A ULS Alto Minho revelou hoje ter instaurado um inquérito interno para apurar “os factos e avaliar os procedimentos adotados” a um utente, diagnosticado com um enfarte do miocárdio 36 horas depois de ter dado entrada no hospital.
Na resposta, por escrito, a um pedido de esclarecimento hoje enviado pela agência Lusa, a administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) explica que o inquérito interno foi instaurado esta semana, quando teve conhecimento do caso através de uma reportagem da CNN/TVI.
O caso remonta a outubro de 2023. Ricardo Gonçalves, de 48 anos, deu entrada no hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo com sintomas que associou às de um enfarte do miocárdio, mas só 36 horas depois é que o diagnóstico confirmou as suas suspeitas.
A administração da ULSAM adianta que na altura o utente “não efetuou qualquer exposição ou reclamação nos canais internos da instituição”.
Contactado pela agência Lusa, Ricardo Gonçalves disse ter apresentado queixa-crime por ofensas à integridade física por negligência, junto do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Viana do Castelo, no dia 05 de julho de 2024.
Ricardo Gonçalves acrescentou ter “temido pela vida” e que “quando perderam as segundas colheitas ao sangue” que lhe fizeram pediu para “assinar o termo de responsabilidade”.
“Queria sair dali [hospital] porque senti que me iam deixar morrer”, frisou.
O doente acabou transferido para o hospital de Braga para receber tratamento.
Fonte judicial hoje contactada pela agência Lusa adiantou que “o inquérito está a decorrer com normalidade e que, normalmente, há um prazo de seis meses, para apurar se a queixa tem fundamento”.
Na nota enviada à Lusa, a ULSAM afirma “já ter sido chamada a pronunciar-se”.
“No âmbito desse processo, o tribunal solicitou registos clínicos, os quais foram remetidos nos prazos estabelecidos. Reafirmamos o compromisso da instituição com a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos nossos utentes, aguardando a conclusão do inquérito interno para um esclarecimento cabal dos acontecimentos”, refere a ULSAM.
A Lusa questionou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), mas ainda não obteve resposta.