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Braga

“Em Braga, as pessoas quase são forçadas a conduzir um carro”

Afirma o presidente da Braga Ciclável

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Foto: Braga Ciclável / Arquivo

A utilização da bicicleta como modelo de mobilidade urbana, funcional, é um desafio para os transeuntes na cidade de Braga. O presidente da Associação Braga Ciclável, Mário Meireles, pede “infraestruturas e pedagogia” para diminuir o tráfego automóvel na cidade e para integrar a bicicleta no espaço público. A Autoridade Nacional de Segurança Pública Rodoviária contabilizou 646 acidentes durante três meses do presente ano, no distrito de Braga.

 “Não é uma ditadura da bicicleta o que se pretende, mas sim um equilíbrio. Garantir que na cidade há espaço para todos. Hoje em dia vivemos sim, uma ditadura do automóvel. Em Braga, as pessoas quase são forçadas a conduzir um carro”, afirma o presidente da Associação Braga Ciclável.  

“É necessário adequar as infraestruturas da cidade ao uso de bicicleta, para as pessoas poderem sentir-se atraídas. Se pequenas áreas da cidade forem redesenhadas, mais pessoas poderão beneficiar de modos ativos de mobilidade”, afirma Mário Meireles, enquanto aponta “a acalmia do tráfego, as zonas 30, a criação de ciclovias, corredores para os transportes públicos e a costura das várias artérias da cidade”, como prioridades para Braga atingir uma modelo sustentável de mobilidade.

Mário Meireles. Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

No distrito de Braga, entre janeiro e abril de 2021, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) contabilizou 646 acidentes de viação, 7 vítimas mortais, 41 feridos graves e 758 feridos ligeiros. Os números de acidentes colocam o distrito de Braga unicamente atrás de Lisboa e Porto.

Mário Meireles já foi vítima de um acidente provocado por um automóvel, enquanto pedalava em cima de um velocípede. Hoje conduz uma bicicleta adaptada, para transportar a filha e as compras do supermercado. Nesses afazeres, por vezes, opta pelo passeio. “O carro tem um potencial letal e quanto maior for a velocidade do carro, maior é o risco para terceiros. Algumas avenidas da cidade são verdadeiramente assustadoras para utilizadores de bicicleta. O medo do atropelamento atira os ciclistas para os passeios”, explica Mário sobre o receio dos ciclistas funcionais.

Conforme noticiou O MINHO, no início do mês, cerca de meia centena de ciclistas concentraram-se em vigília, na Praça da República, em Braga, homenageando as vítimas de atropelamento e reclamando uma nova legislação nas cidades para evitar mais tragédias. “Há 1 atropelamento a cada 3 dias em Braga”, comenta Mário Meireles.

A Câmara de Braga investindo 3 milhões de euros está a proceder à requalificação integral da Variante da Encosta, com ligação à Universidade do Minho. O projeto visa a acalmia de tráfego, 7 quilómetros de ciclovia e 20.000 m2 de percurso pedonal.

Protesto em Braga contra os atropelamentos. Foto: Divulgação

“Todos os investimentos que melhorem a mobilidade dos modos ativos são bons investimentos. No entanto, falta um pouco de ambição aos projetos camarários que conhecemos, pois não produzem efeitos de rede. A título de exemplo, faltam ciclovias na rodovia, na 31 de Janeiro e na Avenida da Liberdade”, afirma Meireles que, além de presidente da Associação Braga Ciclável, é doutorado em Sustentabilidade do Ambiente Construído.  

Mário Meireles considera essencial um equilíbrio na divisão do espaço público destinado à mobilidade na cidade de Braga. “É preciso democratizar o espaço público. Nas grandes avenidas da cidade, 80% do espaço está reservado ao automóvel e 20% ao peão. O que nós defendemos é uma gestão de espaço que permita às pessoas eleger a melhor opção de mobilidade. Se preferem o carro, podem ir de carro, se preferem a bicicleta, podem ir de bicicleta, o mesmo para os peões e para os passageiros de transportes públicos”, afirma o “Bicycle Mayor of Braga”.

A diminuição da circulação de carros na cidade, após a criação de infraestruturas propícias à mobilidade alternativa, advém de “campanhas de promoção para o uso de bicicleta e consciencialização dos cidadãos para o efeito”, conclui Mário Meireles com referência para as boas práticas europeias, com destaque para a Bélgica, que paga aos trabalhadores por guiarem bicicletas nas suas deslocações para o trabalho.

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