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Alto Minho

GNR deteve quatro festivaleiros por tráfico de droga em Paredes de Coura

Combate ao tráfico

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Foto: DR

Quatro pessoas foram detidas pela GNR de Arcos de Valdevez durante o festival Paredes de Coura, por suspeitas de tráfico de droga, anunciou o comando territorial de Viana do Castelo. Para além dos detidos por esta prática, foram ainda identificados e constituídos arguidos três pessoas por suspeitas de crime de furto.

Em comunicado, a GNR informa que entre os dias 14 e 17 de agosto foi efetuado o policiamento do recinto e zonas adjacentes ao festival Paredes de Coura, com o objetivo de “garantir a segurança, o bem-estar e a tranquilidade dos festivaleiros e demais cidadãos daquela localidade”.

“As ações de policiamento possibilitaram maior fluidez nos acessos, facilitando a entrada e saída do recinto do festival, apoio fundamental à população deste concelho, que aumenta durante o festival. Este ano, este festival contou com uma média diária de 26 mil espectadores, dos quais, grande parte, permaneceu acampado ao longo do evento”, escreve a GNR.

Aquela polícia efetuou ainda diversas ações, quer no âmbito da prevenção e combate ao tráfico e consumo de estupefacientes, quer no âmbito da deteção de armas proibidas e da fiscalização rodoviária.

Para além dos quatro detidos por tráfico, foi ainda detido um indivíduo por condução sobre efeito de álcool. Foram apreendidas 449 doses de liamba, 146 doses de haxixe, elaborados 35 autos de contraordenação, 23 por consumo de estupefacientes e 12 por infrações rodoviárias.

No policiamento do festival foram ainda empenhados militares do Destacamento Territorial e do Destacamento de Intervenção de Viana do Castelo e da Unidade de Intervenção.

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Alto Minho

Proximidade e língua levam crianças galegas a creches de Cerveira

Ano letivo

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Foto: DR/Arquivo

A proximidade e a aprendizagem da língua portuguesa estão entre as razões apontadas pelas famílias da Galiza ouvidas pela Lusa para justificar a frequência das suas crianças de creches em Vila de Cerveira.

“Escolhemos a creche em Vila Nova de Cerveira pela proximidade e porque consideramos muito importante que a nossa filha, desde cedo, aprendesse outra língua”, disse hoje à Lusa, Andreia Rodriguez.

Residente no concelho vizinho de Tomiño, a família Rodriguez atravessa todos os dias o rio Minho, através dos cerca de 500 metros da ponte internacional que liga a localidade galega até à vila situada no distrito de Viana do Castelo para que a filha, de um ano, frequente a creche da Santa Casa da Misericórdia.

A Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) dispõe ainda de jardim de infância. Nas duas respostas estão 81 crianças dos três meses aos seis anos, sendo que 11 são galegas.

Em Vila Nova de Cerveira não há rede pública de creches e jardins de infância, mas Câmara local apoia as duas IPSS concelho. Além das respostas da Santa Casa, que recentemente foi cofinanciada pelo município nas obras de beneficiação das estruturas, a autarquia apoia ainda a creche do centro social e paroquial de Campos, que funciona num dos polos da zona industrial, em instalações municipais.

A filha de Andreia Rodriguez está na sala dos mais pequenos da creche da Santa Casa da Misericórdia, também pelo “horário alargado” que lhe dá “mais liberdade” do que o praticado pela rede galega, onde “pagaria menos”, por ter convenção com o Estado.

“Em Vila Nova de Cerveira fica-nos mais caro, mas preferimos a qualidade”, destacou.

Quando chegou à creche da santa casa já levava “boas referências” de outras famílias galegas.

“Conhecíamos outros casais amigos que tinham colocaram os seus bebés em Cerveira e tinham ficado muito satisfeitos. Gostei muito das condições da creche e a forma como os funcionários cuidam a infância”, referiu.

