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Cávado

Esta procissão em Esposende vai ser património imaterial

Procissão aos Enfermos, em Belinho

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Foto: Esposende Serviços TV

“O Município de Esposende pretende criar uma identidade territorial em torno da cultura, diferenciadora em relação aos demais municípios da região e do país.”

A afirmação do presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira foi proferida na apresentação da candidatura ao Minho Inovação, Estratégia de Eficiência Coletiva, Aldeias de Portugal e que tem como fundamento sociológico a Procissão aos Enfermos, em Belinho.

Benjamim Pereira suportou a ideia da aposta na cultura, no forte investimento municipal feito nessa área, sejam patrimónios materiais ou imateriais.

“Fazemos todos os possíveis para melhorar as condições de vida das pessoas, mas também conferimos grande importância à dimensão cultural, enquanto preservação de tradições e crescimento coletivo da população”, afirmou Benjamim Pereira.

O trabalho sociológico que está na génese do projeto estará a cargo do investigador Álvaro Campelo que recolherá depoimentos e material que vinca a profunda adesão popular à realização dos tapetes floridos que acolhem a passagem da Procissão aos Enfermos.

A vereadora com o pelouro da Cultura, Angélica Cruz desafiou a população a “participar no projeto, sentindo como um veículo para perpetuar uma tradição profundamente enraizada na comunidade de Belinho”.

“O Município de Esposende escolheu Belinho para integrar este projeto, porque é a aldeia que mais se aproxima dos objetivos estratégicos da ação”, vincou Angélica Cruz.

Por seu turno, Álvaro Campelo disse que o projeto pretende ser “um estudo histórico, uma interpretação antropológica e teológica sobre um património que reflete o pensar do mundo, neste caso, a visão religiosa”.

De resto, este investigador já desenvolveu idêntico trabalho sobre o Banho Santo de S. Bartolomeu do Mar, cuja candidatura a património imaterial está concluída e aguarda decisão e prepara-se para desenvolver um estudo sobre o trabalho em junco de Forjães.

Quase centenária, a Procissão aos Enfermos começou por marcar o fim da quarentena decorrente da peste, em 1922. Agora, realiza-se no domingo a seguir à Páscoa e adquire particular significado religioso, com a comunhão a chegar àqueles que se encontram acamados.

Por isso, quer o arcipreste de Esposende, Delfim Fernandes, quer o pároco de Belinho, José Ledo, entendem este trabalho como “fundamental para não se perderem referências e preservação da tradição”.

Este património imaterial com valor ímpar tem cativado cada vez mais atenções, não só em Portugal, como no estrangeiro. Ainda recentemente, em Bueu, Pontevedra, Espanha, os tapetes em flor de Belinho mereceram honras de destaque, no encontro internacional de “alfombras” que aí se realiza.

Esta postura enquadra-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas.

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