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Infarmed proíbe entrada no mercado de teste rápido de autodiagnóstico HIV

Saúde

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Foto: DR / Arquivo

O Infarmed revelou hoje que proibiu a colocação no mercado do teste rápido de autodiagnóstico HIV do fabricante chinês Zhuhai Encode Medical Engeneering por falta de conformidade com a diretiva europeia.

Apesar de este dispositivo médico não estar à venda em Portugal, o Infarmed frisa que existe livre circulação de produtos no Espaço Económico Europeu e que o produto, que não apresentava a marcação CE, era vendido na internet.

Além de recomendar que este produto não seja usado, o Infarmed solicita ainda que a existência deste teste rápido seja reportada à direção de produtos de saúde do regulador.

A falha foi detetada no âmbito de uma fiscalização da autoridade sueca competente.

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Autoridades japonesas confirmam infeção do primeiro português com coronavírus

Covid-19

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Foto: Twitter

As autoridade japonesas confirmaram hoje que o português Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao coronavírus Covid-19, disse à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Adriano Maranhão, é, segundo a sua mulher, canalizador do navio, onde estava em missão desde 13 de dezembro, e só foi testado há dois dias. Nessa altura foi colocado numa cabine em isolamento, onde se encontra desde a manhã de ontem.

Este é o primeiro caso diagnosticado de um português com Covid-19.

Segundo adiantou a mulher de Adriano Maranhão, Emmanuelle, o português “foi examinado pela primeira vez há dois [três] dias”, após “terem desembarcado os passageiros”.

“Neste momento está numa cabine, fechado, ou mais, sem apoio, sem medicação, sem tratamento, sem nenhum tipo de procedimento nem encaminhamento e sem comer sequer”, lamentou Emmanuelle Maranhão, referindo que tem tentado contactar quer o Governo, quer a embaixada, quer a empresa do navio, mas sem obter mais informações.

O cruzeiro, ancorado no porto de Yokohama, a sul de Tóquio, é o maior foco de Covid-19 fora da China continental, tendo registado mais de 600 infetados entre os passageiros, dois dos quais morreram.

Na quarta-feira, as autoridades japonesas deram início à operação de desembarque dos passageiros saudáveis, findo o período de quarentena do navio, iniciado em 03 de fevereiro, operação que terminou na sexta-feira.

Emmanuelle Maranhão lamenta a falta de apoio ao marido, referindo que “ainda não obteve resposta nenhuma” e que Adriano continua no quarto sem que ninguém lhe dê mais informações.

“Um cidadão português que está infetado, está em serviço, está a cumprir as suas funções e está dentro desta confusão tem de ter um apoio”, afirmou, sublinhando que Adriano Maranhão “é pai de 3 filhos pequenos”.

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Portugal e Cabo Verde querem combate ao racismo “todos os dias” com serenidade e inteligência

Diplomacia

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Foto: DR / Arquivo

Os chefes de Estado de Portugal e Cabo Verde defenderam no sábado que o racismo deve ser combatido “todos os dias” com determinação, inteligência e serenidade, evitando “escaladas e reações contraproducentes”.

“O combate pelo respeito do outro, da diferença, pela integração, pela inclusão, pela fraternidade é um combate de todos os dias, tem de se fazer todos os dias na vida social porque é um combate cultural e cívico. Tem de se fazer com bom senso, com serenidade e evitando escaladas e certo tipo de reações que são contraproducentes”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava aos jornalistas, na Casa do Alentejo, em Lisboa, ao lado do homólogo cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, no final de uma conferência para assinalar os 50 anos da Associação Caboverdeana de Lisboa, durante a qual as dificuldades de integração e os obstáculos colocados pelo racismo centraram a parte dos debates.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu um combate “pela positiva” a manifestações racistas e discriminatórias.

“O nosso papel é fazer pedagogia positiva, do respeito das constituições, dos mesmos valores da democracia, do estado de direito, da igualdade, da fraternidade, da não discriminação e da não intolerância”, disse.

