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Estudo aponta para reforço das desigualdades na sociedade portuguesa

Covid-19

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Foto: Ilustrativa / DR

A crise económica que a pandemia de covid-19 está a provocar em Portugal vai reforçar desigualdades estruturais na sociedade, segundo um estudo do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (COLABOR).


Com uma amostra de cerca de 11.500 inquiridos e efetuado entre 25 e 29 de março, o estudo sublinhou que “o ‘Grande Confinamento’ já está a afetar mais uns grupos do que outros” e concluiu que o maior indício de vulnerabilidade económica neste período é determinado pela situação económica anterior, o que “comprova a natureza não democrática e assimétrica da atual pandemia”.

Entre os setores mais afetados destacou-se o do alojamento e da restauração, no qual 62% das empresas encerraram temporária ou definitivamente (55% e 7%, respetivamente), segundo dados do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística (INE), ao qual estão associados salários baixos e precariedade nos vínculos laborais.

A este grupo juntaram-se ainda os trabalhadores independentes, com mais de 145 mil a terem pedido até 13 de abril o acesso à medida extraordinária de redução da atividade económica.

Simultaneamente, os investigadores assinalaram que “o desemprego registado está a aumentar a um ritmo acelerado (mais 32 mil desempregados registados no espaço de cerca de duas semanas) e o recurso ao ‘lay-off’ atinge números inimagináveis”.

Com efeito, entre 31 de março e 14 de abril, o número de empresas neste regime subiu 20 vezes (de 3.361 para 69.114) e o número de trabalhadores foi multiplicado por 13 vezes (de 72.507 para 938.821).

De acordo com o inquérito, estima-se que cerca de um terço dos trabalhadores por conta de outrem estejam em ‘lay-off’ e que esse regime foi especialmente aproveitado por micro e pequenas empresas (até 10 trabalhadores), que representaram 79% dos pedidos. Por isso, o estudo manifestou a dúvida se o regime de ‘lay-off’ não será “uma antecâmara do desemprego”.

Paralelamente, o documento do COLABOR considerou que “o padrão de especialização” e a “estrutura de qualificações” da população nacional condicionam o potencial do teletrabalho.

Aliás, o estudo indicou que trabalhar a partir de casa “produz desigualdades” entre aqueles que podem facilmente desempenhar as suas funções nesse modelo e os que não podem, bem como entre homens e mulheres, que continuam mais presentes nas tarefas domésticas.

“As condições de implementação de teletrabalho suscitam também tensões no modo de organização do trabalho, aqui também ilustradas, que vão para além da difícil gestão de espaços comuns de trabalho e de vida familiar, incluindo também a própria gestão de tempos de trabalho”, acrescentou ainda o estudo, reforçando que “consoante aumenta o número de indivíduos que compõe o agregado, também crescem as dificuldades económicas”.

Perante 40% dos inquiridos a admitir já ter perdido ou estar em vias de perder rendimentos brevemente, os investigadores concluíram que se não forem melhoradas as respostas públicas a nível nacional e europeu, “o desemprego galopante refletir-se-á no aumento considerável da desigualdade de rendimento e da pobreza relativa e absoluta”.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, onde já morreram 687 pessoas, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

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Enfermeiros começam hoje greve de cinco dias

“Estão cansados, exaustos e desmotivados”

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Foto: Ilustrativa / DR

Os enfermeiros iniciam hoje uma greve de cinco dias, um protesto convocado pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) contra o desgaste e desmotivação destes profissionais, e que o sindicato decidiu manter apesar dos números mais recentes da pandemia.

A greve, que decorre entre hoje e sexta-feira, 13 de novembro, foi convocada a 23 de outubro e em declarações à agência Lusa nesse dia, o presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, disse ter a certeza de que a população estará ao lado dos enfermeiros, que “têm feito muitos sacrifícios ao longo dos anos”.

