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Guimarães

Nasceu uma nova estrela Michelin, em Guimarães. Foi há um ano. O que mudou de lá para cá?

Restaurante “A Cozinha”, do chef António Loureiro

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Foto: Divulgação / Arquivo

Mais postos de trabalho, equipas mais coesas, maior confiança para inovar e aumento da procura são algumas das mudanças relatadas pelos ‘chefs’ dos três restaurantes portugueses que há um ano receberam a primeira estrela do Guia Michelin. Um deles foi “A Cozinha”, em Guimarães.

Foto: DR (2018)

Um ano depois, o ‘chef’ António Loureiro considera que aumentou a pressão, até pela consciência de que há visitantes que só se deslocam à cidade por causa do restaurante.

“Passámos a sentir que realmente as pessoas lá fora têm uma expectativa muito grande em relação ao que é o restaurante e ao que é isto das estrelas Michelin”, admitiu.

De resto, garantiu, não houve grandes alterações na sua cozinha: “Não mudámos muita coisa. Tínhamos consciência do trabalho que tínhamos a fazer, ganhámos uma estrela porque estávamos a fazer bem”.

A Cozinha por António Loureiro, uma nova estrela Michelin que nasceu em Guimarães

“A Cozinha” oferece uma gastronomia tipicamente portuguesa, “não só no produto, como no receituário e na própria tradição”.

“Temos sempre em todos os pratos muita ligação à terra, àquilo que é a nossa cultura gastronómica”, descreveu, explicando que há uma preocupação em “equilibrar” alguns dos “pecados” da cozinha portuguesa e torná-la “mais atrativa e mais moderna, mas também mais moderada”.

“A nossa cozinha tem muita gordura, muito sal, muito açúcar, muitos hidratos, muita proteína. Aquilo que as pessoas procuram, mais do que se alimentarem em quantidade, é alimentarem-se em qualidade e ter uma experiência diferente”, defendeu.

Os clientes duplicaram e a novidade é que agora há “muitos, muitos mais portugueses”.

Foi o mercado interno que, inicialmente, mais aumentou no restaurante “A Cozinha”, em Guimarães, afirmou à Lusa António Loureiro.

“A Michelin é uma marca muito forte, que chega a todos os cantos do mundo e há pessoas que vêm diretamente da Dinamarca, Suécia, Bruxelas ou Taiwan”, exemplificou o ‘chef’, há pouco mais de três anos à frente do projeto.

No “G Pousada”, projeto que os irmãos Óscar e António Gonçalves abraçaram em 2014 na Pousada de São Bartolomeu, em Bragança, e que foi outro dos distinguidos, as brigadas da cozinha e da sala duplicaram no último ano para responder à procura.

Os telefones da pousada não pararam na noite de 21 de novembro do ano passado, quando o G Pousada recebeu a primeira estrela do Guia Michelin Espanha e Portugal, relataram à Lusa, afirmando que passaram a receber clientes de todo o mundo.

A quem os visita fazem questão de mostrar produtos regionais, como o cuscuz de Vinhais, dos azeites aos vinhos ou às facas, cujos cabos são feitos das hastes de veado que caem todos os anos.

“Temos sempre elementos sazonais da nossa região. Não faria sentido de outra forma porque quem vem a Trás-os-Montes quer provar Trás-os-Montes”, comentou Óscar Gonçalves.

O ‘chef’ compara o sentimento de receber a distinção do ‘guia vermelho’ com a de ser pai: “Uma sensação de alegria e ao mesmo tempo de impotência. Quando nasce um filho pensamos, ‘será que nós vamos conseguir ser bons pais e criá-lo’? E aqui foi a mesma coisa, ‘será que eu vou conseguir manter’?”.

Uma sensação que rapidamente ultrapassou: “Continuámos e mudámos cartas e estamos a avançar e a aprender todos os dias (…). Conseguimos, agora temos que manter e lutar para mais”, descreveu.

Óscar Gonçalves não esconde que um dos principais motivos de satisfação é o de ter conquistado a estrela para Bragança, pela primeira vez.

“Neste cantinho do país, tão perto da Europa e tão longe de Lisboa, conseguimos mostrar que somos capazes e que temos produtos de qualidade”, afirmou.

Outro ‘chef’ que se orgulha de um feito inédito é Pedro Almeida, que alcançou a primeira estrela em Portugal para um restaurante asiático, o “Midori”, em Sintra.

“É um marco na história. Já ninguém nos tira”, disse.

No “Midori”, o restaurante japonês mais antigo em Portugal, Pedro Almeida aprofundou o conceito dos menus de degustação de cozinha japonesa, para o qual percebia que havia um público cada vez mais interessado.

“Nós não queremos fazer aqui um misto de cozinha japonesa com cozinha portuguesa. Nós queremos fazer cozinha japonesa, mas onde nós contamos as histórias da nossa infância, explicamos os nossos produtos, aquilo que nós fazemos cá em Portugal e, portanto, tem aqui muito de nós, de Portugal, neste menu”, explicou à Lusa.

Sobre as principais mudanças que notou no último ano, Pedro Almeida disse que “a equipa ficou mais forte”, por terem conseguido “alcançar todos juntos um objetivo”, e ganhou “mais confiança para fazer menus novos, para criar pratos novos e (…) ainda mais arrojados e interessantes”.

Mas Pedro Almeida garante que não sentiu mais pressão: “Nós tínhamos a mesma pressão antes de ganhar uma estrela que temos hoje em dia. (…) Para nós, [os clientes] são todos inspetores [do guia]”.

