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Região

Há mais 13 mil desempregados no Norte que no mesmo mês de 2019

Números apresentados pelo IEFP

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Foto: Arquivo / Redes sociais

Quando comparamos o desemprego em 2021 com o registado em igual mês de 2020, à exceção dos primeiros meses, registamos uma descida dos valores. Importa, contudo, fazer a comparação com os meses homólogos de 2019, o último ano antes da pandemia. Neste caso, os números não são tão animadores, apesar da Região Norte e do Minho apresentarem um cenário mais composto que o todo nacional.

Entre os concelhos que, em abril de 2021, já exibiam um desemprego mais baixo que no mês homólogo do ano anterior estão Guimarães (-333), Famalicão (-290), Barcelos (-315) e Viana do Castelo (-129). Na verdade, só Braga não iniciou a trajetória de descida do desemprego logo no mês quatro.

Viana do Castelo registou as maiores diferenças entre o volume de desempregados na comparação entre 2020 e 2021. Em temos comparativos, em janeiro deste ano, havia mais 53,1% de desempregados no concelho de Viana do Castelo que no primeiro mês do ano anterior. No mês seguinte, em fevereiro, esta comparação remetia para um quadro ainda mais negro, com mais 62,6% desempregados.

Apesar destes números, Viana do Castelo iniciou a viragem em abril, de forma ténue (-129), com uma redução de 4,7% face a abril de 2020, mas, a partir daí, todos os meses os números apresentados pelo IEFP apontam para um desemprego mais de 20% abaixo dos mesmos meses de 2020. Em agosto havia 1 916 desempregados inscritos no Centro de Emprego de Viana do Castelo, ou seja, menos 558 que no mesmo mês de 2020, uma variação de -22,5%.

Em Braga, os dois meses de 2021 em que o desemprego teve uma variação mais forte para cima, foram fevereiro (1.777) e março (1.432). No segundo mês deste ano, o desemprego no concelho de Braga, comparativamente com o mês homólogo de 2020, estava quase 30% acima.

O mês de agosto de 2021 fechou, em Braga, com menos 1.350 desempregado que o mesmo mês do ano anterior, quer dizer -17,4%.

Guimarães iniciou o ano com mais 16,5% de desempregados inscritos que no primeiro mês do ano transato, esta percentagem subiu ainda, em fevereiro, para 17,1%, mas, a partir de março, apesar de continuar a haver mais desempregados nas listagens do IEFP, já só estavam 7,9% acima da contagem do ano anterior.

O número de desempregados em Guimarães, em agosto de 2021, cifrou-se nos 6 146, menos 1 032 que no mesmo mês de 2020, uma variação de -14,3%.

Em Famalicão, nos dois primeiros meses de 2021, o desemprego, quando comparado com os meses homólogos do ano anterior, esteve, em ambos os casos, mais de 38% mais alto. No seu ponto máximo, em fevereiro, o IEFP de Famalicão registou 4.870 inscritos, mais 1.360 que no ano anterior.

No mês de agosto deste ano, em Famalicão, havia 4.181 desempregados registados, menos 761 que em igual mês de 2020.

Barcelos começou o ano com mais 476 pessoas inscritas no IEFP que em janeiro do ano anterior. Esse número foi baixando e, a partir de abril, passou haver menos desempregados que no mês homólogo. 

O mês de agosto fechou com 2.483 desempregados inscritos no IEFP de Barcelos, menos 630 que em agosto de 2020.

A Região Norte começou 2021 com mais 32.097 desempregados do que em janeiro de 2020, uma variação de 25,5%. Este valor ainda subiria para os 35 605, em fevereiro (mais 28,6% do que em fevereiro de 2020), antes de começar a descer.

Em agosto de 2021, havia menos 16 835 desempregados inscritos nos Centros de Emprego do Norte, menos 10,6% que no mês oito de 2020.

O comportamento do número de desempregados no total nacional acompanhou a mesma tendência. Em janeiro de 2021, havia 99.047 inscritos nos Centros de Emprego do país, mais 33,2% que janeiro de 2020. Este número subiu, em fevereiro, para 111 440, ou seja, mais 38% que no mesmo mês de 2020. A partir de março os números começaram a descer.

O mês de agosto terminou com 344.541 inscritos nos Centros de Emprego nacionais, menos 38 941 que em agosto de 2020.

O histórico da pandemia para perceber os números

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Sabia-se que era um novo tipo de coronavírus que não tinha sido identificado antes, em seres humanos. Uma semana depois, a 07 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram a identificação do novo tipo de coronavírus. 

A 11 de março de 2020, a covid-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia. O termo “pandemia” refere-se à distribuição geográfica de uma doença e não à sua gravidade, neste caso a doença propagou-se por todo o planeta. A 12 de março, foi anunciado o encerramento de discotecas, redução da lotação na restauração e limitação de pessoas em centros comerciais e, no dia seguinte a Conferência Episcopal Portuguesa suspendeu as missas e catequeses e outros atos relacionados com o culto.

A 18 de março, foi anunciada a primeira morte no país, um homem de 80 anos que tinha várias patologias associadas.  No mesmo dia em que morreu o primeiro português com a nova doença, o Presidente da República decretou o estado de emergência por 15 dias, que contemplava o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública.

A cronologia da pandemia continua até chegarmos ao dia de hoje, em que o vice-almirante encarregado da vacinação declarou “missão cumprida”. É esta cronologia inicial que explica que a comparação dos números do desemprego – que até estava a baixar em 2019 – entre 2021 e 2020, nos dois primeiros meses as diferenças sejam tão grandes. Naquela altura ainda não estávamos nesta nova realidade.

Apesar da descida, relativamente a 2020, há mais desempregados que em 2019 

Importa, portanto, comparar os números com o último ano antes da pandemia. Nesse caso, quando comparamos o mês de agosto (o último de que há números do IEFP) com o mês homólogo de 2019, verificamos que há mais desempregados agora.

Só Região Norte a diferença entre o oitavo mês deste ano e agosto de 2019 cifra-se em mais 13.897 inscritos nos Centros de Emprego, o que significa uma variação de mais 10,9%.

Entre os grandes concelhos do Minho, aquele em que a diferença percentual, entre o número de desempregados em agosto de 2020 e agosto de 2019, foi maior, foi Famalicão. Neste concelho, o desemprego no último mês de agosto foi 21,7% mais alto que em igual mês de 2019. Em termos absolutos, em agosto, havia mais 746 pessoas inscritas no IEFP de Famalicão que em 2019.

Seguem-se Barcelos (+10,2%), Guimarães (+9,3%) e Viana do Castelo (+3,1%). Braga é o concelho minhoto em que a variação do desemprego, entre agosto de 2019 e agosto de 2021, é menor, mais 1,3%. Em termos absolutos, significa que há mais 84 desempregados registados, em agosto de 2021, relativamente ao mês homólogo de 2019.

No total de Portugal continental, havia mais 62 176 desempregados registados nos Centros de Emprego, em agosto de 2021, que no mesmo mês de 2019, uma variação de mais 22%. Já a Região Norte, conta mais 13 897 desempregados, em agosto deste ano, que no mesmo mês de 2019, uma variação de mais 10.9%.

Conclui-se que o Norte em geral e os maiores concelhos do Minho em particular estão a ter um melhor comportamento relativamente à variável desemprego que a generalidade do país.

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