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Desporto

Emigrante milionário de Vieira do Minho estreou-se nos ralis portugueses em Fafe

Fundador da Altice

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Foto: Divulgação

O nome de Armando Pereira não lembra muito corridas que não envolvam ações, empresas e telecomunicações. Mas um dos emigrantes portugueses com maior sucesso no estrangeiro é uma figura conhecida no mundo dos Mundiais de Rali (WRC) e este fim de semana estreou-se em competições portuguesas, durante o Rali Fafe Montelongo.

Natural de Guilhofrei, Vieira do Minho, Armando é conhecido por ter sido um dos fundadores da empresa de telecomunicações francesa Altice, que adquiriu a Portugal Telecom.

Esteve ao volante do protótipo mais moderno de um Ford Fiesta WRC, viatura anteriormente conduzida por pilotos campeões como Sebastien Ogier e Elfyn Evans. Armando conseguiu ser o mais rápido em pista na prova de Regional, onde competiu.

Em declarações reveladas pelo gabinete de comunicação do Rali Fafe Montelongo, o empresário recorda que este rali passava praticamente à porta de casa (Guilhofrei).

“Como é aqui em Portugal e na minha terra, faço-o com muito prazer e com muito gosto. Os ralis são uma paixão que eu sempre tive e a gente faz as coisas de acordo com o que é possível. Desde 1991 comecei a interessar-me pelas corridas e desde essa data que faço ralis até hoje”, disse.

Com 65 anos, Armando Pereira admite ter sete carros WRC na ‘garagem’, assim como um modelo R5. “Chegam para andar a vida toda”, brinca.

“Faço poucos ralis. Alinho nos que posso, não mais de cinco, seis por ano, porque tenho pouco tempo. Tenho feito o que considero mais interessante para mim e o que melhor conheço, o Rali da Córsega, que não houve este ano, mas que regressará em 2021. Faço alguns do Campeonato de França e de campeonatos de países vizinhos da França, como da Suíça ou da Alemanha”, acrescentou.

Em França, o vieirense já disputou vários ralis. No Rali da Córsega, Armando pilotou por nove vezes, entre 2001 e 2018. Em 2019 estreou-se no mítico Rali Monte Carlo.

Infância humilde aos milhões

Em entrevista à revista Sábado, Armando Pereira conta que tinha 11 anos quando deixou de estudar e se mudou de Vieira do Minho, onde vivia com os irmãos e com os pais, agricultores, para Espinho, para casa de uma tia materna.

Trabalhou como canalizador até aos 14 anos, altura em que decidiu emigrar para França.

“Vesti dois pares de calças e duas camisolas e pus 2 mil escudos (593 euros, aos preços de hoje) no bolso. Foi tudo o que levei”, explicou.

Com 24 anos, já tinha 1.500 pessoas a trabalhar sobre sua supervisão, na área das redes de telecomunicações. Aos 44, tornava-se milionário, depois de vender uma empresa (Sogetrel) que fundou.

Em 2002, foi um dos co-fundadores da Altice, que tem vindo a adquirir operadoras de telecomunicações um pouco por todo o mundo, como foi o caso da Portugal Telecom.

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