Em 2008/2009, Adele, filha de Francisco Pereira, foi das primeiras crianças galegas a frequentar aquela instituição. Agora tem 11 anos e frequenta o sexto ano de escolaridade, também num agrupamento de Vila Nova de Cerveira, apesar de a família continuar a residir do outro lado do rio internacional.

A falta de vagas na aldeia de Goián, concelho de Tomiño, onde a família reside levou-o à creche da Santa Casa, “a cerca de cinco minutos de distância”, explicou Paco, como é conhecido, de 69 anos.

Técnico de máquinas, aposentado, Paco apontou o contacto com o português como outro dos fatores que pesou na decisão.

“Há estudos psicológicos que demonstram que uma criança que cresce a aprender outro idioma desenvolve-se melhor”, observou.

A diretora, Cristina Malheiro, destacou que, “de ano para ano, a procura por parte de famílias galegas tem vindo a aumentar” porque “nem a distância nem a língua” são “barreiras” num relacionamento “antigo e muito forte” entre as duas localidades.

“As famílias acabam por se relacionar entre elas. Criam-se laços entre os próprios adultos e frequentam a casas uns dos outros. Até porque os galegos não procuram só a creche como a piscina e outras ofertas que temos na vila”, reforçou.

A creche e o jardim de infância funcionam todo o ano, “sem paragens em agosto”, e 07:30 às 18:30 (hora portuguesa).

Criada há 13 anos, a creche de apoio às empresas instaladas na zona industrial de Campos, foi construída pela Câmara de Vila Nova de Cerveira, mas é gerida pelo centro social e paroquial da freguesia.

Tem capacidade para 75 crianças até aos três anos, sendo que este ano têm três bebés galegos. Uma delas é a filha de 18 meses de Sílvia Fontan.

Silvia vive em Tomiño e trabalha em Vila Nova de Cerveira, “pertinho” do equipamento onde a filha mais velha também frequentou o pré-escolar.

Além da proximidade, a “confiança” nos serviços da creche determinam a escolha.

A diretora, Severina Ribeiro, explicou que a creche foi para responder às necessidades dos trabalhadores das empresas instaladas nos dois polos industriais criados pela autarquia na freguesia de Campos.

“Todos os anos temos procura de famílias galegas, mas essa procura está muito dependente da dinâmica da zona empresarial porque os nossos meninos são filhos dos trabalhadores das empresas da zona industrial”, explicou.

Segundo Severina Ribeiro, “o horário de funcionamento da creche, entre as 05:30 às 19:00, para acompanhar os turnos das fábricas e a localização, no Centro de Apoio às Empresas, no polo II da zona industrial” são os fatores apontados pelos encarregados de educação.

Para o presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, este relacionamento reflete a “grande de confiança” que existe entre as populações das duas localidades.

“É uma confiança que se traduz na qualidade dos serviços prestados nesta área educativa no município de Vila Nova de Cerveira e, no excelente relacionamento entre os municípios de fronteira, como é o caso tão peculiar da eurocidade Cerveira-Tomiño”, reforçou o autarca.

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Alto Minho

Eleições/Viana do Castelo: Distrito envelhecido volta a eleger seis deputados

Dados do EyeData

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Foto: DR / Arquivo

O distrito de Viana do Castelo, com uma média de 231.568 residentes em 2018 e a taxa mais baixa de desemprego do país, volta a eleger, nas eleições legislativas de outubro, seis deputados.

Em 2018, segundo dados do EyeData, uma ferramenta de análise de dados estatísticos criada pela Social Data Lab para a agência Lusa, o distrito tinha em média, no ano passado, 26.630 jovens até aos 15 anos de idade(11,5%). Já um quarto da população dos 10 concelhos tinha 65 ou mais anos (25%), num total de 50.180 pessoas.

O saldo populacional natural por 10.000 habitantes era de -63,48 e, a nível nacional de -25,26.

