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Braga

Daniela, a profissional em busca de história no Bombeiro de Elite em Braga

Aos 21 anos, bombeira é uma das duas primeiras mulheres a integrar os Sapadores de Braga, em 220 anos de história. É uma dos 800 participantes que vão subir os 566 degraus do escadório do Bom Jesus, já este sábado

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Foto: DR

O pai de Daniela Viana é bombeiro há 30 anos nos Voluntários de Braga. A pequena Daniela absorveu o gosto pela profissão nas viagens que fazia ao quartel. Agora, aos 21 anos, tornou-se numa das duas primeiras mulheres a integrar o corpo de Sapadores Bombeiros de Braga em 220 anos de história (ambas a 8 de junho passado, o juramento de bandeira e o aniversário da companhia), depois de um ano de recruta. Este sábado, vai perseguir mais um pedaço de história na 3.ª edição do Bombeiro de Elite, a subida cronometrada dos 566 degraus do escadório do Bom Jesus que se tornou numa das maiores provas internacionais. São 800 participantes, o dobro de 2018 e quase oito vezes mais do que no ano de estreia.

“Sempre gostei de competições e entrei em algumas de provas de corta-mato”, diz a O MINHO Daniela Viana, natural de Braga. “Tenho a oportunidade de representar a minha companhia e é um orgulho estar entre as 100 e tal mulheres que vão disputar o Bombeiro de Elite”, apregoa.

O Bombeiro de Elite é uma das quatro provas que se realizam em Portugal.

Foto: Divulgação

“Há o Bombeiro de Ferro, que já vai em seis ou sete edições, que conta com cerca de 120 participantes da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto. O Firefighter – Tower Run, na torre da RTP em Vila Nova de Gaia, o Monte da Virgem, que não costuma ter 100 inscritos. E o Superbombeiro, organizado em Sete Rios, Lisboa, mas que não se realizou em 2018 e este ano”, explica o organizador, e também participante, Ricardo Fernandes, que é profissional na Companhia de Bombeiros Sapadores de Braga e secretário regional do Norte da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais.

“Braga tinha um diamante por lapidar, porque não havia nenhuma prova em ambiente natural. Em 2017, lancei o evento em mês e meio. Igualámos o Bombeiro de Ferro em número de participantes no primeiro ano e, em 2018, crescemos para 468 atletas. Este ano, tivemos de fechar as inscrições a 30 de Agosto, porque decidimos que 800 é o número que faz sentido nesta fase do Bombeiro de Elite. Queremos crescer de forma sustentada e com qualidade”, contextualiza o participante – simbolicamente – número 800 do Bombeiro de Elite 2019. A grande novidade deste ano é que, pela primeira vez em Portugal neste tipo de provas, os concorrentes usarão um chip que controlará electronicamente os tempos, garantindo maior transparência numa competição em que cada segundo pode ser fundamental – o recorde pertence a Paulo Santos, campeão absoluto nas duas edições anteriores e com o recorde de 5m44s estabelecido o ano passado, dez segundos mais rápido do que o então 2.º classificado, o polaco Mateusz Drozda.

Presidente envia representante

A terceira edição conquistou o interesse de mais bombeiros e de mais países. “Vêm de muitos países, como Espanha, França, Croácia, Ucrânia ou Brasil. Mais de 120 são mulheres e a dias da competição continuamos a receber pedidos de inscrição. Estamos muito orgulhosos do que conseguimos, sabendo que podemos ainda fazer mais e melhor. E sem pedir um cêntimo ao município, que nos ajuda logisticamente, como com o transporte dos participantes”, acrescenta Ricardo Fernandes.

Foto: O MINHO (2018)

O bombeiro e atleta sublinha que com um orçamento de cerca de 15 mil euros suportado exclusivamente por patrocinadores, o Bombeiro de Elite gera impacto na economia de Braga e da região.

“Mais de 100 participantes vêm instalar-se na hotelaria, o que rende milhares de euros, além do dinheiro que deixarão noutras actividades, uma vez que alguns deles estão cá cinco a seis dias. A importância deste evento foi reconhecida pelo Presidente da República que, não podendo estar presente por se encontrar nas Nações Unidas, enviará uma mensagem através de um representante da Presidência, que estará no evento”, traduz o organizador.

Contra o tempo, pelos bombeiros

Daniela Viana participa pela segunda vez, mas a primeira como bombeira profissional – em 2018 era recruta e ficou em 2.º lugar no escalão feminino de menos de 25 anos, com 9m48s, atrás da polaca Kinga Kula (8m47s, não muito longe do recorde feminino de 8m24s na posse da compatriota Sylwia Herman, obtido em 2018 no escalão B – 25 aos 29 anos).

