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Ponte de Lima

Divisões no CDS: Ex-vice da Câmara de Ponte de Lima faz campanha pelo PSD

Gaspar Martins, cuja indicação para cabeça de lista do CDS por Viana foi vetada em Lisboa, acompanhou os candidatos do PSD na feira quinzenal

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Gaspar Martins, Jorge Mendes, Emília Cerqueira (n.º2) e Eduardo Teixeira (n.º3). Foto: Facebook de PSD Alto Minho Legislativas 2019

O ex-vice-presidente da Câmara de Ponte de Lima, Gaspar Martins, foi a surpresa na pré-campanha do PSD, esta segunda-feira, em terras limianas. Percorrendo a feira quinzenal, a caravana social democrata contou com a presença do histórico ligado ao CDS-PP, sempre ao lado do candidato laranja, Jorge Mendes.


Número dois da autarquia entre 2009 e 2017, lugar que passou, desde então, a ser ocupado por Mecia Martins, sua filha, Gaspar Martins foi indicado pela concelhia e pela distrital de Viana do Castelo para assumir o lugar de cabeça de lista do CDS no distrito, em maio, opção que foi vetada por Assunção Cristas, tendo a escolha do número um recaído em Filipe Anacoreta Correia.

Segundo O MINHO apurou junto de fontes internas do CDS/Ponte de Lima, a situação provocou grande desagrado a Martins, que, para além de ter sido rejeitado, sentiu que o autarca Víctor Mendes não defendeu convenientemente a proposta do seu nome, já que faltou à reunião da Conselho Nacional em que foram aprovados os cabeças de lista do partido e, dessa forma, não usou da sua influência, enquanto líder da histórica autarquia centrista, para marcar posição por si.

A situação, de acordo com as mesmas fontes, terá mesmo levado a que Gaspar Martins tenha confrontado Victor Mendes, em tom bastante crítico, na reunião da comissão política concelhia que se seguiu.

Divisões na Câmara

Este é mais um sinal, bastante ruidoso, da tensão que existe actualmente no executivo municipal, com duas fações a posicionarem-se pela sucessão no poder no pós-Victor Mendes. Num dos lados está a vice-presidente, Mecia Martins, no outro estão os outros três vereadores: Ana Machado, Vasco Ferraz e Paulo Sousa. Ferraz é considerado o líder desta fação.

Gaspar Martins tem, ultimamente, desafiado o poder instituído com uma série de acções como que demonstrando o poder que ainda tem nos bastidores. O aparecer em público com presidentes de Junta, a colocação de iluminação no prédio do centro histórico aproveitando uma alegada brecha no regulamento municipal ou, agora, ao lado do PSD em campanha, são gestos de quem quer ser um player nas próximas eleições.

Por seu lado, Mecia Martins tem, última e publicamente, assumido uma postura crítica em relação a alguns temas mais quentes dando sinais de que a qualquer momento pode romper com o resto do executivo. O último episódio aconteceu antes das Feiras Novas, quando a Mecia sugeriu que a Polícia Judiciária deveria investigar as contas da Associação Concelhia das Feiras Novas, presidida por Ana Machado, sua colega na vereação do CDS.

A O MINHO, fonte ligada à política limiana refere que Mecia Martins “não irá sair do executivo nem abdicar dos pelouros mas irá fazer alguma política de ‘terra queimada’, sobretudo, em relação aos pelouros dos outros três vereadores”.

Ministério Público

Recorde-se que tanto Vasco Ferraz como Gaspar Martins foram acusados pelo Ministério Público de um crime de prevaricação de titular de cargo político, outro de violação de regras urbanísticas e abuso de poder.

