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Exploração de lítio prevista para a região “não é um processo transparente” para as populações

Entre os distritos de Braga e Viana do Castelo, há 9 concelhos envolvidos: Braga, Barcelos, Vila Verde, Melgaço, Monção, Arcos de Valdevez, Vieira do Minho, Cabeceiras de Bastos e Fafe

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Prospeção de lítio da empresa Fortescue na Austrália. Foto: DR

A prospeção e pesquisa de lítio é um dos temas do momento na região. Tem mobilizado populações e autarcas contra a sua exploração mas a verdade é que há uma grande confusão à volta do tema. O MINHO falou com fontes ligadas a todo este processo. “A empresa Fortescue não abandonou o projeto do lítio no Alto Minho. O que eles vão fazer é reformular esse mesmo projeto”, garante uma delas.

São 22 os pedidos que a empresa australiana, Fortescue Metal Group, tem na manga para explorar minério em Portugal. Para já, os australianos avançaram com seis pedidos, já publicados em Diário da República, sobretudo nas zonas norte e centro do País.

Nesses pedidos estão as áreas do ‘Cruto’ (99,1 km2, localizados no concelhos de Braga, Barcelos e Vila Verde), ‘Fojo’ (74,7 km2, nos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez) e ‘Viso’ (133,3 km2, em Vieira do Minho, Montalegre, Cabeceiras de Bastos, Fafe).

Recorde-se que o governo já tinha definido uma área, que vai de Ponte de Lima até à Serra D’Arga em Caminha, como uma das zonas para a prospeção de lítio.

A polémica começou a nascer na área do Fojo por o projeto prever prospeção até às portas do Parque Nacional Peneda-Gerês. As populações e autarquias manifestaram-se e, alegadamente, a Fortescue ‘desistiu’ do pedido, o que não é verdade segundo apurou O MINHO.

“O que a empresa vai fazer é reformular o projeto tendo em conta as reivindicações; não vai abandonar o projecto”, revela a O MINHO fonte ligada a todo este processo “intricado e complexo”. A mesma fonte vai mais longe: “há um aparente interesse da Fortescue porque a intenção, na minha opinião, é avançarem para o concurso público que está para ser lançado pelo Estado há mais de um ano e/ou adquirirem projetos mais desenvolvidos.

Escritórios de advogados

Outra fonte ligada ao processo estranha ainda a forma como os pedidos foram feitos: “através de um escritório de advogados sem qualquer intervenção de geólogos e engenheiros, por exemplo”, diz a mesma fonte.

A verdade é que os pedidos foram, “rapidamente, resolvidos, enquanto outros pedidos aguardam anos à espera de autorização”, refere. Os pedidos de prospeção estão em fase de consulta pública e daí a indignação das pessoas e autarcas.

Outra coisa que as empresas ligadas à exploração de minérios não entendem é o atraso no lançamento do concurso público internacional para entregar a pesquisa e exploração de lítio em 11 áreas já identificadas como de elevado potencial. “Estamos há dois anos à espera”.

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A estratégia da Fortescue é mesmo essa: responder ao concurso público internacional e ter na manga mais 22 pedidos abrangendo uma área muito maior do que aquela que o Estado pretende levar a concurso. No total são 1100 quilómetros de área.

Montalegre

Vamos ao início desta história. Duas empresas, a Savannah e a Lusorecursos (com raízes em Braga) fazem pedidos para prospecção de minério, em Montalegre/Boticas “mas ninguém quis saber”. Depois de uns trabalhos exploratórios com resultados interessantes, é associada à empresa de Braga, uma outra congénere australiana e o que “era desinteressante passou para a ordem do dia”.

“Ainda não há exploração de lítio, há duas áreas de prospeção com projetos mais avançados”.

O processo, inicialmente, foi bem aceite pelas populações.

A visão da Fortescue (em inglês). Foto: Divulgação

A verdade é que nesta altura, “ainda não se pode dizer que haja viabilidade económica para avançar com a exploração” lembrando a mesma fonte que “em 40 projetos de prospeção será bom se um der mina”. E lança farpas ao pedido feito pela Fortescue: “poderá haver projetos viáveis que fiquem de fora pela ‘patetice’ de andar a pedir prospecções pelo país todo”.

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