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País

Empresas florestais temem “grandes catástrofes” após menor procura na limpeza de terrenos florestais

Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA)

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Foto: DR / Arquivo

A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) diz que, independentemente da prorrogação do prazo de limpeza de terrenos florestais, este ano houve menos procura dos proprietários por estes trabalhos e teme “grandes catástrofes”.


“Se se conjugarem os fatores que se observaram em 2017, no que diz respeito às alterações climáticas, de todos esses picos que surgem de calor e ventos, vamos enfrentar este ano grandes catástrofes, não tenho dúvidas disso”, afirmou o presidente da ANEFA, Pedro Serra Ramos, em declarações à agência Lusa, considerando que a limpeza de terrenos florestais é um “problema de fundo”, que ultrapassa a questão do prazo.

Em relação à procura pelos trabalhos de limpeza de terrenos, “o ano de 2018 foi claramente atípico”, em consequência dos grandes incêndios em 2017, mas “em 2019 já houve menos limpeza e em 2020 já houve menos limpeza, porque as pessoas não têm dinheiro”, indicou o representante das empresas florestais, reforçando que tal é um ónus para os proprietários, sem contrapartidas na rentabilidade económica da floresta.

Em comparação ao registado em 2019, “este ano o número de privados, claramente, foi um número muito mais diminuto à procura de empresas para realizarem esse tipo de trabalho”, revelou.

Há casos de proprietários que se entretiveram a limpar os terrenos durante o período de confinamento devido à pandemia da covid-19: “Temos alguns casos de proprietários que o ano passado tinham contratado empresas e este ano não o fizeram, porque eles próprios trataram do assunto”, disse Pedro Serra Ramos.

Quanto à procura por parte de proprietários públicos, inclusive municípios, o responsável comentou que “ainda há concursos públicos a serem lançados”, o que dificulta o cumprimento do prazo, porque é preciso avaliar propostas e, depois, escolher quem faz o trabalho.

A pandemia da covid-19 fez com que muita da indústria florestal tenha ‘stock’ suficiente de madeira nas fábricas, o que significa que há muita madeira que estava pronta para ser cortada e que ficou por cortar, podendo “ter um impacto naquilo que são os incêndios durante o verão, durante a época mais quente”, alertou.

No âmbito do trabalho das empresas, registam-se problemas associados à mão-de-obra: “continua a faltar meios profissionais”, expôs Pedro Serra Ramos, explicando que estão a surgir “muitas novas empresas”, mas que “não estão convenientemente preparadas” para a realização destes trabalhos.

Em termos dos preços, “há alguma contradição”, com algumas situações de aumento dos valores, em particular no caso dos concursos públicos, e com as novas empresas a apresentarem, sobretudo para os proprietários privados, “preços esmagados com que as empresas que normalmente trabalham nessa área não conseguem competir”.

Relativamente ao impacto da pandemia no trabalho das empresas florestais, o dirigente apontou a dificuldade nas deslocações para fora dos concelhos, em que “houve por várias vezes barramento às carrinhas de pessoal”, e os custos acrescidos na implementação das normas de segurança contra a covid-19, inclusive o transporte dos trabalhadores e as máscaras de proteção individual, o que “obriga as empresas a investir mais em cada trabalho que realizam”.

Sobre a prorrogação do prazo de limpeza de terrenos florestais, primeiro de 15 de março para 30 de abril e depois para 31 de maio, na sequência das medidas excecionais e temporárias relativas à pandemia da covid-19, o representante sublinhou que “o problema é de fundo e não propriamente relacionado com o prazo de realização dos trabalhos”.

A questão é sobretudo a forma como se procura “colmatar o problema do desordenamento urbano com a obrigatoriedade de realização de uma limpeza que em nada é amiga do ambiente nem da floresta”.

Na perspetiva da ANEFA, a legislação obriga a “uma limpeza que não se coaduna com os princípios da biodiversidade e da sustentabilidade”, pelo que já deveria ter sido revista, para compatibilizar a proteção das zonas periurbanas com uma exploração florestal eficiente e sustentável.

“No momento em que traçarmos as áreas que nos estão a obrigar a limpar em torno das áreas urbanas, se calhar vamos chegar à conclusão de que vamos perder grande parte da área florestal deste país”, advertiu Pedro Serra Ramos, adiantando que essa aérea tem um significado importante na preservação do setor.

Contra as atuais ações de limpezas que em “nada ajudam” a gestão florestal, a associação propõe que se encontrem soluções para que a floresta seja mais rentável e se evitem as situações de abandono por parte dos proprietários.

Questionado sobre a possibilidade de uma nova prorrogação do prazo de limpeza de terrenos, o representante avançou que seria um contrassenso e poderia ser “um risco elevado”, em consequência das condições meteorológicas. Este tipo de trabalhos, lembrou, “estão proibidos em alturas em que o risco de incêndio é elevado, portanto os trabalhos têm mesmo de parar por força da lei”.

De acordo com a lei do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, após o prazo para assegurarem a gestão de combustível florestal, que foi prorrogado até 31 de maio, os proprietários ficam sujeitos a coimas, em caso de incumprimento, que variam entre 280 e 120.000 euros.

