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De Famalicão até Fátima: uma cidade deserta sem peregrinos e com o Santuário vazio

Covid-19

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Foto: Fatima.pt

Vazia é a palavra que melhor define a cidade de Fátima num período em que deveria estar cheia de peregrinos, que a pandemia da covid-19 afastou dos hotéis, lojas e cafés, que continuam à espera de melhores dias.


Pelas 07:00, Carmo Gonçalves juntamente com uma amiga e respetiva filha saíram de Vila Nova de Famalicão com destino ao Santuário de Fátima. “Sempre que podemos vamos a Fátima no 13 de maio. Este ano não será possível, pelo que antecipámos o dia e viemos hoje”, contam.

A fé e a devoção fê-las fazer cerca de 200 quilómetros para cada lado, para estarem no Santuário pouco mais do que uma hora e meia. “Viemos buscar paz, serenidade e força. Fizemos as nossas orações e vamos regressar. No dia 13 não estamos cá fisicamente, mas estaremos de coração.”

A peregrinação a pé programada para este ano fica adiada. “A decisão do Santuário foi a mais correta. Se não tivermos saúde, não poderemos vir no próximo ano.”

Estas três pessoas completavam um quadro de pouco mais de uma dezena de fiéis junto à Capelinha das Aparições esta manhã. O silêncio do espaço, sem qualquer celebração religiosa, era quebrado apenas pelos sinos da igreja.

As ruas de Fátima estão desertas. São poucos os cafés e restaurantes abertos. As lojas que se aventuraram a abrir portas garantem que não há clientes e os hotéis estão quase todos encerrados.

“Desde segunda-feira até hoje só atendi três clientes”, afirmou à Lusa Amália Reis. A funcionária de uma loja de artigos religiosos junto ao Santuário admitiu que, habitualmente, esta semana “é uma das mais fortes” do negócio.

Segundo referiu, no sábado que antecede o 12 e 13 de maio, as pessoas “costumam vir a Fátima e já há muito movimento”.

O Hotel Santa Maria tem a sua lotação a 2%, situação nunca antes vista. “Nesta altura, teríamos cerca de 90% de reservas”, admitiu o rececionista Nelson Pereira, explicando que os hotéis estão a colaborar uns com os outros e encaminham os clientes para as poucas unidades abertas, numa entreajuda.

Segundo Nelson Pereira, as reservas para agosto mantêm-se, mas o funcionário teme que as mesmas sejam canceladas. “Todas as reservas estão a ser canceladas um mês antes. Por exemplo, as pessoas estão a cancelar agora junho.”

Muitas lojas só hoje abriram portas, mas a expetativa é baixa. “Não há peregrinos, não haverá clientes”, constatou José Santos, funcionário de uma das pequenas lojas.

Uns metros mais à frente, Eduardo Gaio está sozinho entre as centenas de artigos religiosos. “Está bem complicado. Não se vê ninguém na rua, não há celebrações, não há clientes estrangeiros, não sei como vai ser”, afirmou o funcionário de outra loja, no seu sotaque brasileiro.

Eduardo Gaio salientou ainda que os principais clientes são os estrangeiros e “este ano não vêm”. “Ainda temos alguma expetativa. Se vendermos 100 euros por dia, sempre é alguma coisa. Vamos ter de nos adaptar a esta situação e a aprender a viver com isto, caso contrário vai tudo à falência.”

No café/restaurante de Ilda Duarte estão três pessoas. “São lojistas. Os nossos clientes são, sobretudo, as pessoas das lojas”, confessou, ao referir que a quebra foi “significativa”.

“Em março, as habituais 100 refeições servidas num sábado caíram para 40”, lembrou.

Agora, em serviço de ‘take away’, revelou que os clientes são os comerciantes. “Esta é uma zona de turismo religioso e, enquanto não começarem as missas presenciais, vai ser muito fraco”, acrescentou a sócia gerente.

O mesmo se passa na pastelaria, padaria e confeitaria de Maria Elisa. “Esta era uma altura muito boa, mas agora é o que se vê. As pessoas não podem vir a Fátima, não há clientes.”

O Santuário de Fátima vai este ano celebrar a Peregrinação Internacional Aniversária de maio no recinto de oração, como nos outros anos, mas sem a multidão de peregrinos que o costuma encher.

