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Braga

Habitação, ambiente e mobilidade dominam debate entre os candidatos de Braga

Eleições autárquicas

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO e DR

A falta de habitação e o arrendamento caro de apartamentos em Braga. O ambiente ou a falta dele, nomeadamente com a poluição dos rios Torto e Este e do ar que respirámos. A mobilidade, o excesso de automóveis, e a não solução do problema do nó de Infias. Foram estes os três principais temas do debate ontem transmitido pela RTP 3 com os candidatos à Câmara de Braga: Ricardo Rio (coligação Juntos por Braga PSD/CDS/PPM e Aliança) , Hugo Pires (PS), Bárbara Barros (CDU), Alexandra Vieira (BE), Rafael Pinto (PAN), Olga Baptista (Iniciativa Liberal), Eugénia Santos (CHEGA) e Teresa Mota (Livre).

A primeira intervenção coube a Ricardo Rio, o qual destacou que o Município apostou, nos últimos anos, em áreas e serviços fundamentais como os da Educação, Cultura, Lazer e Desporto, e lembrou que todos os indicadores apontam para um grande desenvolvimento económico e consequente melhoria da qualidade de vida dos bracarenses.

PS pede voto de confiança

O socialista Hugo Pires começou, logo, por pedir um voto de confiança aos bracarenses, prometendo-lhes “muito trabalho, engenho e dedicação” e uma “Braga para todos”.

Seguiu-se a comunista Bárbara Barros para quem a CDU é uma presença “imprescindível” nos órgãos municipais e lembrou propostas feitas na vereação, e aprovadas pelo Executivo, como a da descida do IMI para uma taxa de três por cento, “um alívio fiscal”.

A bloquista Alexandra Vieira citou a peça jornalística que antecedeu o debate, na qual se vincava que Braga foi o município que mais cresceu no país, de acordo com o último Census, para dizer que esse crescimento não foi acompanhado com o dos serviços públicos municipais, nas áreas da habitação, transportes públicos, mobilidade e zonas 30.

Livre: pressupostos ecológicos e CHEGA tira ‘coelho da cartola’

Teresa Mota do Livre disse que a sua proposta tem “pressupostos ecológicos” para políticas e medidas de aumento do bem-estar dos cidadãos, em áreas como as da habitação e da mobilidade, e para que Braga se assuma “como uma comunidade”

Eugénia Santos do CHEGA classificou o último mandato de Rio como uma “desilusão” e tirou “um coelho da cartola política”, dizendo que a Câmara extinguiu a SGEB – a parceria público-privada dos relvados desportivos criada em 2009 ao tempo da gestão socialista – poupando 50 milhões de euros, mas permitiu que um dos sócios privados da empresa, Arlindo Correia, passasse as quotas para outra firma. Eugénia Santos enganou-se porque a SGEB ainda não foi extinta, dado que o pedido de extinção ainda está no Tribunal de Contas.

Pouco depois, Ricardo Rio desvalorizou, explicando que “em qualquer sociedade de direito privado os seus membros podem transferir ou vender as suas participações, e frisando que tal em nada prejudica a Câmara”. Rio apelidou, ainda, a operação da SGEB como “ruinosa” e mesmo “pornográfica” e pediu ao CHEGA que, se acha que há ilegalidade, faça queixa ao Ministério Público. Ao que Eugénia Santos respondeu, mais tarde, que ainda não o fez, mas irá fazer.

PAN: poluição e animais

Rafael Pinto do PAN disse que o concelho precisa de promover valores ambientais e lembrou a poluição dos rios Torto e Este, e a poluição do ar, dizendo que “junto das rodovias, as pessoas não podem abrir as janelas”. Criticou, ainda, a ausência de uma política de defesa dos animais.

IL: PS e PSD há 46 anos

Olga Baptista encerrou a primeira ronda lembrando que o PS esteve 37 anos na Câmara e a Coligação, nos últimos oito, 46 ao todo. Ligou Hugo Pires ao último mandato de Mesquita Machado e disse que o primeiro mandato de Rio foi “excelente”, mas no segundo “desmereceu”, acusando-o de voltar a apresentar as propostas de 2009.

Habitação

A segunda parte do debate abordou, essencialmente, os temas da Habitação e Mobilidade.

Hugo Pires disse que o aluguer de um T2 chega a custar 800 euros na cidade, e criticou o facto de o PDM (Plano Diretor Municipal) ter retirado a capacidade construtiva de terrenos em zonas rurais ou periféricas.

Disse que lançará um programa de construção de três mil casas a preços acessíveis, a construir com apoio governamental.

Criticou, ainda, a falta de solução do estrangulamento do Nó de Infias e necessidade de prolongamento até Ferreiros da Variante do Cávado, obras que prometeu fazer, até porque tem boas relações com o Governo.

Rio respondeu sublinhando que o problema do preço das casas se deve a uma “dor de crescimento”, pelo facto de a população ter vindo a crescer, graças à política municipal de captação de pessoas e empresas. Disse que, embora tenha subido, o custo ainda é menor em Braga do que noutras cidades, e lembrou que a Câmara tem aplicado programas de apoio ao arrendamento (subindo de 250 mil euros em 2013 para um milhão em 2021) e tem, também, apoiado a recuperação de edifícios urbanos, estando quase todos já requalificados.

Quanto aos terrenos que deixaram de ter capacidade construtiva, explicou que o PDM de 2015 foi, quase integralmente elaborado pela gestão do PS, e nele já constava essa desvalorização. Apelou a que os partidos com assento parlamentar se unam no sentido de obrigar o Governo a mudar a lei, nesta vertente.

Sobre Infias e sobre a Variante disse que os projetos estão lançados, lembrou o enorme investimento feito nos TUB, com aumento da oferta e a proposta já aprovada pelo Governo de um sistema BRT (Autocarro de Transporte Rápido), um investimento de cem milhões a financiar pelo PRR, que “irá revolucionar o transporte na cidade”.

TUB

Bárbara Barros defendeu um maior investimento nos TUB, apelou a que se desincentive o uso do automóvel, e que se acabe com o atravessamento de carros na cidade, e prometeu continuar a lutar contra o “desrespeito” para com os trabalhadores municipais.

Olga Baptista defendeu que o processo urbanístico é “moroso” na Câmara e defendeu políticas de descomplicação”, associadas a uma baixa de taxas e impostos.

Rafael Pinto disse que em Braga não há planeamento, como se prova com as prometidas ciclovias e defendeu que as políticas habitacionais não podem estar dependentes do mercado

BE: BRT é propaganda

Alexandra Vieira do BE disse que o a subida das rendas duplicou o que se deve ao predomínio do mercado livre, disse que o projetado BRT não resolve o problema do transporte urbano e é “propaganda”.

Eugénia Santos voltou a criticar a Câmara, lembrando que houve “derrapagens” nas obras do mercado e do Fórum de exposições, criticou a construção de um hiper e uma loja de fast-food junto ao nó de Infias e a zona 30 no bairro das Fontainhas que dificulta a entrada dos moradores.

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