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Há 500 anos, Fernão Magalhães dava mais mundo ao mundo

Efeméride

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Placa em Sabrosa. Foto: Divulgação

No dia 21 de outubro assinalou-se os 500 anos da descoberta do Estreito de Magalhães, feito realizado no âmbito daquela que seria a primeira viagem de Circum-Navegação, uma expedição planeada e comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães e concluída pelo espanhol Juan Sebastián Elcano.

Para assinalar a data em Portugal, foram organizadas pela Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação (EMCFM) comandada pelo navegador natural do Norte de Portugal, em parceria com diversas entidades locais e nacionais, uma série de iniciativas que pretenderam aludir, como marco da expedição, à sua importância no domínio simbólico, histórico-cultural e científico.

Celebrações

Com especial enfoque no dia 21 de outubro, as diferentes iniciativas decorreram entre os dias 20 e 24 de outubro, de norte a sul do país, nas cidades de Lisboa, Leiria, Lagos, Sabrosa, S. Martinho de Anta e Vila Nova de Gaia.

No dia 20, através de uma emissão ao vivo a partir do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, decorreu uma ação multimédia dedicada ao público Infantojuvenil que incluiu, entre outros, atelieres pedagógicos e a apresentação de publicações, jogos didáticos e webisódios relacionados com a viagem comandada por Magalhães.

Praça Chile, em Lisboa. Foto: Divulgação

No dia oficial da celebração, 21 de outubro, na parte da manhã, o Ministério dos Negócios Estrangeiros organizou, por videoconferência, a partir do Palácio das Necessidades, a 3ª reunião da Comissão Nacional das Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação. Ao início da tarde, decorreu ainda uma cerimónia pública limitada, promovida pela Câmara Municipal de Lisboa com a Sociedade Historia da Independência de Portugal, de colocação de uma placa comemorativa da celebração dos 500 anos da Circum-Navegação junto à estátua de Fernão de Magalhães colocada na praça do Chile, em Lisboa.

Na parte da tarde do dia 21 de outubro, no Auditório Mariano Gago do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, com transmissão ao vivo, via internet, a data foi assinalada através de diferentes dimensões em torno da descoberta do Estreito, associando a Rede de Cidades Magalhânicas, a Global Exploration Summit com a curadoria do The Explorers Club’s e a apresentação dos projetos vencedores do Prémio de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico promovido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito das Comemorações do V Centenário da Viagem de Circum-Navegação.

No âmbito ainda das iniciativas ocorridas a 21 de outubro, assinalou-se também a apresentação do “Céu de Magalhães”, decorrida no Planetário de Lisboa, e o concerto da Big Band da Armada realizado na cidade de Leiria.

Concerto em Leiria. Foto: Divulgação

No dia 22 de outubro, a celebração da descoberta do Estreito prosseguiu na zona sul do país, no Centro Cultural de Lagos, com uma ação promovida pelo Centro Ciência Viva daquela cidade, a apresentação das edições especiais filatélicas (CTT – Correios de Portugal) e numismáticas (Imprensa Nacional Casa da Moeda) comemorativas do V centenário da Circum-Navegação de Magalhães/Elcano, e uma conferência sobre Fernão de Magalhães e a expedição por ele liderada.

A zona norte do país encerrou a semana dedicada à celebração dos 500 anos da descoberta do Estreito, com a inauguração oficial da exposição permanente “Os Locais e Culturas da Viagem de Fernão de Magalhães” em Sabrosa e com passagem pelo Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, para a apresentação do livro “Marinheiros da Esperança”, uma publicação ilustrada desenvolvida por crianças e jovens internados nas alas pediátricas de hospitais de Portugal, Espanha, Itália, Argentina e Brasil.

O convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, acolheu a última iniciativa desta semana com uma palestra sobre “Fernão de Magalhães e o seu legado” e um concerto de Luisa Amaro com o tema “Mar Magalhães”.

Viaje na história em www.magalhaes500.pt.

Descoberta do estreito

Situado no Chile, na região que tem como nome Magallanes, a descoberta do estreito, e comprovação da ligação entre o oceano Atlântico e o oceano que Fernão de Magalhães batizaria de Pacifico, permitiu acrescentar aproximadamente 50% ao mundo até então conhecido, confirmou a condição esférica do nosso planeta e ofereceu à humanidade um até então desconhecido “Planeta Oceano”.

A importância da descoberta do Estreito assentaria na nova realidade de como se passou a pensar o mundo nos seus diferentes domínios, nomeadamente, o comercial, o cultural e, sobretudo, o geopolítico. Nascia com esta descoberta o conceito de rota global que rege a navegação contemporânea.

Ação com Ciência Viva, em Lagos. Foto: Divulgação

Esta nova realidade traria a renovação do imaginário coletivo existente à altura, imposto desde a antiguidade e a idade média, sobre a finitude do planeta, a sua conceção de habitabilidade e a sua dimensão global.

O estreito tem aproximadamente 570 Km (310 milhas náuticas) de comprimento e 2 Km (1,1 milhas náuticas) de largura no seu ponto mais estreito. O seu principal porto situa-se em Punta Arenas, capital da província chilena de Magalhães e Antártida.

É considerado um dos percursos mais difíceis de navegar do mundo devido à estreiteza da passagem natural e às imprevisíveis correntes de maré e ventos que experimentam ao longo do percurso. Esta sinuosidade e a sua forma labiríntica explicam, em parte, os 38 dias que Fernão de Magalhães necessitou para completar a travessia.

Exposição em Sabrosa. Foto: Divulgação

Todavia, apesar da dificuldade em navegar pelo estreito, este oferece uma via navegável interior mais protegida, sendo uma rota preferida usada pelos navios em detrimento da famosa Passagem de Drake, que separa o Cabo Horn das Ilhas Shetland do Sul da Antártica.

Antes da abertura do Canal do Panamá, em 1914, o Estreito de Magalhães era a mais importante rota para os navios que navegavam entre os oceanos. Todavia, atualmente estima-se que cerca de 1.500 navios ainda passem pelo Estreito todos os anos o que concorre para a sua relevância marítima e contributo para a economia regional.

Com uma paisagem que convoca à exploração de uma natureza singular, ladeada por montanhas e glaciares, e servindo como porta de entrada à Antártida e ao Pacifico, o estreito e a sua a travessia, são ainda um dos principais destinos turísticos da atualidade.

Também na realidade atual, no âmbito das emergentes preocupações ambientais, ainda é visível o legado deixado por esta descoberta de Magalhães. 

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