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Braga

Em Braga Jerónimo foi apoiar os que trabalham com o que podem para pôr autocarros na rua

Eleições autárquicas 2021

em

Foto: CDU

O secretário-geral do PCP visitou hoje as oficinas dos Transportes Urbanos de Braga e entre o roncar dos motores dos autocarros alertou para uma realidade de desigualdades e desinvestimento em relação a outras empresas municipais de transportes públicos.

Um aperto de mão aqui, um “como está?” mais à frente. Jerónimo de Sousa entrou nas oficinas dos Transportes Urbanos de Braga e fez questão de cumprimentar todas as pessoas que encontrou. Entre os cumprimentos, algumas declarações de admiração.

“Não sou do seu partido, mas tenho muito apreço por si”, disse um dos trabalhadores ao dirigente comunista, que ficou visivelmente agradado com o que ouviu.

“Deixe estar, também foi assim comigo durante muito tempo”, disse Jerónimo a outro funcionário que se preparava para retirar as luvas para o poder cumprimentar. Antigo operário metalúrgico, o secretário-geral do PCP navegou sem estranheza pela oficina e ainda trocou umas impressões com os trabalhadores.

A campanha autárquica da CDU parou nesta oficina para expor um problema: aqui faz-se o que se pode com o que se tem à mão.

A oficina, com 30 trabalhadores, está responsável pela manutenção dos autocarros que conduzem os 230 motoristas da empresa. Os autocarros são antigos e as peças para substituir as estragadas também o são. As fissuras e o estado degradado de alguns veículos são visíveis a olho nu.

Visão que contrasta com outras empresas de capital público do mesmo tipo, como, por exemplo, a STCP, no Porto, ou a Carris, em Lisboa, contestou Manuel Sousa, delegado sindical.

Enquanto para outras empresas são anunciados e chegam autocarros novos, nesta, prosseguiu, a frota foi quase toda adquirida em segunda mão.

“Nós, os trabalhadores, e a população de Braga não temos os mesmos benefícios que há na Carris e na SCTP. Dou um exemplo, para a Carris e para a STCP quando é preciso chegam às centenas de autocarros novos e nós obrigam-nos muitas vezes a comprar autocarros em segunda mão”, expôs.

Evidenciando que estes trabalhadores não pararam durante os confinamentos, independentemente da pandemia, o secretário-geral comunista criticou “a ausência de indemnizações compensatórias por parte do Estado a esta empresa, que num esforço tremendo” está a tentar “recuperar viaturas” desgastadas.

Jerónimo de Sousa acrescentou que o Governo tem de capacitar a empresa em função “do aumento da oferta”, já que Braga tem mais 11.000 habitantes, mas os autocarros não chegam.

Na opinião do dirigente comunista, os funcionários da Transportes Urbanos de Braga já fazem a sua parte. Falta o Governo.

“Com o esforço e empenhamento dos trabalhadores, com políticas estruturais, particularmente em relação aos transportes, o aumento [do número] de autocarros, comboios, podemos ter aqui um caminho de progresso, de desenvolvimento, tanto no plano regional, como no plano nacional”, sustentou.

“Ainda vamos acabar a ganhar o salário mínimo”, dizia, em tom de lamento, um dos trabalhadores pouco antes da chegada do secretário-geral do PCP.

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