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Barcelos

‘Geringonça voadora’ para exterminar vespas asiáticas em Barcelos

Combate à vespa velutina

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Na união de freguesias de Quintiães e Aguiar, em Barcelos, a luta contra a vespa asiática não conhece confinamento. O trio que tem vindo a exterminar centenas de vespeiros ao longo dos últimos anos, composto pelo presidente da Junta e dois populares (Domingos e Pedro Aquino), continua em boa forma e, desde o início do verão de 2020, já eliminou 43 ‘ninhos’ desta espécie invasora que ameaça colmeias e plantações de fruta, pondo também em risco a saúde pública.

A O MINHO, o autarca de Quintiães e Aguiar, António Pereira, explica que surgiu agora uma nova forma de erradicar vespeiros localizados a “elevada altura”. O novo método é uma espécie de geringonça – um drone com um sistema de injeção de líquido através de uma cana motorizada.

António Pereira conta que esta ideia surgiu por necessidade, mas que nem sempre tem corrido bem. “Este já é o segundo drone que utilizámos. O primeiro despenhou-se e ficou totalmente inoperacional. Este segundo também já sofreu uma queda mas encontra-se apto para o serviço”, assegura.

Na parte traseira do drone, segue um frasco de 50 mililitros com atrativo e um gel que mata os insectos. “Tem um motor e um tubo por dentro de uma cana que é acionado através de um comando remoto. Quando acionamos, o líquido é injetado na cana e sai através de quatro pequenos furos, preferencialmente já dentro do ninho, depois de espetada a vara”, explica.

Antes do drone, o trio ‘implacável’ atava uma série de fios e cordas a ganos que se encontravam muito alto para os puxar com recurso a um jipe. “Mas era muito trabalhoso e resultava em picadas”, afiança o autarca.

António confessa que ainda só realizaram testes com água, mas que os mesmos foram bem sucedidos. “Vamos esperar que haja alguma necessidade para voltar a recorrer à geringonça, porque não vamos arriscar a ‘vida’ do drone num ninho que dê para eliminar de outra forma”, assegura o autarca.

Monte de S. Gonçalo infestado de vespas

Um dos locais críticos daquela união de freguesias é o Monte de S. Gonçalo, mais precisamente a encosta virada a nascente. “Há mais abelhas por essa zona e pode ser por isso que temos encontrado muitos ninhos por lá”, diz António, assegurando que, só nesse espaço, foram detetados quase 80% dos ninhos eliminados na união de freguesias.

António Pereira mostra-se crítico perante o Estado por “se esquecer” do combate à vespa asiática. “Há quem se zangue comigo, mas cada ninho que eliminámos, coloco no Facebook para toda a gente saber o ponto de situação”, diz, lamentando que os responsáveis políticos não mostrem um maior interesse neste tipo de ações.

“Não percebem a importância da abelha e que a devemos proteger. Eu sou franco, até se torna divertido eliminar ninhos, por vezes corre mal, somos picados, andamos com escada no meio das silvas, ao domingo de manhã, e muitas vezes em vez de estar com a família ou com os amigos, mas alguém tem de o fazer”, salienta.

António diz já ter sido insultado na junta por causa deste tipo de ações. “Andámos aqui os três sozinhos no meio do mato mas não desistimos facilmente, vamos dando luta, contra todos os poderes e pessoas que se chateiam connosco”, finaliza.

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