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Documentário homenageia montanhas de Arcos de Valdevez, a “terra do nevoeiro”

“Festa do Emigrante” é lançado amanhã
Documentário homenageia montanhas de arcos de valdevez, a “terra do nevoeiro”

O documentário “A Festa do Emigrante” vai ser lançado este domingo, às 09:30, na sede da União de Freguesias de Portela e Extremo, em Arcos de Valdevez. A película tem produção e direção científica de Rebeca Blanco-Rotea, investigadora da Universidade do Minho, e realização de Sara Traba, já premiada no Festival Ibérico de Cinema.

A obra é uma homenagem às aldeias de montanha arcuenses, a chamada “terra do nevoeiro”, retratando a ligação entre pessoas, paisagens e património. Foca ainda os fortes seiscentistas de Bragandelo e Pereira, que são dos mais bem conservados do género no mundo e estão ligados à guerra da Restauração da Independência. Desde 2018, equipas da Unidade de Arqueologia da UMinho e do grupo Síncrisis da Universidade de Santiago de Compostela têm aí feito escavações. O documentário nasceu daí, no âmbito do pós-doutoramento de Rebeca Blanco-Rotea, que agora prossegue a investigação no Laboratório de Paisagens, Património e Território​ (Lab2PT) da UMinho e tem o apoio da Direção-Geral do Património Cultural português.

“O documentário é uma boa forma de mostrar que uma área rural, isolada e demograficamente deprimida tem afinal um património humano, natural e construído de excelência – e isso ajuda a promover a sua identidade, o conhecimento, o turismo, o desenvolvimento sustentável e até a atrair população”, diz Rebeca Blanco-Rotea. Nesse sentido, a arqueologia não é uma ferramenta do passado, mas do futuro, nota. “Estudámos os fortes e, em Bragandelo, identificámos a cozinha (achámos cerâmicas), as estruturas onde viviam tropas de infantaria e cavalaria e, no exterior, o possível local da cisterna de água, o do paiol e o de manobras e lazer, aonde no século XX se criou um campo pelado de futebol.”

Sobre a batalha ou possíveis lugares que o exército espanhol usou em 1658 para atacar as guarnições portuguesas, ainda não se encontrou vestígios. “Os moradores deram-nos contudo algumas balas que estariam relacionadas, além de restos de cerâmica, moedas e citaram até lendas que falam de mouros, da mulher-cobra e da pedra falante – é um património imaterial que importa igualmente preservar”, frisa Rebeca Blanco-Rotea, elogiando o envolvimento da comunidade local com este projeto científico-cultural. Prevê-se para breve uma curta-metragem do seu colega Marcos Nine, “A Guerra do Extremo”, com banda desenhada e motion graphic. O município também criou sinalética interpretativa junto dos fortes e trilhos pedestres.

O trabalho de Rebeca Blanco-Rotea insere-se no protocolo assinado entre a Reitoria da UMinho e o município arcuense, que inclui sondagens, prospeção arqueológica, trabalhos de teledeteção, levantamentos e produção de materiais para valorização dos fortes. A intervenção inclui ainda estágios com estudantes da licenciatura e mestrado em Arqueologia da UMinho na freguesia cujo brasão tem, precisamente, os fortes envolvidos pelo nevoeiro.

 
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