Histórico do PCP queixa-se dos ataques de ‘hackers’ (e o Twitter não perdoou)

“É melhor deixar atacar” para “não escalar o conflito”

António Filipe, histórico filiado do Partido Comunista Português (PCP), veio ontem a público, no Twitter, queixar-se do tratamento dado pela sociedade face ao ataque informático que terá ‘alvejado’ o site do partido, comparando com o ataque sofrido, há uns meses, pelo grupo Impresa.

Mas os utilizadores daquele rede social não deixaram passar a posição ‘pacifista’ do partido em relação à invasão russa na Ucrânia, e recorreram da retórica para manifestar opinião.

“Um ataque informático ao Expresso foi ‘um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa’. Um reivindicado ataque ao PCP é o quê? Um serviço à democracia?”, questionou o antigo deputado comunista, natural de Lisboa.

Fonte: Twitter

Recorde-se que as posições do PCP em relação à guerra na Ucrânia têm sido bastante criticadas por todo o restante espectro político nacional (e até internacional), sobretudo depois de o partido ter votado contra a moção que autoriza o presidente ucraniano, Zelensky, a discursar no parlamento via videoconferência.

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, justificou o voto contra desta forma: “A Assembleia da República, enquanto órgão de soberania, não deve ter um papel para contribuir para a escalada da guerra, não deve contribuir para a confrontação, para o conflito e para a corrida ao armamento”.

Entretanto, no Twitter, as reações não tardaram, isto em relação ao ‘post’ de António Filipe, e chegaram tanto durante a noite de ontem, pela madrugada fora, como durante este sábado, com alguns utilizadores a usarem dos mesmos argumentos apresentados pela bancada do partido afeto à ex-União Soviética.

Um desses exemplos vem do utilizado Martim M. Ramos: “Este discurso é uma forma de escalar o conflito. Condenámos a ação do Hacker, mas é importante perceber quais as suas motivações. Aconselhávamos ao António Filipe que retratasse as suas palavras e enveredasse por um caminho de diálogo menos belicoso”.

Fonte: Twitter
Fonte: Twitter
Fonte: Twitter
Fonte: Twitter

Este sábado, cerca de 30 pessoas, incluíndo uma associação de ucranianos em Portugal, juntaram-se em frente à sede do PCP, em Lisboa, criticando a posição do partido em relação à guerra.

Já o ataque a que António Filipe se refere ocorreu esta sexta-feira e afetou vários sites relacionados com o PCP, como é o caso da JCP, das Delegações Regionais e até do jornal Avante.

De acordo com a CNN Portugal, um grupo de hackers enviou um comunicado àquela redação reivindicando a autoria do ataque. Os hackers terão dito que quiseram silenciar “por minutos aqueles que querem silenciar os nossos”. “Apoiar criminosos não é política. Apoiar a matança de inocentes é intolerável”, terá escrito o grupo de ativistas cibernéticos.

“A Ucrânia está a sofrer. O povo ucraniano está a morrer. Na Ucrânia estão a ser praticados crimes de guerra. Um Estado de Direito não tolera o crime e a morte de pessoas inocentes (…) Que o desespero de uma nação massacrada vos pese na consciência. Reflitam, foi apenas um aviso. Não causamos danos. Da próxima vez iremos divulgar alguns dos vossos segredos”, disse o grupo, citado pela CNN Portugal.

 
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