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Encontro Luso-Galaico passa por Braga e pelos dez concelhos do distrito de Viana

Cultura

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Projeto Cardo. Foto: DR

O Encontro Luso-Galaico de intervenção cultural no território do Minho vai começar, no sábado, a percorrer o distrito de Viana do Castelo, inclui um festival em agosto, em Braga e termina, em outubro, no Porto, foi hoje divulgado.

O projeto, hoje apresentado em conferência de imprensa na sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, em Ponte de Lima, um dos parceiros da iniciativa começa no sábado, em Monção com a ação Trobadores & Soldadeiras.

Trata-se de “uma série de oficinas e concertos musicais que andarão em itinerância pelos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, e que se apresentará em Braga, no festival de música Sons do Noroeste, entre os dias 26 e 29 de agosto.

A organização do encontro, que tem ainda como parceiros a Câmara de Braga, a Fundação Consuelo Vieira da Costa e a Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações, “propõe uma atenção renovada à herança cultural que liga as duas regiões”.

Herança cultural que, segundo a organização, “se concretiza nas riquezas imateriais da música e da língua, mas também um esforço criativo de expansão deste património, através da produção de novos temas e músicas, dando voz a um projeto de criação musical que alia várias das suas especificidades, desde a música tradicional, o trabalho com comunidades, a ‘performance’ musical e a criação e a educação de públicos”.

Com base na “música de raiz tradicional minhota recolhida pelos seus recantos por diferentes etnomusicólogos e melómanos como Gonçalo Sampaio, Michel Giacometti, José Sardinha, Armando Leça, entre outros, foram selecionadas 11 canções tradicionais que foram recriadas e musicadas”.

As canções “vão ser apresentadas ao vivo por coros e com o acompanhamento de um ensemble profissional do dirigido pelo Projeto Cardo, constituído por quatro instrumentistas e cinco cantores”.

No decurso do encontro decorrerão “oficinas de escrita criativa para compor letras de fado envolvendo as populações locais, que serão cantadas nos vários concertos a apresentar”.

Este projeto tem direção artística do Ideal Clube de Fado.

Já o processo criativo “envolve uma equipa de músicos profissionais e amadores de todo o território do Alto Minho, Braga e Porto”.

Esse processo está a ser registado em fotografia e vídeo, com o objetivo de criar um pequeno documentário que espelhe a riqueza e a profundidade do mesmo.

Além do projeto Trobadores & Soldadeiras, que percorrerá os dez concelhos do Alto Minho, do festival Sons do Noroeste, durante três dias, em Braga, este ano Capital da Cultura do Eixo Atlântico, o Encontro Luso-Galaico termina a 07 de outubro com um concerto na Alfândega do Porto.

O concerto de apresentação do Cancioneiro/SongBook de Música Tradicional do Minho e do Disco de Fado e Poesias do Minho acontecerá na Sala do Infante da Alfândega do Porto.

Este concerto servirá para a “apresentação dos resultados do projeto às partes interessadas, nacionais, galegas e internacionais, que permitirá a divulgação futura dos produtos turísticos, culturais e artísticos da operação aos respetivos públicos-alvo e nichos de mercado”.

Na apresentação do projeto, o presidente da CIM do Alto Minho destacou a importância do projeto para “dar voz e visibilidade a expressões artísticas que não são muito conhecidas de um e de outro lado da fronteira”.

“A relação entre o Alto Minho e a Galiza é tão natural, ela existe, faz parte das nossas vidas que foi com muita naturalidade que aceitamos fazer parte deste projeto que permitirá reforçar o intercâmbio na literatura e nas artes”, disse José Maria Costa, que é também presidente da Câmara de Viana do Castelo.

A vereadora da Cultura da Câmara de Braga, Lídia Dias, sublinhou que o projeto “alinha-se com os objetivos do município de promoção da cultura e das tradições e do património”.

“É um programa riquíssimo de valorização da língua, da música e do património deste território alargado e nesta relação de irmãos com a Galiza”.

“Temos um rio que nos separa, mas uma língua que une. É uma relação muito vivida, que faz sentido. Não podemos estar de costas voltadas”, sublinhou Lídia Dias.

Elvira Vieira, presidente do Conselho de Administração e Diretora Executiva da Fundação Consuelo Vieira da Costa, apelou à mobilização e envolvimento de “todas as autoridades do território que têm obrigatoriedade de sensibilizar as pessoas para este projeto”.

“Neste momento que vivemos é importante fazermos uma força muito grande, em todo o território, para as pessoas confiarem e estarem presentes nestes ambientes culturais porque esta é uma área que tem sido bastante penalizada e que faz muito falta às pessoas”, referiu Elvira Vieira.

No encontro com os jornalistas participaram ainda Ricardo Pons, Diretor Artístico do Ideal Clube de Fado, Daniel Pereira Cristo, Programador do Sons do Noroeste e Carmina Repas Gonçalves, do Projeto Cardo.

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