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Empresários do Minho defendem ligação ferroviária à Galiza para potenciar conexão a França

Mobilidade

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO / Arquivo

A Confederação Empresarial da Região do Minho (Confminho) assinalou hoje que concluir uma nova ligação ferroviária até Vigo permitirá potenciar a ligação do Norte de Portugal a outras regiões de Espanha, nomeadamente o industrializado País Basco, e até a França.

“Com as vias rápidas que neste momento já existem, e se colocarmos a via férrea como uma opção muito interessante, particularmente nas mercadorias, eu penso que há aqui um potencial enorme de interligação que não se resumirá só à Galiza”, disse hoje à Lusa Luís Ceia, presidente da Confminho.

O responsável referia-se à futura ligação ferroviária até Vigo, investimento que defendeu juntamente com a Confederação de Empresários de Pontevedra (CEP) na quarta-feira, concretizando um corredor de altas prestações desde Lisboa até à Galiza.

Porém, Luís Ceia lembrou que concretizar esta ligação poderia também ligar Portugal às Astúrias, Cantábria, Castela e Leão e até ao País Basco.

“O País Basco é uma zona com uma forte componente industrial, particularmente na área da metalomecânica pesada”, salientou, lembrando ainda à Lusa que uma ligação com aquela comunidade autónoma também implica “a ligação a França”.

Segundo Luís Ceia, que se referia à opção estratégica portuguesa de ligação ferroviária à Europa, “entre Lisboa e Madrid a densidade populacional é reduzida, ou seja, não haverá grandes urbes, e praticamente o comboio não faria uma paragem, ou se faria quase que não se justificaria”.

Fazendo a ligação pelo Norte de Portugal e pela Galiza, implicam-se “territórios que têm densidade populacional grande”, permitindo “a entrada das pessoas em diferentes pontos” do percurso.

Já acerca do interesse da Arriva em reavaliar o projeto de ligar o Porto à Corunha, noticiado na terça-feira pela Lusa, Luís Ceia considerou que todos teriam “a ganhar com a concretização desse novo itinerário, ainda por cima com um novo operador”, considerando que “o mercado neste momento já o justifica”.

Para Luís Ceia, “se a empresa se atreveu a avançar com uma proposta desse género, é porque constatou, de facto, que há uma lacuna de mercado que pode ser coberta e até estimulada com o aparecimento dessa nova alternativa, particularmente nas mercadorias, e também nos passageiros”.

A empresa alerta que apenas se se derem “as condições oportunas o projeto, pode ser executado”, apontando essas condições: “recuperação da procura, que se resolvam os aspetos de infraestruturas” e ainda “acesso a material circulante”.

Em 2018, o grupo Arriva, através da companhia Arriva Spain Rail, pediu à Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC) espanhola autorização para operar numa nova linha entre as duas cidades. A autorização para operar este serviço foi concedida em 2019 pelo regulador espanhol.

Sobre as mercadorias, intenção que a Arriva para já não confirmou oficialmente, o responsável associativo crê que “seria muito bom para a região”, já que abrangeria “o porto da Corunha, eventualmente Leixões, inclusivamente passando a ligação também a Vigo e porque não, também, ao porto de Viana do Castelo”, que atualmente não dispõe de ramal ferroviário.

No dia 20 de abril, o presidente da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), António Nabo Martins, disse à Lusa que “a ferrovia no Norte apresenta ainda limitações muito grandes, de há muitos anos”.

“Tem tido um bom desenvolvimento a nível de passageiros, mas de mercadorias nem tanto”, considerou.

António Nabo Martins deu como exemplo a recente eletrificação na linha do Minho, que “permite fazer algumas mercadorias, mas essencialmente são mercadorias que atravessam a fronteira”.

“Se formos ver, entre Leixões e Valença/Vigo, eu diria que não há um único local onde se possa carregar um comboio, nem sequer no porto de Viana [do Castelo], infelizmente”, constatou.

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