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Funerárias pedem condições para preservar cadáveres com dignidade até ao funeral

Face ao pico de óbitos

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Foto: DR / Arquivo

A Associação das Empresas Lutuosas apelou hoje para que sejam criadas condições que assegurem a preservação dos corpos com dignidade até à realização dos funerais, face ao pico de óbitos que está a deixar o sistema em rutura.

“Estamos há cinco ou seis dias com quase 600 óbitos por dia”, vincou em declarações à agência Lusa o presidente da Associação Nacional das Empresas Lutuosas, Carlos Almeida, para quem “o cerne da questão” está no aumento da capacidade de câmaras de frio nos hospitais.

De acordo com o mesmo responsável, o período médio de espera para marcação de uma cremação em Lisboa, por exemplo, onde existem três crematórios, é de 72 horas. Para sepultura, a média é de 48 horas.

“Perante isto, com o ritmo a que estão a acontecer os óbitos, terão de acumular em algum sítio”, declarou.

Segundo Carlos Almeida não é possível “incrementar, por parte das câmaras, mais cremações”, sob risco de acontecer o que aconteceu, em Milão, durante a primeira vaga: “Deixaram de respeitar a cadência da máquina, colocaram o crematório em contínuo (e é uma máquina que não consegue resistir a esse esforço) e depois não temos crematório, o que é pior”.

“Se não há escoamento, não conseguimos organizar as coisas antes de 48 a 72 horas, neste momento, temos de aumentar a capacidade de frio a jusante”, defendeu.

“Temos de preservar com dignidade os cadáveres (…) porque o pico de óbitos é substancialmente grande para esta rotatividade”, frisou.

O mesmo responsável defendeu o aumento da capacidade dos hospitais nesta matéria, à semelhança do que aconteceu em várias unidades durante a primeira fase da pandemia de covid-19, que está a contribuir, juntamente com o frio, para o aumento do número de mortes este mês.

“Já há cadáveres em salas refrigeradas a uma temperatura não ideal, mantida com ar condicionado, em que não há outra forma, não há outro meio, não é possível lá instalar contentores ou acharam que assim conseguem resolver o problema”, relatou.

A situação acontece “em todo o lado”, assegurou Carlos Almeida.

“Se na grande cidade há mais habitantes, também há hospitais maiores, também há mais capacidade de frio, mas tudo é proporcional”, sustentou, acrescentando que os hospitais da periferia estão “assoberbados”, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos.

“Se de facto está num ponto de rutura as unidades hospitalares têm de encontrar forma de preservar os cadáveres com dignidade e do lado das agências contarão sempre com a brevidade necessária para que se articule uma cerimónia”, disse.

Às famílias deixou o apelo para que abdiquem de “alguma complexidade de organização das cerimónias”, por forma a não tornar ainda mais moroso o processo.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na sexta-feira que as mortes associadas à doença covid-19 representaram 52% do excesso de mortalidade verificado em Portugal entre março e dezembro.

Segundo o boletim do INE sobre mortalidade em contexto de pandemia, desde 02 de março – data do primeiro caso diagnosticado de infeção com o novo coronavírus em Portugal – até 27 de dezembro, morreram 99.356 pessoas, um aumento de 12.852 mortes em relação à média dos mesmos meses nos anos de 2015 a 2019.

Desses 12.852 óbitos a mais, 6.677 foram atribuídos à covid-19, o que representa uma percentagem de 52%. Só entre 30 de novembro e 27 de dezembro morreram 2.172 pessoas com covid-19, um número que supera o aumento de 1.884 mortes em relação à média para o mesmo período dos últimos cinco anos.

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Portugal já terá 20 mil casos da variante inglesa

Covid-19

Foto: DR / Arquivo

Portugal já terá cerca de 20.000 pessoas infetadas com a variante inglesa do coronavírus SARS-Cov-2, disse hoje à Lusa um dos autores de um estudo realizado pelo laboratório Unilabs para o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

“Já identificamos mais de 1.500 amostras da estirpe inglesa. Atestando a representatividade da nossa testagem, significa que o país terá neste momento 20 mil infetados de estirpe inglesa. E isso é que explica, de facto, esta explosão (de novos casos) que nós temos tido”, disse Carlos Sousa, especialista em biologia molecular e um dos autores do estudo “Vigilância em tempo real da prevalência e distribuição geográfica da estirpe inglesa do SARS-CoV-2”.

