Seguir o O MINHO

Famalicão

Greve na Resinorte, em Famalicão, decorre sob vigilância da GNR

em

Decorre, esta sexta-feira, o terceiro dia de greve que visa a recolha seletiva de lixo em concelhos do Norte, com piquete estabelecido nas instalações da empresa em Riba d’Ave, Vila Nova de Famalicão.

A ação é promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e está a ser acompanhada de perto por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), que preservam quaisquer eventualidades para os trabalhadores que foram obrigados a cumprir os serviços mínimos.

Ludo Sousa, coordenadora de Viana do Castelo do STAL, denunciou a vigilância da GNR, mostrando-se incomodada com a presença dos militares.

Foto: Ludo Sousa

No entanto, fonte da empresa já esclareceu que se trata de uma medida de precaução de forma a evitar eventuais tumultos por entre o piquete de grevistas e os colegas que estão a trabalhar ao longo destes três dias de greve (iniciou na quarta-feira).

Joaquim Sousa, do STAL falou em “balanço muito positivo nas primeiras horas de greve”, frisando que “a maioria dos trabalhadores estão a aderir” a uma “greve histórica na Resinorte”.

“Registamos uma forte adesão. Quase 100%. Apenas há recolha graças aos serviços mínimos que foram decretados, abusivamente, pelo tribunal. O objetivo é convencer a administração da Resinorte a sentar-se à mesa de negociações. Esta é a primeira greve da história da empresa”, referiu o dirigente sindical.

Foto: Ludo Sousa

“Os salários são muito baixos e mesmo quando a empresa dá migalhas, não as distribui por todos. Há discriminação. Só queremos sentar-nos à mesa e negociar”, disse a mesma fonte.

Já nota do STAL enviada à Lusa soma, como reivindicações dos trabalhadores, “a melhoria dos salários e de outras prestações pecuniárias, nomeadamente, do subsídio de refeição, transporte, e a recuperação do poder de compra perdido”, bem como “o respeito pela contratação coletiva e respostas sérias às propostas sindicais de negociação de um acordo coletivo de trabalho, que normalize e constitua um instrumento de efetiva melhoria das condições de trabalho”.

A valorização dos trabalhadores e das suas carreiras profissionais, bem como um seguro de saúde para todos, e o seu alargamento ao agregado familiar, são outras das exigências dos trabalhadores.

Foto: Ludo Sousa

De acordo com Joaquim Sousa, “de um universo de cerca de 150 trabalhadores, apenas seis estão a trabalhar”.

Na segunda-feira, o STAL anunciou que iria lutar “por todos os meios”, incluindo os judiciais, contra os serviços mínimos fixados pelo Tribunal Arbitral para a greve na Resinorte.

Em comunicado, o STAL referiu que, com a decisão tomada, o Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social “arrasa o direito à greve”.

Em causa o facto de terem sido decretados como serviços mínimos oito equipas de dois trabalhadores para fazer a recolha dos ecopontos nos concelhos de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso, Fafe, Vila Real, Amarante, Marco de Canaveses e Chaves.

Segundo o STAL, o tribunal invoca questões de perigo para a salubridade pública, para o ambiente e para a segurança, “que nunca fundamenta ou concretiza”.

A agência Lusa tentou obter esclarecimentos junto da administração da Resinorte, mas sem sucesso até ao momento.

Esta greve teve início às 00:00 de hoje e prolonga-se até sexta-feira, acontecendo na Resinorte e na Resiestrela, empresas de recolha seletiva e tratamento de resíduos do Norte e Centro interior, ambas do grupo EGF.

As paralisações abrangem 35 municípios da região Norte (Resinorte) e 14 concelhos dos distritos da Guarda e de Castelo Branco.

Populares