Em 2018, Viana do Castelo liderava no distrito a lista dos 10 concelhos com mais habitantes (em média 84.825) e Melgaço, o concelho mais setentrional do país, era o menos habitado, com 8.197 pessoas.

Com uma área de 2.219 quilómetros quadrados, Viana do Castelo tinha no ano passado uma percentagem de 3,53% de desempregados inscritos (em relação ao total de residentes entre os 15-64 anos), enquanto a média nacional se fixava nos 5,54%.

De acordo com dados de 2016 do EyeData, um trabalhador do distrito de Viana do Castelo ganhava em média cerca de 900 euros, enquanto a média nacional era 1.108 euros, sendo que a autarquias, segundo dados de 2017, eram as principais empregadoras da região.

O comércio e serviços, agricultura e pecuária, alojamento, restauração e indústria transformadora são outras das principais atividades económicas da região.

Nos últimos anos, alguns municípios, como Valença, a segunda cidade do distrito, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Paredes de Coura têm anunciado vários investimentos privados, sobretudo do setor automóvel.

No ano passado, o distrito apresentava a mais alta taxa de mortalidade infantil (5,07%), enquanto a média nacional se fixava nos 3,23%.

Em 2018, os beneficiários da Segurança Social, a partir dos 15 anos, representavam 44,51 % da população residente (abaixo da média nacional de 50,59%). Já os beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido e do Rendimento Social de Inserção eram 1,44% dos residentes, contra 3,20% no país.

Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca são três dos cinco municípios abrangidos pelo único parque nacional, criado em 1971. O Parque Nacional da Peneda-Gerês, classificado desde 2009 como Reserva Mundial da Biosfera, completa-se com os concelho Terras de Bouro (Braga) e Montalegre (Vila Real).

Vinte partidos e movimentos concorrem às eleições legislativas de 06 de outubro pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo: PS, PSD, CDS-PP, PCP, BE, PCTP-MRPP, Aliança, PPM, RIR, Chega, Iniciativa Liberal, PNR, PAN, JPP, PDR, Livre, Partido da Terra, PURP, PTP e Nós, Cidadãos!.

De acordo com o mapa oficial publicado em 12 de agosto em Diário da República, os 240.942 eleitores do distrito de Viana do Castelo vão eleger seis representantes para a Assembleia da Republica.

Nas legislativas de 2015, de acordo com os dados do EyeData, a abstenção fixou-se nos 49,25% (a nível nacional situou-se nos 43,01%).

A coligação PSD/CDS-PP conquistou 45,54% dos votos e elegeu Carlos Abreu Amorim, Luís Campos Ferreira, Maria Emília Cerqueira e Abel Lima Baptista.

O PS somou 29,82% dos votos e elegeu Tiago Brandão Rodrigues e José Manuel Vaz Carpinteira. O Bloco de Esquerda contou com 7,96% dos votos, a CDU 5,24%, e o PAN 0,85%.

A proximidade dos municípios do Vale do Minho à Galiza resultou na construção de cinco pontes sobre o rio Minho. A última a ser inaugurada foi a travessia entre Vila Nova de Cerveira e Tomiño, em 2004 – num investimento que rondou os seis milhões de euros, a ponte veio resolver as difíceis ligações feitas até então por um ‘ferryboat’.

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Alto Minho

No Alto Minho concertinas e cantares ao desafio afinam na luta contra o lítio

Reportagem

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Foto: Pedro Pinheiro Augusto

O encontro nacional de “cidadania” que reúne, este sábado, em Vila Nova de Cerveira movimentos e associações do país que lutam contra minas a céu aberto começou com um número musical de contestação ao lítio à moda do Alto Minho.

O som afinado das concertinas e dos cantadores ao desafio deu, hoje de manhã, o mote à reflexão de “ativistas cívicos” com quadras adaptadas do Vira Velho: “Eu mandei dizer ao sol que não tornasse a nascer. Com minas na serra d’ Arga, que vem cá o sol fazer?”, entoaram os seis elementos do grupo, também informal, nascido no seio do movimento SOS Serra d’Arga, organizador do encontro nacional e um dos movimentos cívicos que, no distrito de Viana do Castelo, se formaram para lutar contra a exploração.