De acordo com o despacho, datado de 22 de outubro do ano passado, o Ministério Público da comarca de Viana do Castelo “considerou indiciado que um dos arguidos, aquele que foi vereador de 2009 a 2013, no dia 02 de setembro de 2013 deferiu o processo de licenciamento de um muro, desconsiderando as normas legais, a circunstância de a obra estar desconforme com o projeto apresentado, os sucessivos pareceres técnicos dos serviços da autarquia que o informaram disso e de que a obra não era legalizável e mesmo anteriores despachos que proferira relativamente à mesma obra indeferindo a sua legalização”.

Este caso pode ainda extremar mais a posição das duas facções e trazer novos dados para esta luta de poder.

Victor Mendes

Tentando acabar o mandato com dignidade mas atento a tudo isto está o actual presidente da Câmara. Victor Mendes tenta apagar os fogos políticos que vão surgindo e publicamente dá sempre a imagem de estar equidistante das duas fações.

No entanto, a mesma fonte não fica “nada admirada, se nos bastidores, Victor Mendes estiveram a fazer caminho para a fação de Vasco Ferraz. São conhecidos os problemas com Gaspar Martins e que não estão de todo sanados”.

O MINHO tentou ouvir os visados mas, para já, sem sucesso.

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Alto Minho

Rio em Ponte de Lima está quase seco. Aveleda garante não ser a causa do problema

Exploração vinícola acusada de causar o problema

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Foto: DR

O rio Estorãos em Ponte de Lima está praticamente seco. O presidente da Junta aponta as baterias à Quinta da Aveleda, que tem uma exploração de 100 hectares na freguesia de Cabração. Por seu turno, a empresa garante que cumpre escrupulosamente a lei e assegura que, caso se venha a concluir que é a causadora do problema, arranjará uma solução.

O caso foi denunciado à Associação Portuguesa do Ambiente (APA), que está a apurar as causas do sucedido.

O relatório da APA é aguardado pela Câmara, que considera a “situação preocupante”.

No plano político, o PS local, na oposição, fala de “desvios abusivos e ilegais de água”. O Bloco de Esquerda questionou o governo sobre o assunto.

“Desde que fizeram a plantação de vinha começámos a ter problemas”

O presidente da Junta de Estorãos, Carlos Gonçalves, não tem dúvidas na hora apontar um culpado: a Aveleda.

“Desde que fizeram a plantação de vinha na freguesia de Cabração começámos a ter problemas de água. Já tivemos em 2018, não foi muito grave, mas comecei aí a minha cruzada”, conta o autarca, lembrando que expôs as suas preocupações aos ministérios do Ambiente, da Agricultura e da Economia, entre várias outras entidades. “Ninguém me levou a sério, até as próprias pessoas achavam que eu estava a ver mal as coisas”, aponta.

“Era por de mais evidente que isto iria acontecer, porque o rio não tem caudal suficiente para regar uma extensão de 70 hectares”, sustenta o presidente da Junta, acrescentando que o rio tem, “desde 1968 ou 1969”, um regadio que serve toda aquela zona e que “são algumas centenas de hectares”.

“Sempre chegou para tudo. O regadio não está ao serviço de uma pessoa, está ao serviço de uma comunidade inteira”, refere o autarca, munido de fotografias de tubos de “31 centímetros de diâmetro” que captam a água para a exploração vinícola da Aveleda.

Tubos de captação. Foto: DR

Bombas de água. Foto: DR

“Sempre disse que quando houvesse o primeiro ano seco, como este ano, o rio ia secar, e é o que acontece”, completa.

Nas redes sociais, o assunto também é discutido apaixonadamente e também há críticas à própria junta. Nesse sentido, correm fotografias de um trator da Junta a fazer trabalhos no leito do rio.

Trator da junta efetua trabalhos no leito. Foto: DR

Carlos Gonçalves explica que foi “para limpar o lixo que vem das cheias” e que as fotografias estão a ser usadas para o intimidar com uma eventual queixa ao Ministério do Ambiente, mas ressalva que essa situação em nada tem que ver com a Aveleda.

O autarca chegou a reunir com a administração da empresa, num encontro mediado pela Câmara, já há algum tempo, “ainda a procissão ia no adro”.