O chefe de Estado cabo-verdiano, a quem coube encerrar a conferência, alertou na sua intervenção para o agudizar das “dificuldades de inserção social” dos cabo-verdianos, sobretudo os mais jovens, em Portugal, indicando como expressões dessas dificuldades “o desemprego, o aumento do número de descendentes de cabo-verdianos nos estabelecimentos prisionais, o insucesso e o abandono escolar e uma certa conflitualidade emergente” com as autoridades locais.

Jorge Carlos Fonseca apontou também a “existência de manifestações de racismo e intolerância”.

“Essas situações que resultam de uma multiplicidade de fatores e que são protagonizadas por setores minoritários, devem ser combatidas, com determinação, muita inteligência, serenidade e em articulação estreita com as numerosas organizações portuguesas que se posicionam claramente contra elas”, defendeu.

O debate sobre o racismo intensificou-se nos últimos tempos em Portugal com a mediatização de episódios envolvendo cidadãos africanos, de que o caso do futebolista do FC Porto, Marega, é o exemplo mais recente.

O assunto não passou ao lado da conferência organizada para assinalar os 50 anos da ACV, com a deputada do Bloco de Esquerda, Beatriz Dias, a defender, durante um painel sobre integração das novas gerações de africanos, que há “manifestações de um racismo bastante enraizado e bastante naturalizado” na sociedade portuguesa.

A parlamentar, nascida no Senegal e de ascendência guineense, considerou que uma das maiores dificuldades nesta matéria é o “reconhecimento de que as manifestações de racismo configuram obstáculos aos direitos e à emancipação dos negros em Portugal”.

“Existem manifestações de racismo e essas manifestações são uma das causas da desigualdade e da exclusão social”, adiantou.

Beatriz Dias encontra muitas das origens deste racismo no processo colonial português, defendendo a necessidade combater o eurocentrismo no ensino da História desse período, bem como de promover uma “justiça histórica” para o continente, as civilizações e as culturas africanas para combater a ideia de “inferioridade biológica e cultural” que continua a existir na sociedade portuguesa.

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Caretos festejam primeiro entrudo como Património da Humanidade esquecidos “p’ra lá” dos montes

Reportagem

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Foto: DR / Arquivo

O primeiro Carnaval de Podence, depois da classificação da UNESCO, começou com poucos Facanitos, como poucos são os habitantes da aldeia transmontana que resistiu a outros carnavais, e elevou a Património da Humanidade a ancestral tradição dos caretos.

Com queixas de falta de apoio das entidades locais, a associação do Grupo de Caretos de Podence deu início ao Entrudo Chocalheiro de 2020 com a novidade do desfile dos pequenos Caretos, os mais novos, os Facanitos, que serão o garante da tradição, elevada a Património Imaterial da Humanidade, em dezembro de 2019.

O presidente da associação Grupo de Caretos de Podence, António Carneiro, é o rosto de décadas de trabalho que retirou do esquecimento o ritual dos rapazes disfarçados com fatos farfalhudos, coloridos e máscaras de lata, que percorrem a aldeia a fazerem tropelias e chocalhadas às raparigas solteiras.

A expectativa para este Carnaval de Podence “é muito mais alta, [e com] mais responsabilidade”, disse à Lusa António Carneiro, que espera que “a festa possa corresponder [ao que esperam] muitos milhares de pessoas que visitarão Podence nos quatro dias”, entre hoje e terça-feira de Carnaval.

Em termos logísticos, “as coisas melhoraram um bocadinho”, mas precisam de mais, afirmou.

“Precisamos de outra parte ligada com o Museu do Careto, que já é pequeno, lançámos o desafio ao arquiteto Souto de Moura para fazer um novo museu que será a Casa dos Caretos de Trás-os-Montes e alargar o espaço público na aldeia para as atividades lúdicas”, concretizou.

O alojamento “está todo lotado, em Macedo de Cavaleiros e nos concelhos vizinhos de Bragança, Mirandela, vai até quase Vila Real”, como contou, realçando que, logo a seguir, à declaração do Património Imaterial da Humanidade por parte da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), começaram as reservas e, “antes do Natal, já havia unidades hoteleiras completamente lotadas”.

As pessoas viajam para Podence “de norte a sul do país, desde o Algarve ao Minho, da Galiza e alguns ingleses, franceses, italianos”, a título particular e em “dezenas de excursões”, como enumerou.