O primeiro encontro nacional continua hoje à tarde com a participação dos sete partidos com assento parlamentar, representantes de câmaras do distrito de Viana do Castelo e associações ambientalistas.

Durante a manhã, no cineteatro de Vila Nova de Cerveira, ouviram-se os testemunhos dos cidadãos que dão o rosto aos movimentos e associações do Minho, a Trás-os-Montes, das Beiras ao Alentejo: o Movimento Contra a Mineração Beira Serra, o GPSA – Grupo de Preservação Serra da Argemela, o Movimento de Defesa do Ambiente e Património do Alto Minho, SOS Serra d’Arga, a Associação Covas do Barroso, a Associação Montalegre com Vida, os Guardiões da Serra da Estrela, o movimento Em Defesa da Serra da Peneda e do Soajo e outro de Penalva do Castelo.

As primeiras informações sobre a “febre do lítio” surgiram pela comunicação social. Apanharam as populações de “surpresa” que informalmente, na maioria casos através redes sociais, fizeram acordar o “dever de cidadania” em defesa de “aldeias, do mundo rural, de património ambiental, e da qualidade de vida de quem habita os territórios”.

Com cerca de uma centena de pessoas na assistência ouviu-se falar numa luta “desigual” entre cidadãos e “gigantes que prometem milhões pelo petróleo branco fornecido pela Arábia Saudita da Europa” levaram à constituição de movimentos e associações.

Caso a caso, cada movimento contou as suas experiências e a “uma só voz” apontaram a “união” como único caminho a percorrer no combate à “catástrofe, tragédia ou ataque brutal” da exploração mineral e recusaram para as suas regiões ganhem a designação de “El Dourado” do lítio.

Ouviram-se apelos para a participação na manifestação nacional marcada para dia 21, em Lisboa, intitulada “Não às minas” – “Contra a febre da mineração em Portugal” e ficou o repto para a constituição e formalização do Movimento de Intervenção Nacional pelo Ambiente (MINA).

Este mês, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes disse que, dos 12 territórios identificados em Portugal, foram excluídos três, por se encontrarem em “zonas sensíveis ou em parques naturais ou áreas protegidas”, pelo que ao concurso para a prospeção de lítio vão apenas nove lotes.

Daqui, referiu, “resultará uma atividade de prospeção com regras ambientais extraordinariamente apertadas e qualquer passagem para a exploração é uma passagem que será sempre precedida de uma avaliação de impacto ambiental”, reiterou.

Hoje, nas intervenções de cerca de dez minutos que couberam a cada movimento ou associação de contestação ao lítio, o poder autárquico e o Governo não ficaram isentos de culpas num processo que consideram de “contornos pouco claros, numa cabala que está a ser constituída em torno do lítio”.

A “falta de transparência, de acesso a informação independente, a desinformação, a ausência de diálogo e de envolvimento com as populações, os interesses financeiros incomensuráveis” foram as principais críticas tecidas aos processos de mineração previstos para as várias zonas do país.

Com um “objetivo comum”, os movimentos e associações deixaram, hoje, a garantia de que irão “resistir até às últimas consequências, recorrendo a todas as formas possíveis”, desde os tribunais à luta, “dando o corpo às balas” para travar a “corrida ao lítio”.

O lítio é um tema polémico em Portugal. De um lado estão os que temem os prejuízos ambientais resultantes da exploração e do outro os que defendem o lítio como energia de futuro, o investimento e os postos de trabalho.

A procura mundial pelo lítio, usado por exemplo na produção de baterias para automóveis ou telemóveis, está a aumentar e Portugal é reconhecido como um dos países com reservas suficientes para uma exploração comercial economicamente viável.

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