“Tivemos um encontro cordial. (…) Não tenho nada contra a Quinta da Aveleda, nem contra qualquer empresa que invista para crescer. Tenho contra quando, para crescerem, vão prejudicar uma comunidade”, afirma o presidente da Junta, acentuando que “isto é um crime”.

“Vamos ter sol e calor nos próximos tempos e o caudal vai fechar completamente. Morrem peixes, morrem espécies do rio, os animais que gravitam por ali. É um crime ecológico. E tem que se chamar a quem faz isto criminoso”, defende Carlos Gonçalves.

“O impacto que a nossa vinha terá no caudal do rio será muito reduzido”

A administração da Aveleda considera que as acusações “não têm sentido”. “Todas as captações são pedidas oficialmente à APA. O nosso pedido foi feito, temos as licenças. A APA, quando emite as licenças de captação, fá-lo já levando em conta o caudal dos rios, quer na época máxima quer, sobretudo, na época mínima”, refere a O MINHO o administrador António Guedes.

“Temos a aprovação da APA, que leva sempre em consideração a parte técnica. As pessoas gostam sempre de encontrar culpados, mas o impacto que a nossa vinha terá no caudal do rio será muito reduzido”, assegura, acrescentando que a Aveleda este ano utilizou apenas cerca de 80% dos seus direitos de captação.

“Estamos abaixo do volume normal”, refere o administrador, ressalvando que a Aveleda não faz captação do rio Estorãos, mas do afluente deste, o Formigoso. “Que seja bem claro isso. Quando dizem que a Aveleda faz captação no rio Estorãos, não é verdade, faz de um afluente do rio Estorãos que é rio Formigoso. A nossa captação é apenas do rio Formigoso, que está com o caudal normal nesta altura do ano”, sublinha.

Mostrando-se tranquilo em relação a possíveis responsabilidades da Aveleda, o administrador assinala que a APA está a analisar a questão. “Portanto, temos que esperar por esse relatório”, diz, completando: “Obviamente, se formos a causa do problema, estamos aqui para conversar e solucioná-lo. Nós não queremos, obviamente, penalizar o ecossistema daquela zona”, garante António Guedes.

“Estamos aqui para construir, não para destruir. Qualquer problema que haja, estamos dispostos a construir uma solução. Somos uma empresa séria, fazemos as coisas como manda a lei, temos as captações legais, tudo direito”, reforça.

Câmara aguarda relatório da APA

Contactada por O MINHO, a Câmara afirma estar a “acompanhar” a situação, que considera “preocupante”, e que, inclusivamente, já colocou o problema à APA.

Aquela entidade informou a autarquia que os técnicos iriam para o terreno avaliar a situação. A Câmara “está a aguardar resposta”.

O PS de Ponte de Lima considera que “estão a destruir o Rio Estorãos” e aponta que “os desvios abusivos e ilegais de água que estão a ser realizados a montante estão a dar origem a esta situação deplorável”.

“Que medidas tem desenvolvido o executivo Municipal para impedir esta situação?”, questionam os socialistas numa publicação na sua página de Facebook.

Entretanto, o Bloco de Esquerda já questionou o governo sobre o assunto. Os bloquistas querem saber as razões da “redução drástica” do caudal do rio Estorãos e que medidas o Governo vai tomar para garantir “uma condição essencial para a preservação daquele ecossistema fluvial”.

BE questiona Governo sobre “redução drástica” de caudal de rio em Ponte de Lima

Além das causas da redução do caudal, o BE pretende saber se do Governo há “licenças em vigor para a captação de água do rio Estorãos, que entidades licenciadas e quais os prazos de validade das respetivas licenças”.

Até haver uma conclusão, muita água (não) vai correr debaixo da ponte.

