A empresa Retificadora de Guimarães vai acionar meios legais para que uma oficina de Esposende retire um vídeo das redes sociais onde é exposta uma situação anómala com um motor.
Miguel Matos, gerente da empresa de Guimarães, diz ter pedido ao proprietário da oficina “que removesse o video das redes sociais, sem sucesso, pelo que foram acionados os meios legais adequados de modo a assegurar a verdade e a reputação da nossa empresa”.
No vídeo em questão, Ivan Vale, proprietário da Garagem do Pistolas, com sede em Fonte Boa, Esposende, acusa a Retificadora de Guimarães de negligência na montagem de um motor, nomeadamente por causa de folgas que terão causado um prejuízo de cerca de “4 ou 5 mil euros”.
Ivan refere que a sua oficina mandou “montar o motor na RG” e que o “bloco do motor veio pronto de lá, por termos uma garantia, um serviço bem-feito”, mas notou que, ao testar, houve uma perda de pressão de óleo, sem explicação.
Após analisarem o motor e desmontarem parte do mesmo, perceberam que algumas das folgas dadas estavam erradas.
“Tentamos falar com eles, porque isto ficou mal feito, porque uma empresa que faz motores e retificações ao nível que eles apresentam, acho que entenderiam facilmente que o problema foi gerado por eles. Nós temos uma casa aberta como eles também têm e por isso acho que temos de nos responsabilizar pelos nossos trabalhos. Mas a primeira resposta deles, sem sequer verem o motor, foi de que saiu tudo direitinho de lá”, acusa Ivan Vale.
O dono da Garagem do Pistolas, que se dedica à “personalização de automóveis, racing & Performance Parts, reprogramações e Soluções Fap, Egr e Flaps, banco Potencia – Real Power Dyno e venda de automóveis”, diz que enviaram o motor para análise na RG, mas o problema manteve-se.
“Fui lá falar com eles, tentar chamar à razão, ignoraram, e por isso é que estamos agora a alertar porque certamente muita gente já teve este problema. Estamos a falar de uma cambota de 2000 e tal euros, uma bomba de óleo de 300 ou 400 euros, temos aqui uma brincadeira de 4 ou 5 mil euros por causa de uma falha deles”, acusa.
“Foi o cliente que montou o motor”
Em resposta, a Retificadora de Guimarães também publicou um vídeo nas redes sociais para “esclarecer os fatos”.
Miguel Matos diz que o “serviço contratado foi substituição de camisas de performance usadas de um bloco [de motor] que o mesmo trouxe, para um outro original (…), sendo que a montagem foi toda executada pelo cliente a pedido do próprio”.
Além disso, o responsável da RG diz que o serviço de “competição não carece de garantia devido ao uso extremo a que os mesmos estão sujeitos”, apontando para a utilização do motor para efeitos desportivos.
“No dia 01 de setembro o cliente dirigiu-se aqui e foi notório que não quis perceber qual o real motivo do problema. Apenas queria que a RG assumisse todos os custos independentemente de quem tivesse culpa”, prosseguiu Miguel Matos.
O empresário diz que, entre a bomba de óleo e o bloco do motor, foi utilizada uma “exagerada quantidade de silicone”, o que representa “uma má-prática” no processo de montagem de um motor, “responsabilidade do cliente”.
Questiona ainda se foram utilizadas ferramentas adequadas, se os componentes foram bem lavados e se o motor foi sangrado antes de ser colocado em marcha. Considera também estranho o cliente falar em cambota presa e ter prosseguido com a montagem.
O responsável pela empresa de Guimarães questiona ainda se “foi seguido algum procedimento instaurado para montagem de motores que garante que o mesmo tenha sido bem executado”.
Pelas 18:00 horas desta quinta-feira, ambos os vídeos continuam nas respetivas páginas das redes sociais de cada uma das empresas.