“Fiz os escadórios em maio. Na altura consegui 9 minutos e tal. O objectivo é melhorar o tempo e principalmente acabar a prova, que é muito dura. Ter de levar todo o equipamento às costas, cerca de 30 quilos, e subir 566 degraus por entre turistas é muito exigente”, analisa a mulher que para ser bombeira teve de interromper os estudos – “tive de interromper, fiquei no 2.º ano de Desporto e Lazer, que frequentava na Escola Superior de Desporto e Lazer, em Melgaço”.

Além do instinto competitivo, Daniela salienta que a participação de bombeiros em provas físicas é uma mais-valia para a classe. E para os cidadãos. “Somos 800 a participar na maior prova europeia, o que dá mais confiança e segurança porque as pessoas veem que estamos em forma e somos capazes de prestar um socorro mais eficaz”, comenta.

E o treino? “Tenho ido muito ao ginásio e tenho feito muito trabalho de pernas e cardiovascular”, informa. Numa prova em que é preciso subir 566 degraus em 615 metros com um desnível de 116 metros no menor tempo possível, a capacidade cardiorrespiratória é decisiva.

Por isso, Daniela lembra os incêndios florestais ocorridos este mês no Sameiro. “Exigiu muito esforço físico, sempre a subir e a descer montes. A arrastar mangueiras, a enrolar mangueiras”, recorda. “Mas como se faz em equipa, não custa”, junta.

Sobre a curta carreira de bombeira profissional, nota que “as pessoas parece que têm mais à vontade com mulheres”. “Sobretudo em casos específicos como na assistência ao parto”, exemplifica.

Ambição da última a sair

O futuro vai trazer muitos desafios à bombeira profissional Daniela Viana. Como a da ambição: “Nunca pensei nisso, mas claro que quero evoluir na minha carreira. Vou ser a última a sair de lá”, ri-se Daniela, a mais jovem bombeira da Companhia de Sapadores Bombeiros de Braga. “A Ana Sofia [a outra pioneira] tem 25”, regista.

Foto: DR

“Entrei com salário que achava que ia ter para o resto da vida e, entretanto, as coisas já evoluíram [com a entrada em vigor a 2 de Julho do Estatuto de Bombeiro Profissional, acabou a distinção entre municipais e sapadores, com os primeiros a deixarem de auferir o salário mínimo sendo incluídos na carreira única de sapador/profissional]. Temos equipamento individual e vamos receber ambulância nova em breve. Estamos bem preparados e seguros”, comentou a jovem de 21 anos, que por lei só se pode reformar aos 60 anos.

Até lá, a par da carreira e das competições, continuará a ter uma vida pessoal muito ligada aos bombeiros. Se o pai, de 48 anos, já é bombeiro voluntário há 30, não tardará muito a que um novo membro da família Viana se junte à causa.

“O meu pai levava-me para o quartel e apresentava-me àquela realidade. Mostrava-me o material, a mim e ao meu irmão. Como é uma paixão dele, tentava-nos transmiti-la”, conta Daniela. E se a paixão do pai já fez uma nova bombeira, outro se seguirá. “O meu irmão vai pelo mesmo caminho. Fez 16 este ano e tenciona vir a ser bombeiro”, remata Daniela Viana.

Este sábado, sigam o dorsal 638. Daniela Viana, aos 21 anos, é o presente, mas estará intimamente ligada ao futuro dos bombeiros. De Braga e de Portugal.

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Braga

Braga: Condutor distrai-se, atropela peão na passadeira e provoca traumatismo craniano

Na rotunda da Universidade do Minho

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Foto: DR / Arquivo

Um homem, de 55 anos, foi atropelado, na noite desta quarta-feira, numa passadeira em Braga, sofrendo um traumatismo cranioencefálico.

Segundo dá conta o Jornal de Notícias, o traumatismo foi provocado pelo embate contra um dos retrovisores da viatura.

A mesma fonte escreve que o condutor, um jovem de 21 anos, saía da rotunda, junto à Universidade do Minho, para a EN 103, quando, por distração, atropelou o transeunte.

A vítima foi transportada para o Hospital de Braga. O alerta foi dado por volta das 22:30.  A PSP de Braga registou a ocorrência.

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Braga

Mulheres de Braga entregam petição contra violência doméstica na Assembleia da República

Com mais de 6 mil assinaturas

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO /Arquivo

O grupo “Mulheres de Braga”, criado contra a violência doméstica, vai entregar “em mãos” ao presidente da Assembleia da República, a 26 de novembro, uma petição, para que o parlamento “pense e renove medidas prioritárias” de “prevenção e proteção” das vítimas.

