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Braga

INL de Braga em projeto europeu que avalia efeitos das nanopartículas em aquacultura

“Nanoculture”

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Foto: DR / Arquivo

Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), em Matosinhos, integram um projeto europeu que visa avaliar “os efeitos das nanopartículas” em peixes e moluscos que são produzidos em aquacultura, revelou hoje o responsável. O Laboratório Internacional de Nanotecnologia de Braga está incluído neste projeto.


Em entrevista à agência Lusa, Mário Araújo, investigador do CIIMAR, explicou que o projeto “NANOCULTURE” surgiu, em março de 2019, com o propósito de “avaliar os efeitos da utilização das nanopartículas” no setor industrial da aquacultura.

“Verificou-se que as nanopartículas estão em maior concentração no ambiente e daí surgiu o interesse de nos voltarmos para a aquacultura e a presença destas partículas [com um tamanho mil vezes inferior ao milímetro] no ambiente aquático”, referiu o investigador.

O projeto vai nos próximos dois anos debruçar-se sobre três objetivos, sendo que o primeiro é “perceber o trajeto das nanopartículas quando ‘entram’ nos organismos”.

Para perceberem esse trajeto, nomeadamente “efeitos e implicações”, os investigadores estão a analisar duas espécies cultivadas em “grande volume” pela indústria da aquacultura: o pregado (peixe) e o mexilhão (molusco).

“Alguns colegas estão a trabalhar a observar as nanopartículas em amostragem ao nível dos tecidos e outros estão a tentar perceber se estas partículas interferem ao nível das proteínas e das suas funções”, explicou Mário Araújo.

Paralelamente a esta análise, os investigadores vão desenvolver “biossensores” para quantificar e detetar as nanopartículas presentes no meio aquático, mas também no tecido dos animais.

Segundo Mário Araújo, a equipa de investigação pretende ainda “avaliar o risco destas partículas para o consumidor”.

“O que se diz é que pode haver risco através do consumo, mas nós não vamos fazer análise de risco, isto é, não vamos colocar ninguém a comer peixe contaminado, vamos sim cozinhar o peixe e avaliar se as nanopartículas permanecem presentes”, explicou.

Mário Araújo adiantou que o projeto, desenvolvido ao abrigo do programa Interreg Atlantic Area, vai ser essencial para “avaliar o risco e minimizar a presença das nanopartículas em aquaculturas da região Atlântica”.

Além do CIIMAR, integram este projeto o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga, a Universidade de Santiago de Compostela, o Cluster Tecnológico de Aquacultura da Galiza, a Universidade de Vigo e o Centro de Investigação Marinha Índigo Rock, na Irlanda.

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Braga

Doente de Braga recupera há meses da covid: “Já não vou a casa desde 26 de março”

“Revolta-me saber que há quem desvalorize a doença”

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Foto: Ilustrativa / DR

António Rodrigues, 53 anos, assistente operacional numa escola de Braga, recupera da covid-19 no Centro de Reabilitação do Norte (CRN), em Gaia, no distrito do Porto. À Lusa conta o drama de quem, meses depois de ser infetado, ainda sofre na pele as consequências desta doença e revolta-se contra quem a desvaloriza.

“Toma-se uma pastilha e fica-se bom, não é? Eu não ando. Há quem diga que só apanha quem não for forte. Eu fui à tropa e apanhei”, refere António Rodrigues.

O assistente operacional está a “reeducar” o corpo. Decidiu treinar a mão esquerda para a escrita, uma vez que perdeu movimentos do lado direito e porque não admite a hipótese de não regressar o mais rápido possível ao trabalho.

“Quero ser útil ao meu país, como o meu país, através dos hospitais, me é útil a mim. Salvaram-me e continuam a tratar de mim”, diz à Lusa, enquanto pedala sentado numa cadeira e conta que esteve em coma induzido “alguns meses porque já não respirava bem”. Descobriu que estava infetado no final de março. Foi intubado a 22 de abril.

“Fiz quatro testes e só o quarto deu negativo. Ganhei uma úlcera e apanhei uma bactéria. Estive até 15 de outubro no Hospital de Braga. É impossível saber onde apanhei [o vírus]. No princípio de agosto não dava um passo. Agora já só não levanto os dedos dos pés e mexo pior o lado direito. Lembro-me de ter sonhos. Lembro-me de ter pesadelos, mas é passado. Tinha de fazer muita força para me levantar e agora já me levanto sozinho. Já não me sinto cansado”, resume à Lusa.

“Não sei onde apanhei [o vírus]. Sei que já não vou a casa desde 26 de março. Revolta-me saber que há quem desvalorize a covid. Usei fralda e tomei banho na cama até agosto. Tomar o primeiro banho de chuveiro [sentado e com ajuda] foi uma alegria”, conclui.

“As pessoas não imaginam o que é esta doença”

Sintomas de febre, cansaço e tosse que se transformaram em meses de internamento em cuidados intensivos e em mais meses de reabilitação pós-infeção por covid-19 traduzem-se em “autoridade moral”: “Projetam-se e cuidem uns dos outros”, pedem os doentes.

“Se eu durar mais 20 anos nunca mais me esqueço desta altura. As pessoas não imaginam o que é esta doença”, diz à agência Lusa Fernando Soares, 67 anos, reformado bancário e residente em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

Teve “a tal febre e tosse de que se fala muito”, mas também “alucinações e transtornos psicológicos” que o levaram a “imaginar coisas que nunca existiram”. Após um mês em cuidados intensivos e outro numa enfermaria no Hospital Santos Silva, em Gaia, recupera em regime de ambulatório no Centro de Reabilitação do Norte (CRN).