Um estudo feito no ano passado indicava que o movimento económico dos quatro dias do Entrudo Chocalheiro rondava os três milhões de euros. Num fim de semana alargado, como o deste ano e a elevação a Património da Humanidade “a expectativa é ainda maior na aldeia com 200 habitantes e fracos recursos financeiros”.

Foto: Mensageiro de Bragança

António Carneiro queixa-se de que muitas das entidades locais “não têm a sensibilidade que deviam ter” para esta realidade, nem sequer marcaram presença no arranque das festividades.

“Acho que o apoio vai-nos sendo dado, mas para o evento que é, o que traz mais gente a Macedo de Cavaleiros, em termos daquilo que o município nos apoia não é nada de substancial, antes pelo contrário. Devia dar mais apoio”, afirmou.

Aqueles que preservam a tradição são cada vez, com um grupo permanente de quartos com 20 elementos que assegura a divulgação aquém e além-fronteiras. No Entrudo Chocalheiro “chegam a quase cem”, com os filhos da terra emigrados a fazerem questão de estarem presentes para vestir o fato do Careto.

José Carlos é emigrante há 25 anos e todos os anos volta no Carnaval, “porque é uma tradição de há muito tempo” e antes de emigrar já se vestia de Careto.

O cunhado, João Alves, é minhoto casado em França com uma natural de Podence e já faz parte da tradição.

“Quando uma pessoa está vestida de Careto, muda completamente”, observa.


(vídeo amador)

“Muito orgulhosa dos Caretos e de quem os fez chegar onde estão” mostra-se Maria da Anunciação nascida e criada na aldeia de Podence.

Maria conheceu os Caretos quando eles “eram maus e se lhes guardava um certo respeito, não se lhe abriam as portas, nem as janelas, nem nada, agora são mansinhos, bons rapazes, só querem é chocalhar as raparigas com aquela educação, aquele respeito, que dantes não era assim”, como contou.

Esta família e amigos juntam-se todos os Entrudos numa das tabernas da aldeia, um conceito criado por Mário Félix e o sócio Rui Carneiro.

Estão abertos há cinco anos. Reabilitaram um curral antigo com tudo que é tradicional desde a gastronomia, alheira, carne e o tradicional butelo, o enchido do carnaval com as casulas (cascas de feijão), onde não faltam os potes (panelas de ferro) a cozinhar na lareira.

Agora há entre 22 a 25 tabernas do género, um número a crescer, assim como os visitantes que, com esta oferta, vão ficando pela aldeia sem necessidade de procurarem outras paragens para as refeições.

Há enchente ao meio-dia e à noite durante os quatro dias do Carnaval de Podence, realçou Mário, avalizando que os Caretos criaram economia para toda a região.

Caretos de Podence ajudam a promover subdestino menos procurado no Norte

Por isso, também ele defende que o município “tem de fazer ainda mais força para tentar levar aquilo que são os Caretos de Podence a todo o mundo e mostrar esta imagem e o nome de Macedo de Cavaleiros ao mundo”.

Aqueles a quem competirá assegurar a tradição foram a novidade que abriu o Entrudo Chocalheiro neste sábado, com um desfile dos Facanitos. Apesar do desafio lançado às escolas, foram poucos os pequenos que se juntaram e mais por iniciativa da família.

Cecília Reis pega ao colo o pequeno Salvador vestido a rigor que, garante, “vai sair um careto cheio de genica”, e é de pequenino que lhe querem incutir “estes valores que fazem parte da nossa cultura”

“Este Carnaval é o mais antigo, se os nossos avós e os nossos pais não nos tivessem incutido isto, se calhar não chegávamos a Património Imaterial da Humanidade”, notou.

João Duque nunca vestiu o fato porque, embora seja do concelho, não é da aldeia e, antigamente, esse era um privilégio vedado aos de fora. Já o filho, o pequeno João, estreou-se hoje e vestiu-se, porque gosta dos Caretos e também gosta de chocalhar… as mulheres.

Diz o Facanito que “os Caretos são diferentes porque vestem outros fatos diferentes” de outros carnavais.

Para o pai, esta é também uma forma de “criar raízes”.

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