“Mantemos a intenção da greve, obviamente que vai haver constrangimentos, mas pretendemos que sejam os mais limitados possíveis, nomeadamente no combate à pandemia de covid-19”, disse, por seu lado, Jorge Correia, do Sindepor, no final de uma audiência com o Presidente da República na semana passada.

Jorge Correia sublinhou que a paralisação de cinco dias “é mais do que uma greve, é um grito de alerta”, porque os enfermeiros “estão cansados, exaustos e desmotivados” e se há um consenso por parte da sociedade e dos partidos políticas sobre a importância dos profissionais de saúde “é essencial que isso se concretize em medidas”.

A greve está convocada para todo o território nacional, com exceção da região autónoma da Madeira.

Segundo o presidente do Sindepor, o sindicato exige o descongelamento das progressões da carreira, a atribuição do subsídio de risco para todos os enfermeiros e, sendo “uma profissão de desgaste rápido”, a aposentação aos 57 anos.

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Morreu Cruzeiro Seixas, vulto do surrealismo europeu e bom amigo de Famalicão

Óbito

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Foto: DR

O artista plástico Artur do Cruzeiro Seixas morreu hoje no Hospital Santa Maria, Lisboa, aos 99 anos, revelou a Fundação Cupertino de Miranda, com sede em Famalicão.

“A Fundação Cupertino de Miranda lamenta profundamente a perda deste vulto da Cultura Nacional, que apoiou e acompanhou ao longo dos anos”, lê-se no comunicado que a fundação divulgou no Facebook.

Artur do Cruzeiro Seixas, nascido na Amadora em 03 de dezembro de 1920, doou a sua coleção em 1999 à Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão, onde está situado o Centro Português de Surrealismo e onde está patente uma exposição permanente com as obras do autor.

Cruzeiro Seixas, um dos nomes fundamentais do Surrealismo em Portugal, é autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objetos/escultura.

Em outubro tinha sido distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo “contributo incontestável para a cultura portuguesa”, ombreando, com Mário Cesariny, Carlos Calvet e António Maria Lisboa, como um dos nomes mais revelantes e importantes do Surrealismo em Portugal, desde finais dos anos 1940.

Cruzeiro Seixas S:Titulo – Centro Português de Serigrafia

Cruzeiro Seixas, cuja obra está representada em coleções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão, faria cem anos a 03 de dezembro.

Atualmente estavam em curso várias iniciativas que assinalariam os 100 anos de aniversário do artista plástico, nomeadamente exposições na Biblioteca Nacional de Portugal e da Perve Galeria, em Lisboa, ambas patentes até dezembro, e a edição da obra poética de Cruzeiro Seixas, iniciada em junho e que se estenderá até 2021.

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Acesso ao local de trabalho pode ser impedido se trabalhador tiver febre

Covid-19

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Foto: O MINHO / Arquivo

O acesso ao local de trabalho, a serviços públicos, escolas, espaços comerciais ou desportivos passa a poder ser impedido caso haja recusa da medição de temperatura corporal ou a pessoa tenha febre, segundo o decreto que regulamenta o estado de emergência.

No caso do local de trabalho, se o trabalhador tiver um resultado superior à normal temperatura corporal, ou seja, igual ou superior a 38ºC, não poderá aceder, mas considera-se a falta justificada.

Segundo o decreto publicado esta noite em Diário da República, “as medições podem ser realizadas por trabalhador ao serviço da entidade responsável pelo local ou estabelecimento, não sendo admissível qualquer contacto físico com a pessoa visada, sempre através de equipamento adequado a este efeito, que não pode conter qualquer memória ou realizar registos das medições efetuadas”.

Portugal entrou hoje em estado de emergência, desde as 00:00 até 23 de novembro, para combater a pandemia de covid-19.

O número de infeções e de internamentos hospitalares tem crescido de forma esponencial e segundo a Direção-Geral da Saúde, Portugal já registou 2.896 mortes e 179.324 casos de infeção.

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