Em declarações à Lusa, lembrando que se assinala a 25 de novembro o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, uma das responsáveis da página do Facebook daquele coletivo, Teresa Fernandes, adiantou que Ferro Rodrigues confirmou que irá receber da mão de uma comitiva de cinco mulheres a petição que contou com a assinatura de mais de sei mil pessoas, ‘online’ e presencialmente.

Mulheres de Braga saíram à rua para exigir que “parem de as matar”

Entre as medidas presentes no texto, estão ações como o “reforço da formação dos agentes judiciários e dos serviços sociais de apoio aos tribunais e criação de tribunais mistos (criminal e família e menores) especializados para julgar todas as questões relacionadas com a prática deste crime, num processo único”.

Os signatários pedem também “a criação de mecanismos de efetiva aplicação da Convenção de Istambul, designadamente quanto à proteção da vítima após a denúncia, criando planos de segurança e seu acompanhamento ao longo do processo” e a promoção de “medidas legislativas que assegurem a segurança da vítima e seus filhos durante o processo, designadamente mediante aplicação de medidas de coação eficazes que efetivamente as protejam do agressor e lhes permitam manter-se na sua residência”.

O coletivo, criado em janeiro depois de uma mulher, “a Gabriela”, ter sido degolada pelo ex-companheiro em frente ao Tribunal de Braga, realça ser importante “aprovar a aplicação do Estatuto de Vítima especialmente vulnerável às crianças que testemunham situações de violência entre os seus progenitores e outros familiares”, assim como a “proteção das crianças vitimas diretas ou indiretas de violência e abuso sexual com medidas de apoio à família e à mãe, suspendendo-se os contactos com o agressor até ao fim do processo-crime”.

Para uma das representantes do grupo, Emília Santos, “o Governo, a Assembleia da República, os Tribunais não podem ficar alheios ao flagelo que está a atingir Portugal e que é necessário aplicar as leis já existentes e não fechar os olhos”, referiu, lembrando que desde janeiro já morreram mais de 30 mulheres vítimas de violência doméstica.

“O importante é começar e mostrar que a sociedade civil está mobilizada, atenta e que exige medidas contra esta epidemia que se tornou a violência doméstica”, disse.

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Braga

Braga: INL vence concurso para ideias “saudáveis e sustentáveis” para aditivos alimentares

EIT Food

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Foto: Divulgação / Arquivo

Um grupo de Investigadores do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia está a desenvolver iniciativas “saudáveis e sustentáveis” para aditivos alimentares, tendo sido distinguido pelo consórcio EIT Food do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, num concurso de empreendedorismo.

Em comunicado enviado à Lusa, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), sediado em Braga, explica que as equipas do Departamento de Ciências da Vida participaram nas iniciativas do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT na sigla em inglês) com a ideia de “procurar alternativas mais saudáveis e sustentáveis para aditivos alimentares”.

Em particular, refere o texto, “para substituir a cor branca – fornecida pelo dióxido de titânio – por uma alternativa segura, natural e biodegradável”.

Segundo explica INL, “o dióxido de titânio é amplamente utilizado na indústria alimentar, principalmente para a produção de produtos açucarados, tais como rebuçados ou pastilhas elásticas”, sendo que “a aplicação deste aditivo tornou-se controversa e a França vai ser o primeiro país europeu a proibi-lo a partir de 2020”.

O INL refere um “consenso generalizado quanto à necessidade de banir ou restringir significativamente o uso de dióxido de titânio”, pelo que esta medida acabou por ser um “incentivo” para procurar alternativas mais saudáveis.

“A ideia dos Investigadores do INL foi premiada por estar em linha com as preocupações com a saúde expressas pelos organismos da União Europeia e com as necessidades da indústria alimentar”, lê-se.

O instituto refere que “o próximo passo é o de explorar a ideia premiada, transformando-a numa startup capaz de levar um produto ao mercado”.

De acordo com o EIT Food, os participantes desta iniciativa foram selecionados “com base na força da ideia empreendedora, no impacto que tem no setor e no seu potencial de crescimento”.

Aquela organização, criada pela Comissão Europeia, vai concentrar-se agora em ajudar a “abordar o mercado e fornecer as condições necessárias para construir um negócio sustentável”.

“No âmbito da missão de dar resposta aos principais desafios da sociedade, apoia a aplicação concreta de tecnologias no mercado, nomeadamente através da promoção do espírito empreendedor dos seus investigadores, dando-lhes as condições necessárias para conseguirem transformar uma ideia científica num produto ou serviço”, garante o INL.

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