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Braga

Homem acusado de tentar matar pais em Braga nega ter incendiado o quarto

Julgamento.

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Foto: CMTV (2017) / DR

Um homem acusado de tentar matar os pais em Braga, por alegadamente ter regado com álcool e incendiado o quarto em que eles dormiam, negou hoje a autoria do crime, no início do julgamento.

O arguido, de 36 anos, disse que, na noite dos factos, deitou-se na cama da mãe, com um aquecedor e uma “mantinha” por cima, tomou dois comprimidos para a depressão e adormeceu.

Disse ainda que, a partir daí, apenas se lembra de ter acordado já no seu quarto, com o pai “aos berros” e o quarto dos progenitores em chamas.

“Foi o aquecedor e a mantinha que provocaram o incêndio, não houve álcool nenhum, não fui eu que provoquei o incêndio, eu era incapaz”, referiu, num depoimento marcado por falhas de memórias e por contradições com as declarações que prestou em sede de primeiro interrogatório.

O arguido disse que ele mesmo tentou ajudar a apagar o fogo e que depois se pôs em fuga, porque na altura se encontrava em liberdade condicional e o pai estava a acusá-lo de ter sido ele a pegar fogo ao quarto.

Referiu que ligou à namorada e que só se lembra de acordar num hotel em Barcelos.

Fugiu para Itália, mas dez dias depois acabou por regressar a casa, sendo detido pela Polícia Judiciária.

Os pais do arguido escusaram-se a prestar declarações.

Os factos registaram-se na madrugada de 26 de setembro de 2017, na freguesia de Este S. Mamede, em Braga, quando, segundo a acusação, o arguido terá regado com álcool o quarto em que os pais dormiam e pegado fogo.

Enquanto isso, terá ficado do lado de fora, a segurar a porta, para que os pais não pudessem fugir.

O pai, no entanto, conseguiu controlar a situação a tempo, não evitando, mesmo assim, que a mulher sofresse queimaduras graves nos pés.

O arguido fugiu e foi ter com a namorada, confessando-lhe que tinha feito uma asneira e tirando-lhe 150 euros da carteira e fugindo-lhe com o carro.

No dia seguinte, ligou à mãe, exigindo que lhe depositasse 5.000 euros numa conta bancária e ameaçando matar o pai a tiro.

Estes factos foram negados pelo arguido, que garantiu que não confessou nada à namorada, que esta lhe deu o dinheiro para gasolina e que apenas ligou à mãe para saber se ela se encontrava bem.

Alegou que, quando prestou declarações em primeiro interrogatório judicial, “não sabia o que dizia” nem estava em si, porque estava a “ressacar da medicação”.

Está acusado de homicídio qualificado na forma tentada.

Segundo a acusação, o crime foi o corolário de constantes desavenças do arguido com os pais, por estes não lhe darem dinheiro para alimentar o vício da droga e não lhe emprestarem o carro.

O arguido já tem antecedentes criminais, tendo sido condenado a 14 anos e meio de prisão pela participação, em finais de 2004, num roubo em Póvoa de Lanhoso, que culminou na morte de um homem.

Após cumprir parte da pena de prisão, saiu em liberdade condicional em finais de maio de 2017.

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