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Empresas de pirotecnia defendem que Governo deve acabar com as proibições “cegas”

Durante as Festas da Agonia, em Viana do Castelo, o Presidente da ANEPE, que é, também, proprietário da Pirotecnia Minhota, já se tinha queixado da “medida surreal” de proibir o fogo-de-artifício no local da Serenata, devido ao alerta vermelho que se encontrava, na altura, em vigor

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Foto: YouTube de VianaFestas (Arquivo)

A Associação Nacional de Empresas de Pirotecnia e Explosivos (ANEPE) defendeu hoje que o Governo deve terminar com as proibições totais de lançamento de fogo-de-artifício em meio urbano quando é emitido o alerta vermelho especial.

Em declarações aos jornalistas, no aeródromo da Lousã, no distrito de Coimbra, onde decorrem exercícios para testar a perigosidade dos vários engenhos pirotécnicos, o presidente da ANEP, que é também proprietário da Pirotecnia Minhota, empresa com sede em Santa Cruz do Lima, Ponte de Lima, considerou que as proibições decretadas em agosto do ano passado são “medidas cegas, completamente absolutistas”.

“Entendemos que devíamos realizar este estudo para provar que o fogo-de-artifício não é responsável pelos incêndios florestais e para apresentar ao Governo, de modo a tentar evitar as proibições integrais, para bem das próprias comunidades, que têm as suas festas, e de toda uma economia que rola em volta”, frisou David Laranjo Costa.

O estudo para testar a perigosidade dos engenhos pirotécnicos foi solicitado pelas três associações do setor, que agregam 40 empresas licenciadas, à Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que integra o Centro de Estudos de Fogos Florestais, liderado pelo investigador Xavier Viegas.

Com este estudo, que deverá ficar concluído no final de abril, a ANEP e as outras associações do setor pretendem “que fogos-de-artifício feitos em plenos centros urbanos, em rios e em locais que não ofereçam qualquer tipo de risco e devidamente licenciados pelas autoridades locais” não sejam proibidos.

Segundo David Laranjo Costa, o setor terá faturado em 2018 menos 30% dos habituais 40 milhões de euros anuais devido às proibições emitidas em três fins-de-semana de agosto, o “que representa muito para as empresas, que estão, por outras normas legislativas, obrigadas a fazer investimentos avultados e que vivem na insegurança de saber se os conseguem pagar”.

O presidente da ANEP referiu ainda que, nos últimos 10 anos, não houve qualquer incêndio provocado pelo lançamento de artigos de pirotecnia, e que a percentagem de ignições prontamente apagadas é de 0,01%.

Para o professor José Carlos Costa, presidente da Associação Portuguesa de Estudos e Engenharia de Explosivos (AP3E), que também participa no estudo, o lançamento de engenhos pirotécnicos por profissionais em locais licenciados “estão totalmente salvaguardados”.

“Muito do que as associações pretendem é que possa haver algum critério quando se decreta a proibição, não ser um critério unicamente em função das temperaturas elevadas sem ver o local e o tipo de artigos pirotécnicos”, sublinhou.

Segundo o especialista, que é professor na FCTUC, “o problema está em tomar todo o tipo de artigos de fogo-de-artifício como todo igual quando não o é, como os locais de lançamento não são iguais em todo o lado”, disse aos jornalistas.

Em 2018, “revoltou-me ver comentadores de televisão a falarem em foguetes”, que estão proibidos no período crítico, emitindo “opiniões que confundem a opinião pública por não serem verdade”.

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O estudo que está a ser realizado procura analisar o “desvio que os artigos tomam, ver se há vestígios de material incandescente, quer de resíduos ou de cargas que possam não ter rebentado, e ver qual é a dimensão que esses produtos tiveram em dispersão no solo relativamente ao ponto de lançamento e medir em simultâneo o ruído dos engenhos e a altura de elevação”.

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