Entre a tarde do dia 12 e o fim da manhã do dia 13 não será permitido o acesso dos peregrinos a qualquer espaço do santuário.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 274 mil mortos e infetou mais de 3,9 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de 1,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.126 pessoas das 27.406 confirmadas como infetadas, e há 2.499 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Ministra da Cultura apela aos portugueses para que vão a espetáculos

Covid-19

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Foto: DR

A ministra da Cultura apelou hoje “a todas as pessoas” para que continuem a ir a espetáculos e equipamentos culturais, destacando o esforço dos profissionais do setor na adaptação às medidas aprovadas para tentar conter a pandemia da covid-19.

“Deixo um apelo a todas as pessoas, cidadãos, que continuemos todos, na medida que conseguirmos, a ir ao teatro, ao cinema, a um espetáculo de música, a uma biblioteca”, afirmou hoje Graça Fonseca, no parlamento, lembrando que “Portugal é um dos poucos países da Europa que mantém equipamentos culturais abertos”.

Na intervenção final numa audição conjunta das comissões parlamentares de Cultura e Comunicação e de Orçamento e Finanças, no âmbito da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2021, Graça Fonseca destacou que “os profissionais da Cultura têm sido extraordinários” na adaptação às medidas aprovadas pelo Governo para tentar conter a pandemia da covid-19.

A ministra salientou que, “no espaço de 24 horas, centenas de salas anteciparam horários e não encerraram”, em referência à limitação de horários de funcionamento, até às 22:30, para os equipamentos culturais, iniciada há uma semana, e ao recolher obrigatório, a partir de hoje e até 23 de novembro, entre as 23:00 e as 05:00, nos dias de semana, nos 121 municípios mais afetados pela pandemia.

“Devemos, como cidadãos, dar resposta a este esforço de todos. É isso que também vai ajudar cada uma das pessoas que estão lá fora a manifestar-se”, afirmou a ministra, numa referência à concentração, convocada para a porta do Parlamento.

Hoje à tarde, enquanto a ministra da Cultura era ouvida dentro da Assembleia da República, no exterior, cerca de uma centena de profissionais da cultura protestavam contra a falta de apoios, e exigiam 1% do Orçamento do Estado para o setor.

Graça Fonseca salientou que “todos os que fazem o dia-a-dia da cultura, que são profissionais deste setor”, estão “a viver dias particularmente difíceis”.

“É a pensar em cada um deles que temos feito trabalho ao longo dos últimos meses. O que temos feito é a pensar em cada um deles. Não será tudo perfeito, mas alguém acharia possível que nas condições que estamos a viver tudo fosse perfeito?”, questionou.

A ministra, salientando que este está a ser “um ano absolutamente inédito na História contemporânea”, alertou para consequências da crise sanitária: “O que aconteceu vai ter uma profunda dor em muitos setores em Portugal”, afirmou. E pediu responsabilidade de todos perante “um ano de 2021 muito difícil”.

“Tudo faremos em 2021, quer com este Orçamento do Estado, com o trabalho com outras áreas do Governo e com a cooperação de todas as entidades para que todas as pessoas do setor resistam a uma crise sem precedentes”, afirmou.

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Costa diz que pandemia tem de ser controlada agora para evitar “dramas” de rutura

Estado de emergência

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Foto: Ivo Borges / O MINHO (Arquivo)

O primeiro-ministro advertiu hoje que a pandemia de covid-19 tem de ser controlada agora para evitar “dramas de rutura” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e manifestou-se “surpreendido” com o crescimento de contágios verificado desde outubro.

Estas posições foram defendidas por António Costa em entrevista ao jornalista Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI, durante a qual reiterou que a ministra da Saúde, Marta Temido, tem confiança política reforçada e sustentou que, até agora, o SNS “não falhou em nada” na resposta à covid-19.

“Se conseguirmos controlar situação, como temos neste momento – onde praticamente ainda temos uma capacidade de metade das camas de cuidados intensivos alocadas a covid-19 -, se conseguirmos controlar a pandemia agora, vamos conseguir viver sem dramas de rutura”, sustentou.

Na entrevista, o líder do executivo recusou que o seu Governo tenha algum preconceito ideológico e que, por isso, não recorra a mais contratualizações com os setores provado e social.

