A 16.ª etapa da Volta a Espanha, integralmente disputada hoje na província de Pontevedra (Galiza), foi neutralizada a cerca de oito quilómetros da meta devido a protestos contra a presença da equipa Israel-Premier Tech na corrida.
Os manifestantes pró-Palestina concentravam-se na subida final no Castro de Herville, na localidade de Mos, e, por razões de segurança, o a organização optou por terminar a prova mais cedo.
“Devido às manifestações que bloqueiam o final da etapa, esta acabará a oito quilómetros da chegada prevista. O vencedor da etapa, e os tempos para a classificação geral, serão tirados nesse local”, foi anunciado pelos organizadores.
O vencedor foi o colombiano Egan Bernal (Ineos Grenadiers), enquanto o português João Almeida (UAE Team Emirates-XRG), 2.º classificado da geral, manteve a mesmo distância (48 segundos) para o líder Jonas Vingegaard (Team Visma-Lease a Bike).
Os protestos foram sentidos em toda a extensão da etapa. “Onde estão as sanções a Israel?”, “Israel assassina, La Vuelta patrocina” ou “Não é uma guerra, é um genocídio” foram algumas das palavras de ordem que se ouviram na cidade de Pontevedra, como relata o jornal Faro de Vigo.
Depois de já ter ocorrido em Bilbau, no País Basco (etapa 11), esta é já a segunda etapa da Volta a Espanha neutralizada devido a protestos contra a presença da equipa israelita.
A nível nacional, é visível o incómodo pela presença desta formação. José Manuel Albares, ministro dos Negócios Estrangeiros, referiu recentemente, em entrevista à rádio pública espanhola (RNE), que está a favor da saída da equipa da Vuelta, apesar de reconhecer que é uma decisão que não lhe compete.
“Porque temos de mandar a mensagem a Israel, à sociedade de Israel. Têm de compreender que a Europa e Israel só se podem relacionar, como diz o artigo 2 do Conselho de Associação [acordo bilateral Israel-UE], quando se respeitam os direitos humanos”, disse.
Lembrou ainda que a Rússia foi expulsa das competições desportivas após a invasão da Ucrânia, em 2022.
Também o diretor técnico da Volta a Espanha, Kiko García, mostrou-se a favor do abandono da Israel.
“Vamos tentar, todos juntos, forçar… que as pessoas entendam que a situação não é fácil e que, juntos, possamos encontrar uma solução. Para mim, só há uma, que seria a própria equipa Israel perceber que estar aqui não facilita a segurança de todos os outros”, referiu.
Apesar da pressão, a Israel-Premier Tech não cede. “A Israel-Premier Tech é uma equipa profissional de ciclismo e, como tal, continua comprometida em participar na Volta a Espanha. Qualquer outra alternativa abriria um precedente perigoso no ciclismo, não apenas para a Israel-Premier Tech, mas para todas as equipas”, escreveu o conjunto, num comunicado.
Já a União Ciclista Internacional (UCI), em comunicado após os incidentes na 11.ª etapa, optou por realçar o “compromisso com a neutralidade política, a independência e a autonomia do desporto”.
A 17.ª etapa, na quarta-feira, terá 143,2 quilómetros, tendo início em O Barco de Valdeorras (Ourense) e fim no Alto de el Morredero, em Ponteferrada (León).