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Braga

Gangues de Braga: PSP ameaçado de morte por elemento do “Grupo do Fujacal”

Guerra de gangues

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Rilker Richard Almeida. Foto: O MINHO

Um dos elementos do “Grupo do Fujacal” está acusado pelo Ministério Publico por crime de ameaças de morte contra um agente da PSP, uma vez que tal agente da autoridade, da Esquadra de Investigação Criminal do Comando Distrital de Braga da PSP, participara numa sua detenção na cidade de Braga, em outubro de 2020, por posse de uma arma de fogo.

O suspeito, Rilker Richard Almeida, com 26 anos, em finais de dezembro de 2020, depois de uma identificação de rotina da parte da Esquadra de Investigação Criminal da PSP, terá dito em voz alta, ao agente, que já tinha sido apanhado com pistola e libertado anteriormente: “Não me aconteceu nada, fiquei cá fora [libertado do Tribunal], mas isso não vai ficar assim, se fosse no Brasil, já te tinha dado um tiro no meio da cabeça, meu palhaço, no julgamento estás fodido comigo, eu vou dizer que me encostaste à parede e me apontaste uma arma”.

Rilker Richard Almeida. Foto: O MINHO

Rilker Richard é igualmente o suspeito de ter disparado à queima-roupa contra três irmãos residentes no Bairro das Enguardas, da família Faria, tendo sido todos alvo de pelo menos quatro tiros, segundo refere a acusação do Ministério Público, divulgada esta semana.

Os dois primeiros disparos foram efetuados a menos de cinco metros das vítimas e os outros dois a cerca de dez metros, e “só por mero acaso nenhum desses disparos atingiu” alguém, o que é ainda salientado pelo magistrado Ricardo Tomás, procurador do Ministério Público (MP).

Davide Chilombo Portela, Henrique Lima Marquês e Rilker Richard Almeida estão todos acusados pelo MP da autoria dos crimes de tentativa de homicídio qualificado, agravados pelo uso de armas de fogo proibidas, inseridos no chamado “Grupo do Fujacal”, enquanto se aguarda pelo despacho do Ministério Público sobre os tiroteios perpetrados pelo rival “Grupo Enguardas Bronx”, na Praça dos Arsenalistas (Fujacal) e em Nogueira, neste último caso em retaliação direta pelos tiros acabados de disparar no Bairro das Enguardas.

Davide Portela. Foto: O MINHO

Henrique Marques. Foto: O MINHO

O Ministério Público separou o processo, optando por acusar esta semana os membros do “Grupo do Fujacal”, enquanto a Polícia Judiciária de Braga não terminar as investigações que visam acusar os elementos do Grupo “Enguardas Bronx” por casos em tudo idênticos.

“Luta pelo território e hegemonia”

Para o Ministério Público, a base da motivação dos tiroteios praticados por elementos dos dois grupos rivais, é a “tentativa de controlo territorial e de afirmação de hegemonia de um grupo em relação ao seu opositor”, numa série de conflitos e que “só por mero acaso ainda não culminaram numa tragédia para os visados ou os populares então nesses locais”.

O MP destaca que “para alimentarem esse estatuto de grupo criminoso, os seus membros publicam nas redes sociais fotografias onde se acompanham ou exibem armas e joias”, o que contribui igualmente para espicaçar as rivalidades e também as provocações mútuas.

Ao “Grupo do Fujacal”, através dos referidos três arguidos, bem como um quarto suspeito que nunca foi identificado, o MP imputa uma provocação, que consistiu em pintar a negro “Fujacal” por cima da inscrição “Enguardas Bronx”. Os três irmãos residentes no edifício não gostaram do que viram naquela tarde do dia 18 de março deste ano, e perseguiram os rivais.

Nessa altura, os membros do “Grupo do Fujacal”, ao aperceberem-se terem sido descobertos, tentaram alvejar os das Enguardas, mas sem sucesso. No entanto, atropelaram uma jovem, quando esta, para tentar evitar a fuga dos membros do “Grupo do Fujacal”, se colocou à frente do carro, conduzido por Henrique de Lima Marquês, com 22 anos, solteiro e estudante universitário.

O advogado Tiago Ferreira Freitas defende o “Grupo do Fujacal”. Foto: O MINHO

O advogado João Ferreira Araújo defende o “Grupo das Enguardas”. Foto: O MINHO

Arguidos não querem instrução

O advogado Tiago Ferreira Freitas, defensor de todos os arguidos do “Grupo do Fujacal”, anunciou que apesar de não concordar com alguns aspetos da acusação do MP, não vai requerer a abertura da instrução, para não se alargar o prazo máximo para a prisão preventiva dos seus clientes, já que ao solicitar aquela fase processual facultativa o limite passaria de 12 para 16 meses, preferindo discutir todos os factos do caso em julgamento. 

Foto: O MINHO

“Enguardas Bronx” com três presos

Três membros do Grupo “Enguardas Bronx” encontram-se já em prisão preventiva após outra operação da PJ, apoiada pela PSP, Samuel Pinto Monteiro (“Samaritano”), Sandro Joel Garcia Pinto (“Joelinho”) e Rui Alexandre Carvalho (“Fire”), sendo que este núcleo teria o apoio do “Grupo do Picoto”, além de jovens residentes nas Fontainhas e Montélios, estes defendidos pelos advogados João Ferreira Araújo e Marisa Carvalho Oliveira.

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