De acordo com os dados apresentados pelo primeiro-ministro em relação à capacidade de resposta do SNS, sem ser necessário proceder a qualquer descontinuidade de outra atividade médica, há 704 camas para cuidados intensivos, estando ocupadas 433. Um número que, no limite, mas com perturbação de outras atividades médicas, pode chegar a 944.

“Temos em execução um conjunto de obras em vários hospitais (casos de Évora, Amadora/Sintra e Gaia) para aumentar a capacidade. Quando começou a pandemia, Portugal era o país da União Europeia com o menor número de camas de cuidados intensivos por cem mil habitantes. Chegaremos a março de 2021, um ano depois da pandemia, tendo passado do último lugar, para a média da União Europeia”, disse.

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Rui Rio duvida da eficácia das medidas adotadas para combater pandemia

Estado de emergência

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Rui Rio. Foto: Instagram de PSD

O presidente do PSD, Rui Rio, disse hoje duvidar da “eficácia” das medidas implementadas para combater a pandemia da covid-19, considerando que o recolher obrigatório durante o fim de semana poderá ter o “efeito contrário” ao que se pretende.

“Não quero fazer uma oposição declarada a algo que é muito difícil, mas tenho alguma dificuldade em entender a eficácia”, afirmou hoje Rui Rio.

À margem de uma reunião com a Confederação Empresarial de Portugal – CIP, Rui Rio disse não entender a eficácia de algumas medidas, em particular, as que restringem a circulação e impõem o recolher obrigatório nos 121 concelhos.

“O facto de não se poder estar nas ruas entre as 23:00 e as 05:00 claro que trava a passagem da pandemia, mas é entre as 23:00 e as 05:00 que na rua se passa a pandemia? não será tanto assim”, questionou o social-democrata.

Rui Rio questionou ainda a eficácia da medida de recolher obrigatório entre as 13:00 e 05:00 aos fins de semana, considerando que a mesma, em particular aos sábados, poderá ter “o efeito contrário aquilo que se pretende”.

“Ao sábado, tenho receio que isso possa ser até um pouco pior porque pode concentrar no sábado de manhã as compras semanais que as famílias normalmente fazem”, referiu, dizendo, no entanto, querer “manter o sentido de estado”.

“Quero manter o sentido de estado, mas duvido um pouco da eficácia das medidas, da maneira como estão desenhadas”, salientou.

A propósito da reunião com a CIP e de outra que teve com o setor da restauração, Rui Rio considerou que as medidas de combate à pandemia têm de encontrar “uma situação de equilíbrio”.

“Por um lado, queremos que os restaurantes abram para poder vender, faturar, para as pessoas terem emprego e, por outro lado, queremos que os restaurantes fechem para as pessoas não se encontrarem e não passarem o vírus uns aos outros. Isto é uma equação praticamente sem solução agradável”, sublinhou.

Aos jornalistas, Rui Rio avançou que dentro de dois dias terá uma reunião para rever as propostas que o partido vai apresentar de apoio às empresas para o Orçamento de Estado de 2021 e que as mesmas “estão dentro daquilo que é a linha que a CIP defende e o setor da restauração”.

Portugal entrou hoje em estado de emergência, desde as 00:00 até 23 de novembro, para combater a pandemia de covid-19, impondo entre outras medidas o recolher obrigatório noturno em 121 concelhos com mais casos de infeção.

Esta medida de proibição de circulação na via pública entre as 23:00 e as 05:00 em dias de semana e, nos próximos dois fins de semana, a partir das 13:00 é aplicada nos 121 concelhos considerados de risco elevado de transmissão da covid-19.

Entre estes municípios, que abrangem 70% da população residente, incluem-se todos os concelhos das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto.

A medida foi aprovada em Conselho de Ministros extraordinário realizado no sábado à noite e prevê exceções como deslocações para o trabalho, regresso ao domicílio, situações de emergência, passeio higiénico na proximidade da habitação ou passeio de animais.

Na semana passada, o Governo já tinha aprovado outras medidas para conter a pandemia no continente como grupos em restaurantes limitados a seis pessoas, salvo se pertencerem ao mesmo agregado familiar.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.255.803 mortos em mais de 50,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.959 pessoas dos 183.420 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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