“Tenho toda a autoridade para pedir a toda a gente que tenha cuidado. Passei momentos em que não sabiam se sobrevivia. Em termos físicos e psicológicos, esta doença é uma brutalidade. Eu perdi 18 quilos”, frisa após terminar as sessões de fisioterapia que lhe devolveram a capacidade para estar de pé e fazer “coisas aparentemente banais” como subir escadas sem sentir fadiga.

“Estive quatro meses em coma”

Esta capacidade ainda não é uma realidade para Rui Ribeiro (53 anos, residente no Porto) que está internado no CRN, mas antes passou por três hospitais, entre os quais o de São João, no Porto, onde esteve ligado “a uma daquelas máquinas que substitui a função dos pulmões e do coração pondo o sangue a correr fora do corpo”, a chamada ECMO, Oxigenação por Membrana Extracorporal.

“Estive quatro meses em coma. Aquela gente salvou-me a vida várias vezes. Agora sei que houve alturas em que nem me mexiam que era para não estragar”, descreve à Lusa.

Sentado numa cadeira de rodas porque ainda não sente as pernas dos joelhos para baixo, Rui multiplica elogios aos profissionais de saúde e faz apelos a quem nega a existência da pandemia: “Projetam-se e cuidem uns dos outros”.

“Uma enfermaria de cuidados intensivos é uma coisa muito agressiva e complicada. Os enfermeiros e os auxiliares trabalham tanto. As pessoas não têm ideia. E ganham tão pouco. É incrível. Eu dava um espirro – em sentido figurado – e tinha três pessoas à minha volta”, descreve.

Rui Ribeiro rejeita a palavra “revolta” para descrever o chamado “negacionismo” que se espelha em movimentos anti-máscara, entre outros, e admite que existe “muita gente desesperada” por causa das dificuldades económicas que medidas como as impostas pelo estado de emergência acarretam, mas também rejeita a ideia de que este “é apenas um viruzinho”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.339.130 mortos resultantes de mais de 55,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.632 pessoas dos 236.015 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Braga

Partido Volt quer agência de desenvolvimento em Braga

Política

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Foto: DR

“As cidades inteligentes não atraem investimentos atraem talentos”. A frase é do Presidente da Rede de Laboratórios de Políticas Urbanas, Jorge Saraiva e foi proferida no terceiro dos debates do partido Volt, com o nome de Volt às Quintas – uma iniciativa marcada pela vontade de abrir as portas ao diálogo com a sociedade civil da região do Minho e que decorre nas redes sociais.

No debate, em que participaram os membros do Volt, Paulo Freitas do Amaral, Margarida Martins e Paulo Sousa, Jorge Saraiva defendeu a “criação de uma agência de desenvolvimento em Braga, ao invés de uma agência de investimento”, partindo da ideia de que não é “preciso o poder local para desenvolver o conceito”, bastando que “os cidadãos para criar meios de partilha e um ecossistema de entreajuda”.

Aquele especialista em Smart Cities sublinhou, ainda, que o futuro de uma cidade “não depende da dimensão dos seus empreendimentos, mas da qualidade de vida dos seus residentes”.

O debate permitiu esclarecer, tomando Braga como exemplo, que “não nos podemos iludir quanto à cidade de talentos que trabalha para empresas multinacionais que personificam a economia extrativa, subtraindo conhecimento das pessoas locais”, sem criarem riqueza através de impostos que não são pagos nas cidades onde trabalham.

O debate ficou ainda marcado pela necessidade de a cidade de Braga repensar o seu plano de desenvolvimento que assentava em seis ideias de crescimento, das quais o comércio, turismo e cultura, acabaram por ser vítimas da pandemia.

“Braga precisa de desenhar o plano proposto de forma a adaptá-lo às novas realidades. Para tal devemos assumir o óbvio: o progresso da cidade depende das TIC, nearshoring e da engenharia, construção e ambiente como pontas de lança ou motores de progresso”.

“A noção de risco e segurança tomará conta do comportamento dos cidadãos nos próximos tempos como forma de estar em sociedade”, o que para outro dos oradores, Paulo Sousa, especialista em Sistemas Integrados de Gestão e estudioso dos modelos de governação, será uma das marcas do futuro próximo, a par das “exigências de cidadania sobre temas como a saúde e o ambiente”.

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Braga

Vila Verde com quase mais uma centena de casos ativos nos últimos sete dias

Covid-19

em

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O concelho de Vila Verde regista 261 casos ativos de infeção por covid-19, mais 93 do que há uma semana (dia 11 de novembro).

Estes dados são apurados por O MINHO junto de fonte local do setor da saúde e reportam às 20:00 horas de quarta-feira.

Não foi possível saber o número de recuperados, óbitos ou o total acumulado de forma a calcular o índice de risco em que se encontra o concelho.

Vila Verde, com cerca de 50 mil habitantes, necessita de um número menor que 120 casos nos últimos 14 dias, para deixar de integrar a lista de concelhos de risco que se encontram com recolher obrigatório, entre outras medidas.

Apesar deste aumento, e de ainda estar incluída nos concelhos de risco, o último boletim da DGS trouxe boas notícias para Vila Verde.

Dos 13 concelhos de risco do distrito de Braga, Vila Verde está em penúltimo no que diz respeito à incidência cumulativa de 240 casos por cada 100 mil habitantes.

Vizela, Guimarães, Fafe e Famalicão com incidência cumulativa acima dos 1.000 casos

Apesar disso, registava, na segunda-feira, uma incidência de 473 casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, se o concelho tivesse esses habitantes, a incidência seria de 473 casos ativos.

Abaixo de Vila Verde só ficou Cabeceiras de Basto, com 435 de incidência por cada 100 mil habitantes. Todos os restantes concelhos têm um índice de incidência superior.

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