, com várias ações de rua, refeições coletivas e comícios, com mais incursões ao centro e norte do país, nas próximas duas semanas, tendo Braga sido a cidade escolhida para o encerramento.

Em comparação com a última “volta a Portugal”, em maio para as eleições europeias, o líder comunista, Jerónimo de Sousa, os dirigentes de “Os Verdes” e cidadãos independentes vão protagonizar um périplo mais diversificado do que a habitual concentração na Grande Lisboa, península de Setúbal e Alentejo.

De fora do percurso da caravana e bandeiras da CDU vão ficar Trás-os-Montes, Beira Interior e Alto Alentejo, mas as palavras de ordem de comunistas e ecologistas serão audíveis por todo o litoral de Portugal: norte, centro e sul.

Ao contrário de há quatro meses, o último dia oficial de campanha, sexta-feira (04 de outubro), vai ser passado a norte, com um comício de encerramento agendado para a noite, em Braga, após várias ações, desde manhã, no distrito do Porto, incluindo a ‘arruada’ na movimentada e comercial rua de Santa Catarina, por exemplo.

Há perto de um mês, em entrevista à Lusa, Jerónimo de Sousa defendeu a manutenção de “uma campanha de massas, junto das pessoas, onde não se fique pelo ‘slogan’, pela proclamação”, prestes a lançar-se, pela quinta vez desde que é secretário-geral do PCP, numa disputa eleitoral legislativa em quase 15 anos de mandato.

“A política tem de ser direcionada para as pessoas. Tem de se chegar às pessoas. Não pela via do Facebook, embora também o Facebook tenha importância para nós. Mas é profundamente criador e de grande atualidade – não é arcaico – continuar a manter uma linha de contacto direto, esclarecimento, aprendizagem”, disse, preferindo o “contacto direto, ouvindo, aprendendo? transformando quem está a ouvir, de certa forma, num candidato, na defesa e alargamento da CDU”, ou seja e em resumo, uma “campanha ligada ao povo”.

No primeiro dia do período oficial de campanha, domingo (22 setembro), a comitiva vai estar pela Grande Lisboa, com passagens pelo Museu do Aljube, Oeiras e Loures, tal como no dia seguinte, durante a manhã, interrompendo-se o programa à tarde para a preparação do debate televisivo alargado aos diversos líderes políticos.

Terça e quarta-feira, o secretário-geral do PCP dedica-se aos distritos de Leiria, Santarém, Viana do Castelo, Braga e Porto, voltando para sul na quinta e sexta-feira: Setúbal, Beja e Algarve.

No fim de semana, a CDU vai percorrer novamente as estradas e ruas de Setúbal, Lisboa e Santarém, terminando a jornada de propaganda em Évora.

A segunda e derradeira semana de apelo ao voto começa com outra incursão ao centro-norte: Viseu, Aveiro e Coimbra, regressando a caravana a Lisboa e Setúbal na terça e quarta-feira.

Quinta-feira (03 de outubro), penúltimo dia de campanha, Jerónimo de Sousa e apaniguados iniciam os contactos com a população novamente na Grande Lisboa, incluindo a emblemática descida pedestre do turístico Chiado ao central Rossio, e terminam em Leiria, na Marinha Grande, antes de nova e derradeira romagem ao norte: distritos de Porto e Braga, na sexta-feira que antecede o dia de reflexão para a votação de domingo.

A nível nacional, há quatro anos, a CDU foi a quarta força política mais votada, com 8,3% (445.980 votos), sendo que PSD e CDS-PP também concorreram coligados, e alcançou 17 mandatos na Assembleia da República, imediatamente atrás do BE (10,2%).

Desde que Jerónimo de Sousa é o líder dos comunistas (novembro de 2004), a CDU conseguiu sempre ir aumentando o número de deputados no parlamento: 14 em 2005, 15 em 2009, 16 em 2011 e 17 em 2015.

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