No âmbito da Operação Floresta Segura 2020, GNR identificou já 23.968 situações em incumprimento na limpeza de terrenos.

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País

Ventura promete que com ele “coligações nem vê-las”

Política

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Foto: Chega TV

O presidente do Chega garantiu hoje que enquanto for ele o líder do partido não haverá quaisquer coligações com outras forças partidárias, preferindo esperar para ser o Governo de Portugal.

“Como presidente eleito do Chega, com a legitimidade que me dá a eleição por 99% dos militantes de todo o país deste partido, eu quero dizer uma coisa: enquanto eu me sentar naquela cadeia ali do meio – coligações nem vê-las!”, prometeu André Ventura.

O líder do partido nacional populista protagonizava a sua segunda e mais longa intervenção (39 minutos) do primeiro dia de trabalhos da II Convenção Nacional, entrecortado por gritos eufóricos pelo seu nome e palmas, sublinhando a característica “antissistema” da sua força política.

“Escusam de andar mendigar pelas distritais a tentar convencer o nossos com acordos. Enquanto eu for presidente deste partido isso não vai acontecer. Mesmo quando nos disserem que é fundamental para governar ou para a estabilidade, nós respondemos com esta profundidade religiosa: preferimos esperar para ser o Governo de Portugal do que ser muleta de uma partido do sistema”, disse.

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País

TAP retoma voos regulares entre Lisboa e Luanda a partir de 2.ª feira

Covid-19

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Foto: DR

A TAP anunciou hoje que vai retomar os voos regulares entre Portugal e Angola, a partir de segunda-feira, data em que o Governo angolano reabre o espaço aéreo a voos internacionais.

Num comunicado, a transportadora aérea precisa que a operação regular da TAP inclui três voos semanais, às segundas, quartas e sextas, com saída de Lisboa às 13:55 e no sentido inverso, com saída de Luanda às 23:20.

A TAP lembra ainda que nunca deixou de fazer voos entre Portugal e Angola, já que ao longo dos últimos meses efetuou vários voos de repatriamento entre os dois países.

O plano de retoma de operações da TAP, que agora inclui voos comerciais para Luanda, será ajustado sempre que as circunstâncias o exijam, face à dinâmica das imposições e restrições dos vários países e mercados, em virtude da evolução da pandemia, bem como da procura, afirma a companhia aérea.

Em 09 de setembro, a TAP já tinha dito à Lusa estar preparada para retomar os voos entre Portugal e Angola logo que fossem levantadas as restrições motivadas pela pandemia, mas que queria reiniciar a operação com quatro voos semanais para Luanda.

O Governo angolano anunciou, então, que vai reabrir o espaço aéreo a voos internacionais a partir de 21 de setembro, tendo reaberto a voos domésticos em 14 de setembro, deixando de ser necessária autorização para entrar no país.

Angola fechou as suas fronteiras aéreas em 20 de março.

O país conta atualmente com 3.848 casos de covid-19 e 147 óbitos.

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País

ARS-N admite saldar em breve dívida de 100 mil euros aos bombeiros do distrito do Porto

ARS Norte

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Foto: DR

A Administração Regional de Saúde (ARS) Norte admitiu hoje à Lusa pagar nos próximos dias a dívida de 100 mil euros pelo transporte de doentes reclamada pela Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto.

Depois de num primeiro contacto ter remetido para segunda-feira uma resposta sobre a reclamação feita hoje à Lusa pelo presidente da federação, José Miranda, a ARS fez uma atualização da informação prestada.

“Informamos que a liquidação da dívida existente relacionada com o transporte de doentes pelos bombeiros está prevista para os próximos dias”, lê-se na segunda resposta da ARS Norte à Lusa.

Segundo José Miranda, a ARS Norte deve mais de 100 mil euros às corporações de bombeiros do distrito do Porto, resultado do não pagamento das comparticipações desde junho.

“Desde há muito que prestamos serviço à ARS e aos hospitais no transporte de doentes. Os hospitais, tendo autonomia, pagam por eles, enquanto os restantes são pagos pela ARS, sendo que o contratualizado foi o pagamento a 60 dias”, disse José Miranda à agência Lusa.

Segundo o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito do Porto, “neste momento, em cima dos 60 dias contratualizados, estamos com quase mais de um mês de atraso. Ora, estando-se a viver um período de pandemia, em que os gastos são muito superiores, devido a termos de adquirir equipamento de proteção individual, as associações estão com problemas graves”.

“Há corpos de bombeiros que já têm vencimentos em atraso”, observou o presidente da federação distrital, revelando que as verbas da ARS “estão atrasadas desde junho” e que o valor em atraso “supera os 100 mil euros”.

Este problema, identificou José Miranda, “abrange cerca de 40 corporações do distrito do Porto” e a única resposta da ARS ao pedido de esclarecimento foi de que “estavam a desenvolver esforços para proceder ao pagamento”.

José Miranda disse à Lusa “estranhar a situação”, porque “nas outras ARS as situações estão em dia” e revelou ter “dado conhecimento da situação ao presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, que é quem representa o Governo no distrito, para tentar interceder junto de quem de direito”.

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