De acordo com Carlos Sousa, o estudo científico extrapola que a variante do SARS-Cov-2, que provoca a doença covid-19, inicialmente detetada no Reino Unido já é “responsável por cerca de 20% das novas infeções em Lisboa e Vale do Tejo” e que “dentro de três semanas a estirpe inglesa vai afetar 60% do total de infetados”.

“A projeção do artigo que nós escrevemos, e que foi agora submetido [no INSA], estima que na semana cinco do (atual) confinamento – primeiras semanas de fevereiro – 60% das infeções já serão pela estirpe inglesa. Será catastrófico, porque se tivermos 14 mil casos por dia ou 15 mil infetados e se forem 60% da estirpe inglesa, então significa que teremos, por dia, cerca de 10 mil casos só de estirpe inglesa, que é cada vez mais infecciosa”, adiantou.

Para o especialista em biologia molecular, o “grande perigo desta estirpe é que tem ela tem uma capacidade de propagação muito alta porque tem cargas virais mais altas”.

Outra conclusão do estudo, “muito interessante por causa da polémica das escolas”, é que na distribuição etária dos infetados pela nova estirpe, a proporção dos indivíduos dos 10 aos 19 anos de idade é mais representativa do que, por exemplo, as pessoas dos 60 aos 69 anos e por aí fora. (…) Por isso é que o Reino Unido fechou as escolas”, disse o especialista”.

Segundo Carlos Sousa, o estudo e o método, por ser em tempo real, permite às autoridades, por exemplo, decretar um “cerco sanitário numa localidade ou numa freguesia e isso é que é o grande ‘insight’ (visão inovadora) deste trabalho”.

“No fundo o que nós conseguimos, e fomos o primeiro país da Europa a seguir a algumas regiões de Inglaterra, é que temos uma monitorização em tempo real de como é que a estirpe inglesa está a atacar, onde e com que extensão. Por exemplo, sabemos que um ou dois municípios em particular – região de Lisboa com o aeroporto perto e outro na zona Norte -, têm ‘clusters’ da estirpe inglesa”.

O INSA e a empresa de laboratórios Unilabs desenvolveram uma ferramenta para monitorizar e sinalizar em tempo real a prevalência e a distribuição geográfica em Portugal da variante do coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, detetada no Reino Unido, permitindo uma melhor atuação das autoridades de saúde pública.

Os investigadores que produziram o relatório apresentam “dados abrangentes” que comprovam que a proporção de amostras desta variante “está a aumentar significativamente em Portugal”.

As conclusões do relatório resultam da análise de 27.096 casos confirmados positivos pelo ensaio “ThermoFisher TaqPath RT-PCR, recolhidos desde 01 de dezembro de 2020, em 287 instalações do laboratório Unilabs distribuídas por todo o continente.

Os investigadores observaram que a proporção de casos da nova variante aumentou de cerca de 1% nas semanas de 30 de novembro a 06 de dezembro de 2020 para 11,4% na semana de 11 a 18 de janeiro deste ano.

Portugal registou hoje 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção com o novo coronavírus, os valores mais elevados desde o início da pandemia, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 2.058.226 mortos resultantes de mais de 96,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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Rui Rio pede a Costa para encerrar escolas já na quinta-feira

Covid-19

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O presidente do PSD, Rui Rio, pediu hoje ao primeiro-ministro, António Costa, que encerre as escolas, a partir de quinta-feira, como forma de conter a epidemia de covid-19.

“Faço-lhe um apelo público para que determine o encerramento das escolas” a partir de quinta-feira, escreve Rui Rio, em comunicado, no seguimento das notícias de que Costa “vai repensar, ainda hoje, a questão das aulas presenciais”.

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Suíça volta a colocar viajantes de Portugal em quarentena obrigatória

Covid-19

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Portugal voltou a entrar para a ‘lista de países de risco’ da Suíça, sendo por isso obrigatória a quarentena durante dez dias para quem viaje do nosso pais para aquele território europeu.

O anúncio foi feito hoje pelo Gabinete Federal de Saúde e entrará em vigor a partir de 01 de fevereiro. Mesmo quem tenha teste negativo para apresentar à chegada, será sujeito ao período de dez dias de isolamento obrigatório. O incumprimento vale uma multa de 9.350 euros.

Para além de Portugal, outros países como França e Itália também estão na lista. Em comum, todos estes países, incluíndo Portugal, registam novas infeções acima da média definida pelas autoridades europeias por cada 100 mil habitantes ao longo dos últimas 14 dias e excedem os números da Suíça por mais de 60%.

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