Sobre a edição ibérica do Guia Michelin de 2020, que será conhecida esta quarta-feira, nenhum ‘chef’ arrisca grandes prognósticos.

Todos esperam manter a distinção no próximo ano e afastam a possibilidade de receber a segunda estrela para já. Por enquanto, dizem, há que consolidar o trabalho.

Óscar Gonçalves resume bem o sentimento da classe: “Só peço que o Guia seja generoso para Portugal, porque quantos mais formos mais peso temos, mais capacidade temos e o roteiro maior se torna neste pequeno canto na Europa”.

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Guimarães

Antigos dirigentes do Vitória absolvidos pelo tribunal

Do crime de abuso de confiança fiscal

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Foto: DR

Emílio Macedo da Silva e Luciano Baltar, ex-dirigentes do Vitória SC, foram esta sexta-feira absolvidos do crime de abuso de confiança fiscal de que eram acusados. Estes dois elementos tinham sido já, no passado, condenados por falta de pagamento pelo clube de verbas referentes a IVA e IRS entre 2010 e 2012.

O Tribunal Constitucional entendeu que a norma pela qual os arguidos tinham sido condenados era inconstitucional, remetendo o processo para o tribunal Judicial para que este se proferisse novamente. A nova decisão absolve ambos.

Os visados mostram-se satisfeitos com a decisão embora lamentem que os prejuizos causados pelo mediatismo da investigação, tanto aos ex-dirigentes como ao Vitória estejam longe de estar reparados.

“O nosso nome apareceu na praça pública como criminoso e agora o tribunal chega, e bem, à conclusão que não houve qualquer crime. Perante as dificuldades económicas, o Vitória viu-se na contingência de suspender pagamentos, nomeadamente a jogadores e a fornecedores, mas com o Estado fizemos um acordo que ainda está em vigor e que o clube tem cumprido”, revelou Luciano Baltazar ao Grupo Santiago.

 

 

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Guimarães

Cinco dos sete detidos em Guimarães por tráfico de droga ficam em prisão preventiva

Apanhados com “grandes lotes de droga”

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Foto: O MINHO (Arquivo)

Cinco dos sete homens detidos na passada terça-feira, após mega operação policial contra o tráfico de droga, ficaram sujeitos à medida de prisão preventiva, anunciou esta sexta-feira a GNR.

Os outros dois elementos ficam sujeitos a apresentações diárias no posto policial da área de residência, bem como a proibição de contacto entre si.

Recorde-se que a GNR deteve nesta operação, em Guimarães, sete homens suspeitos de tráfico de estupefacientes e apreendeu mais de 1.400 doses de haxixe, canábis e cocaína.

A investigação decorria há cerca de seis meses, tendo os militares apurado que os suspeitos “compravam grandes lotes de droga, acondicionavam-na em pequenas doses e vendiam-na posteriormente aos consumidores”.

Para esta ação foram cumpridos sete mandados de detenção e a onze mandados de busca domiciliária, que culminaram com a detenção dos suspeitos.

Na operação, foram apreendidas 600 doses de haxixe, 331 doses de canábis e 487 doses de cocaína, além de um veículo, três pistolas, 34 munições, 17 telemóveis e 72 mil euros.

Os suspeitos têm idades entre os 22 e os 36 anos.

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Guimarães

Guimarães com mais escolas no país distinguidas pela reutilização de manuais escolares

Através da plataforma MEGA

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Foto: Arquivo

Decorreu, esta quinta-feira, 12 de dezembro, na escola Francisco de Holanda, em Guimarães, com a presença da secretária de estado da Educação, Susana Amador, a sessão de entrega de prémios às 20 escolas públicas que mais manuais escolares reutilizaram, anunciou a autarquia.

Integrado na campanha Escola Mega Fixe, este prémio foi criado pelo Governo no sentido de “promover a sustentabilidade económica e sustentabilidade ambiental”, salientou a secretária de Estado, confiante no sucesso desta estratégia.

Guimarães é o concelho com mais escolas distinguidas nesta campanha, com uma taxa de reutilização superior a 77 por cento, tendo sido premiados o Agrupamento de Escolas Virgínia Moura (78,71 por cento), Agrupamento de Escolas das Taipas (78,34 por cento) e Agrupamento de Escolas de Abação (77,7 por cento).

Além do prémio em dinheiro, no valor de dez mil euros, às 20 escolas que mais manuais escolares reutilizaram, foi ainda entregue um selo para distinguir cem escolas que apesar de não chegarem às taxas destas 20 escolas revelaram taxas de reutilização acima dos 60 por cento.

O ranking definido pelo ministério da Educação resulta do cálculo feito a partir do número de manuais que cada escola regista no portal dos manuais, através da plataforma MEGA, onde são feitas as “encomendas”.

A vereadora da Educação da Câmara de Guimarães, Adelina Pinto, mostrou-se “satisfeita” pelo exemplo das escolas vimaranenses na forte adesão à campanha de reutilização de manuais escolares.

“Os resultados apresentados pelas nossas escolas correspondem a uma orientação que tem sido prioritária em Guimarães, assente na área da sustentabilidade ambiental.

Temos exemplos vários com a atribuição do Galardão Eco Escolas e a participação no PEGADAS, um “Programa de Educação e Sensibilização Ambiental para Guimarães” que assenta na estratégia para o concelho ao nível do desenvolvimento sustentável e promoção de políticas para o ambiente, ecológicas e inclusivas”, referiu Adelina Pinto.

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