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Está a nascer em Celorico de Basto um mural florido que exalta a ‘Capital das Camélias”

Obra desenvolvida por alunos da Escola Básica de Gandarela

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Foto: CM Celorico de Basto

Pelo segundo ano consecutivo, Celorico de Basto não poderá celebrar a Festa das Camélias, mas o certame será evocado de uma forma especial. Na Escola Básica de Gandarela está a nascer um mural florido para homenagear a ‘Capital das Camélias’.

O mural está a ser pintado pelos alunos Micael Carvalho, Diogo Magalhães e Diogo Leite sob a orientação do professor e artista plástico Vítor Resende.

A iniciativa surge no âmbito do PIICIE – Projeto Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar, desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e pelo qual Vítor Resende está responsável, na área da Cerâmica, no concelho de Celorico de Basto. O objetivo do programa é combater a indisciplina e o insucesso escolar através, neste caso através das artes.

Já no ano passado, no âmbito do PIICIE foi realizado um painel de camélias gigante, de 42 metros quadrados, com 1.860 azulejos, envolvendo toda a comunidade escolar de Celorico de Basto.

Painel Coletivo de Azulejos. Foto: CM Celorico de Basto

O painel era para ser inaugurado na altura da Festa das Camélias, mas esta foi adiada devido à pandemia. E foi-o novamente este ano, mas o painel acabou por ser na mesma inaugurado no passado dia 22 de março.

“A Câmara de Celorico cedeu um espaço para a criação do ateliê de cerâmica e temos vindo a desenvolver trabalhos”, assinala a O MINHO Vítor Resende, salientando o empenho do Município, através do seu presidente, Joaquim Mota e Silva, e do vereador da Cultura, Fernando Peixoto, em implementar as artes plásticas no concelho.

O PIICIE é um programa que se estende a todo o concelho, mas na Escola Básica de Gandarela o professor tem um “grupo específico”, chamado Gandarela Art Wall, que queria fazer um painel de camélias próprio.

“Não tínhamos hipótese [de fazer um painel de azulejos] por questões de timing e também monetárias. Então optámos por, no âmbito do estudo da arte urbana, fazer um mural. Não é graffiti, é pintado a rolo e trincha”, salienta Vítor Resende.

O passo seguinte foi pedir autorização ao proprietário do muro, localizado em frente à escola, e assim começou a nascer a obra. “Vamos respeitar o muro, vamos deixar as pedras como estão. Vamos limpá-lo e pintar cada uma das pedras para que o seu conjunto faça o mural de Camélias da Gandarela”, vinca o artista plástico.

O mural está a ser pintado e a previsão é que seja inaugurado no início das aulas após a pausa da Páscoa. Ali ‘nascerão’ nove camélias.

Aprendizagem prática com resultados

Os três alunos envolvidos, com idades entre os 16 e os 18 anos, estão entusiasmados com o projeto. Vítor Resende considera que as artes e o ensino prático são uma importante ferramenta de combater o insucesso escolar e reduzir a indisciplina.

“Sou a favor do saber fazer, das artes e ofícios, do ensino informal. Defendo a criação de ateliês, de uma escola mais prática. Há alunos que têm vocação para seguir a via ensino e outros que querem ter uma vertente mais prática, e são esses com os quais eu mais trabalho e mais me identifico”, aponta o professor, salientado que o projeto “felizmente está a correr muito bem”.

Paralelamente, numa vertente de promoção do sucesso escolar, há o clube de cerâmica em que os alunos que têm manhãs ou tardes livres se inscrevem e frequentam e pelo qual também já passaram “dezenas de alunos”.

“Vamos continuar com o desenvolvimento das artes plásticas em Celorico de Basto, a apresentar obra pública e arte urbana. Vamos continuar a fazer coisas com artistas convidados e com a comunidade escolar, em parceria plena com o Agrupamento de Escolas e com a Escola Profissional, que, neste caso, ainda não se proporcionou por razões relacionadas com a covid. Mas assim que ficar mais calmo, vamos começar em força as atividades artísticas e continuar a colocar o nome de Celorico de Basto e Capital das Camélias no mundo”, garante Vítor Resende.

A Câmara de Celorico de Basto já tinha anunciado em fevereiro que, este ano, pela segunda vez consecutiva, não se realizaria a Festa Internacional das Camélias que “atrai milhares de visitantes e turistas” ao concelho.

“O sucesso da Festa Internacional das Camélias assenta na mobilização de toda a comunidade Celoricense, sendo que a comunidade escolar está a passar um momento difícil de adaptação a uma nova realidade, as instituições sociais estão sobrecarregadas de trabalho no apoio aos seus utentes, não podíamos pedir mais sacrifícios a quem já está em dificuldades e tem, neste momento, outras prioridades”, justificou, na altura, o presidente da Câmara, Joaquim Mota e Silva.

Realçando que “a natureza do certame, dependente da época de floração das Camélias, impede um adiamento”, o autarca deixou a garantia de que, “logo que possível”, o município começará a “trabalhar na preparação do evento para 2022”.

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