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Homossexuais do Minho repudiam declarações da Sociedade Portuguesa de Virologia

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O Grupo de Apoio a Pessoas Queer, movimento iniciado por homossexuais de Guimarães, Vizela e Famalicão, veio hoje a público criticar as declarações do presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, a propósito do vírus ‘Monkeypox’, conhecido como varíola dos macacos, por este ter falado em “epidemia entre os homossexuais que pode alastrar a toda a população”, sem ter, no entanto, qualquer base científica para suportar essas declarações.

Na carta de repúdio, a que O MINHO teve acesso, o movimento critica a exibição de uma peça na estação televisiva CNN Portugal onde é citado Vítor Duque, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, apontando as declarações como uma forma de dividir e oprimir as minorias.

“Vergonhosamente usa-se a caracterização de epidemia entre homosexuais, sendo epidemia uma classificação dada a uma doença com uma taxa de contágio específica num determinado local [e] o que se lê nesta notícia é que o local é a comunidade LGBTQIA+”, queixa-se o movimento.

E acrescenta: “E não bastasse já a notícia ser focada nesta ideia acrescentam ainda [que] pode ser o início de uma epidemia entre os homossexuais que eventualmente se pode alastrar toda a população. Isto é uma difamação clara de que a comunidade homossexual tem esta doença e que a vai espalhar para o resto da comunidade”.

Fonte: CNN

Para o movimento, “isto é uma difamação clara de que a comunidade homossexual tem esta doença e que a vai espalhar, sendo que esta doença não escolhe géneros, nem orientações sexuais, tal como já foi provado”.

“O ridículo chega ao ponto de terem as ferramentas científicas para saberem que isto não é uma doença dos homossexuais, exprimem este facto no comunicado em si e mesmo assim são homofóbicos e disseminam ideias que levam à nossa descriminação, injustamente”, queixa-se.

Segundo o virologista Celso Cunha, citado pelo Polígrafo a propósito da veracidade da informação avançada pela CNN, esta “teoria é totalmente enganadora” porque “a transmissão não está relacionada com práticas sexuais que sejam mais frequentes em homossexuais”, garante.

Habitualmente, este vírus, que é muito semelhante ao da varíola, é transmitido através do toque ou mordida de animais selvagens, mas é uma doença rara e que não é de fácil transmissão entre humanos, apesar das mais de duas dezenas de casos já confirmados na região de Lisboa e Vale do Tejo.

“Nós estamos perante um vírus, que é este da varíola, que, tanto quanto a ciência sabe hoje em dia, não é transmitido por via sexual, através de uma relação sexual que envolva penetração. Admito, eventualmente, que pessoas que se beijem em conjunto, que se toquem… isso contribui para disseminar a doença e contagiar outras pessoas”, disse o especialista, mas rejeitando que isso possa estar associado apenas a homossexuais.

“Não há doenças de homossexuais nem de heterossexuais. Há comportamentos de risco que podem promover um contacto mais fácil, só isso”, esclareceu Celso Cunha.

Mais nove casos confirmados hoje

Mais nove casos de infeção pelo vírus Monkeypox (varíola dos macacos) foram confirmados em Portugal, totalizando 23, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS), que aguarda resultados relativamente a outras amostras.

Em comunicado, a DGS explica que os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) ao final do dia de quinta-feira e, entre as amostras disponíveis, “foi identificada, através de sequenciação, a clade (subgrupo do vírus) da África Ocidental, que é a menos agressiva”.

De acordo com a DGS, os casos identificados mantêm-se “em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis e em ambulatório”.

“Estão em curso os inquéritos epidemiológicos dos casos suspeitos que vão sendo detetados para se poder identificar cadeias de transmissão e potenciais novos casos e respetivos contactos”, acrescenta.

Na nota, a autoridade de saúde recomenda os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço a procurarem aconselhamento clínico.

Perante sintomas suspeitos, a DGS aconselha as pessoas a abster-se de contacto físico direto com outras e de partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objetos pessoais enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estadio, ou outros sintomas.

“A DGS continua a acompanhar a situação a nível nacional em articulação com as instituições europeias”, acrescenta.

O vírus Monkeypox é do género Ortopoxvírus (o mais conhecido deste género é o da varíola) e a doença é transmissível através de contacto com animais, ou ainda contacto próximo com pessoas infetadas ou com materiais contaminados.

A doença é rara e, habitualmente, não se dissemina facilmente entre os seres humanos.

Esta é a primeira vez que é detetada em Portugal infeção pelo vírus Monkeypox.

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