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Braga

“É inaceitável que as pessoas não estejam protegidas em serviços públicos”

Reação do presidente de associação luso-ucraniana com sede em Braga

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Abraão Veloso. Foto: Embaixada da Ucrânia em Portugal

Abraão Veloso, presidente da Associação “Centro Social e Cultural Luso-Ucraniano”, com sede em Braga, lamentou hoje as alegadas agressões sofridas por um cidadão com nacionalidade ucraniana dentro de uma esquadra da PSP em Vila do Conde, noticiadas no sábado em primeira mão por O MINHO e pelo Jornal de Notícias.

Contactado a propósito para comentar a situação, Abraão Veloso fez questão de ressalvar que esta reação é como cidadão, independentemente de a situação de violência se ter tratado com um ucraniano.

“Por acaso era um cidadão ucraniano, mas podia ser de outro país qualquer, e aquilo que não é minimamente aceitável é que as pessoas não estejam protegidas em serviços públicos”, começou por dizer o dirigente daquela associação que estreita laços entre as duas comunidades.

Recorde-se que Valery Polosenko, cidadão com dupla nacionalidade, queixa-se de ter sido agredido e alvo de insultos xenófobos por parte de agentes da PSP de Vila do Conde, depois de ter sido mandado parar numa operação de fiscalização. Segundo explicou a O MINHO Alexandra Cruz, advogada de Valery Polosenko, o cidadão terá sido agredido pelos agentes no passado dia 06, quando foi detido com uma taxa ilegal de álcool no sangue.

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Depois de passar pela esquadra da Póvoa de Varzim e pelo posto da GNR de Vila do Conde, foi levado para a esquadra de Vila do Conde da PSP onde as agressões terão decorrido com maior intensidade, algo que a PSP sustenta ter-se tratado de um encosto contra uma parede durante a manietação de Valery.

Abraão Veloso sustenta que essa situação, assim como a que ocorreu em Lisboa, nas instalações do SEF, que provocou a morte de um cidadão ucraniano, devem ser analisadas para que se perceba se são casos isolados ou se é “prática reiterada”.

“Não é aceitável que numa esquadra um cidadão, seja de que nacionalidade for, seja vítima de violência. A Polícia teve uma grande evolução nas últimas décadas e tenho a certeza que não se sente representada em atos de violência, apenas deve respeitar os cidadãos e aplicar o enquadramento legal daquilo que a pessoa está a prevaricar”, sublinha.

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No entanto, Abraão não crê que estas situações possam beliscar a relação de amizade entre os dois países, bem vincada na associação a que preside, que, para além de todo o contributo cultural de laços entre os dois países, também luta contra preconceitos e contra a xenofobia.

Esse é, aliás, um tema caro a Abraão Veloso, que vê com preocupação o escalar de forças de índole racista a ascenderem a posições de poder e isso poderá ter sido verificado nos alegados insultos xenófobos a Valery por parte dos agentes da PSP.

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“A realidade é que estas forças existem e agora estão no Parlamento. Temos uma boa oportunidade para lutar contra elas e temos de lutar contra elas ao nível das ideias. Por isso eu faço esta pergunta: Será aceitável que um deputado da nossa Assembleia diga de outra deputada, Joacine Katar, para ir para a terra dela?”, questiona, de forma retórica.

“Acho que isto não é minimamente aceitável e que induz comportamentos, e isso pode ver-se caso seja provado que os policias disseram o mesmo [durante a detenção em Vila do Conde]. Há que lutar contra isto. A terra não é de quem cá nasceu. É de todos aqueles que a escolheram para viver e ter a sua família e serem felizes”, destaca.

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“O problema de movimentos como o Chega é de certo modo de lavarem determinados comportamentos. Se o deputado diz isso, esquecendo que ela é, em primeiro lugar, portuguesa, há um lavar de comportamentos de pessoas pouco formadas e pouco humanistas que acham que são donas de uma terra quando não são donos de nada”, afirma.

“É lamentável a defesa de princípios xenófobos e racistas, é uma forma de estupidez, e há que haver inteligência para que as pessoas de bem deem um contributo e estejam preparadas para argumentar, pois só assim se combate este tipo de ideologia”, finalizou.

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