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Alto Minho

Fusão das redes do Alto Minho é “atentado à água pública”

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Conferência de imprensa na sede do PCP/Viana do Castelo. Foto: Divulgação

O coordenador da CDU de Viana do Castelo, Filipe Vintém, denunciou esta quarta-feira “estar a ser programado um verdadeiro atentado à água pública” do Alto Minho, com a anunciada fusão dos sistemas de águas e saneamento da região.

Em janeiro, o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho disse que, em abril, os dez concelhos do distrito de Viana do Castelo vão decidir sobre a criação de uma empresa de gestão das redes de água, em baixa, e do saneamento.

O socialista, que é também presidente da Câmara de Viana do Castelo, afirmou que a empresa irá chamar-se Águas do Alto Minho e terá capitais do Estado, através da Águas de Portugal e dos dez municípios da região.

Ontem, em conferência de imprensa na sede do PCP de Viana do castelo, o coordenador da direção regional do partido disse que a empresa “a ser criada, é muito nociva para as populações”.

Nós não estamos contra a criação de uma empresa intermunicipal de águas. Nós estamos sim contra a criação de uma empresa que seja tutelada pelas Águas de Portugal. Ou seja, que 51% da gestão desta empresa nas mãos das Águas de Portugal. Consideramos que a maioria do capital desta empresa deverá estar nas mãos dos municípios para eles poderem determinar o futuro da empresa e da própria gestão”, destacou Filipe Vintém.

O dirigente partidário adiantou que a empresa “está a ser criada com base num estudo que ninguém, porque só em abril é que será anunciado como será constituída”.

Filipe Vintém apontou as “três questões fundamentais” que levantam a CDU a contestar a criação de empresa intermunicipal. A primeira relacionada com os trabalhadores, defendendo a necessidade de “precaver os seus direitos”.

“Conhecemos os ataques aos direitos dos trabalhadores noutras empresas do género criadas no país, como em Aveiro, Lisboa e Braga. Nesses casos, os direitos dos trabalhadores ficaram muito de parte”, frisou.

O preço da água a praticar pela nova empresa, é outras das preocupações da CDU uma vez que a “bitola será a água mais cara do distrito, que neste caso será a de Viana do Castelo”.

“A gestão não pode ser generalizada, sem ter em conta a especificidade de cada concelho e sem que os concelhos não possam estar envolvidos no preço da água”, sublinhou, que em alguns concelhos, “o preço da água poder subir quase um euro”.

A situação “mais gravosa”, para a CDU, prende-se a possível privatização do setor, “sendo que as autarquias não têm controlo”.

“Se a rede em alta já está nas mãos das Águas de Portugal em baixa irá também para as Águas de Portugal e sabemos todos os interesses privados em torno da água”, destacou, afirmando que “a privatização será muito mais apetecível com esta aglomeração”.

Filipe Vintém acrescentou que este processo “tem sido feito de forma discreta, sem levantar grandes ondas e referiu ser “fundamental mobilizar as populações do distrito de Viana do Castelo para participarem nas reuniões de Câmaras ou assembleias municipais para contestarem aquilo que poderá acontecer a médio-longo prazo, a privatização da água”.

No encontro com os jornalistas, onde participaram os eleitos da CDU nas assembleias municipais de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca (municípios liderados pelo PSD), a vereadora da CDU na Câmara de Viana do Castelo (PS), Cláudia Marinho, sublinhou que, aquando da rede em alta, a CDU também se opôs ao negócio por considerar que a “água é direito universal, que nunca pode ser visto como um negócio”.

A vereadora exigiu ter acesso ao estudo de viabilidade económica que sustenta a criação da futura empresa e apelou às populações que se “questionem” sobre a razão deste assunto não ter surgido na campanha eleitoral das últimas autárquicas.

“O PS nunca falou nem fez bandeira de campanha desta questão das águas. Se, realmente, fosse uma boa medida seria, com certeza, uma bandeira de campanha. Não foi”, reforçou a vereadora comunista.

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