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Alto Minho

5,5 milhões para explorar granito em Ponte de Lima

Exploração mineira

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Foto: Divulgação / CM Ponte de Lima

O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Victor Mendes, apontou hoje à Lusa a conclusão do polo industrial do granito de Pedras Finas, num investimento global de 5,5 milhões de euros, para janeiro de 2021.

Contactado pela agência Lusa, a propósito da publicação, hoje, em Diário da República (DR), do edital da proposta de regulamento do polo industrial, o autarca do CDS disse que “a conclusão das obras de infraestruturação deverão terminar no próximo mês de outubro” e que “até final do ano estará pronta a construção do acesso do equipamento à Estrada Nacional (EN) 101”.

“Com a publicação, hoje, da proposta de regulamento em DR, a nossa perspetiva é que, se as coisas correrem todas dentro da normalidade, o regulamento será aprovado em assembleia municipal em dezembro. Tudo se conjuga para que, logo em janeiro de 2021, haja condições para que possamos começar a alienar os vários lotes aos empresários do setor. Numa primeira fase, têm preferência os empresários do concelho de Ponte de Lima”, explicou Victor Mendes.

Com a publicação, hoje, em DR, a proposta de regulamento do polo industrial, entra em consulta pública, durante 10 dias úteis.

Previsto há 12 anos, aquele polo abrange uma área de 22 hectares, destinado à indústria transformadora de granito das Pedras Finas.

Localizado no monte de Antelas, próximo das áreas de extração, o novo polo terá 28 lotes, sendo que 24 se destinam a lotes industriais, cujas áreas variam entre os 900 metros quadrados e os 20.000 metros quadrados.

Em 2019, aquando do lançamento da obra, e de acordo com dados da autarquia, dos 5,5 milhões de euros de investimento, mais de 4,3 milhões de euros destinam-se à construção do polo industrial, sendo que a aquisição de terrenos, terraplanagens e elaboração do projeto representam cerca de 1,2 milhões de euros. Do montante global, 1,5 milhões de euros são financiamento do Portugal 2020.

A transformação de pedra, “que emprega 500 pessoas, é um dos setores mais exportadores do concelho, produzindo por ano 571 mil toneladas de granito”.

A nova infraestrutura vai permitir “uma nova abordagem na exploração do granito das Pedras Finas de Ponte de Lima, nomeadamente, na adoção de melhores práticas ambientais, produções mais limpas, melhores técnicas disponíveis e reorganização espacial, beneficiando todas as entidades públicas e privadas envolvidas na adesão a um verdadeiro conceito de eficiência coletiva”.

O granito das Pedras Finas de Ponte de Lima “é exportado principalmente para Espanha e França e, pontualmente, Luxemburgo”.

Segundo o Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais (CEVALOR), “estão previstas exportações para a Rússia, Argélia, Bélgica, entre outros, onde têm sido estabelecidos contactos exploratórios”.

A criação do novo polo industrial é justificada com “a necessidade de reorganizar espacialmente a indústria transformadora de granito, numa estratégia definida em prol da sustentabilidade do setor”.

De acordo com o município, “o projeto contempla a existência de um lote com equipamento de utilização coletiva, dois lotes com um eco centro e uma Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI), e ainda um lote destinado a comércios e serviços”.

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Alto Minho

Acidente em Ponte de Lima faz quatro feridos e corta EN204

Colisão

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Foto: DR / Arquivo

Uma colisão entre dois automóveis na Estrada Nacional 204, em Poiares, Ponte de Lima, causou quatro feridos ligeiros, apurou O MINHO junto de fonte dos bombeiros.

A estrada esteve cortada ao trânsito para remoção dos veículos sinistrados. A circulação foi retomada por volta das 16:00.

As vítimas foram transportadas para o Hospital de Viana.

Os Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima prestaram socorro.

O alerta foi dado às 14:22.

Para o local foram mobilizados oito operacionais apoiados por quatro viaturas.

A GNR registou a ocorrência.

Notícia atualizada às 16h21 com mais informação.

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