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CUIDAR (de nós), em pandemia

Por Vânia Mesquita Machado

em

Foto: DR

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

CUIDAR
(verbo transitivo); significado:
Tratar de alguém, garantindo o seu bem estar; tomar conta de;
dedicar esforço e tempo com determinado objetivo; pensar, ponderar ( Infopedia.pt)

CUIDAR, significado, em pandemia:

– CUIDAM DE NÓS todos os profissionais de saúde, que tentam travar um vírus há meses a fio.

Um microorganismo invisível, supostamente um ser vivo não inteligente, mas que continua a persistir e a parasitar as nossas vidas, porque usa da melhor forma possível as armas que lhe oferecemos, ao descuidarmos a nossa proteção.

Aumentou exponencialmente a capacidade de infetar, e tornou-se menos letal – sem deixar de matar – para poder continuar a parasitar hospedeiros humanos, supostamente inteligentes.

Sim, somos inteligentes, sem dúvida.

Pela nossa inteligência, a Ciência avançou vertiginosamente num inédito contrarrelógio, na temida e bizarra competição pela sobrevivência entre um vírus e o Homem.

Conhecem-se formas de tratar a infeção grave, e de evitar propagação. A vacina estará prestes a chegar.

Existe esperança, mas um caminho duro a percorrer.

Seremos bem mais inteligentes colocando de lado guerrilhas de opinião, e interesses políticos, em prol do fim da pandemia.

Para que os profissionais de saúde que cuidam de nós o possam continuar a fazer, na iminência de de um colapso
logístico e de meios humanos.

– CUIDAM DE NÓS também os que têm poder decisor.

(Mesmo que para muitos possa não parecer)

É fácil ser comentador de bancada.

Atualmente, e por muito que não nos agradem as medidas X ou Y, mesmo discordando ideologicamente, ou considerando que muitas das medidas tomadas são tardias ou não totalmente adequadas, o interesse individual de egos, a necessidade humana de ter razão, deve ser posta de lado, em prol do fim da pandemia.

É uma guerra desleal, a que enfrentamos.

A enorme imprevisibilidade não permite a acertar em cheio no melhor caminho. Mas é preciso seguirmos um caminho, todos juntos.

Está em jogo não só o Sistema de Saúde, mas a capacidade de pôr pão na mesa de uma enorme fatia da população portuguesa.

Esta é a amarga realidade que se avizinha a passo largo, se não nos unirmos agora.

Mesmo que as medidas sejam injustas para alguns. Independentemente das medidas com as quais possamos discordar, tenta-se que não se regresse ao confinamento total, o qual terá consequências imensuráveis.

Remar no mesmo sentido é mais eficaz do que ficar parado a discutir argumentos, quando o tempo é demasiado escasso para perder e demasiado valioso para minimizar danos.

Um pacote ideal de medidas, ajustado a todos e prevendo todas as circunstâncias possíveis, não existe.

Parafraseando o meu colega Gustavo Carona, “o cobertor é demasiado curto”.

– E todos nós, CUIDAMOS DE NÓS.
Ao cumprirmos o nosso papel na sociedade, cada um no seu lugar.
Ajudando o outro, sempre que possível.
Sendo responsáveis com os cuidados de prevenção, jogando pelo seguro e evitando contactos próximos desnecessários, estando atentos a sinais de doença e agindo, se estes surgirem em nós mesmos, ou nos nossos familiares, colegas e amigos da nossa bolha.

– CUIDAREMOS DE NÓS, se não desistirmos.
Por muito que o desgaste nos pese nos ombros, meses de máscaras e desinfetantes, meses de ansiedade perante a possibilidade dos que mais gostamos serem infetados e sofrerem com a forma grave da doença por covid, ou até não sobreviverem.

– CUIDAREMOS DE NÓS, se para além de nos protegermos da infeção com as medidas de prevenção,
reforçarmos ativamente o nosso sistema imunitário.

Com uma alimentação saudável e noites bem dormidas, zelando assim da saúde física na globalidade.

Mas também protegendo a nossa saúde mental, a mostrar sinais de debilidade, perante uma ameaça que não se vai embora.

O medo ajuda, se nos protege do perigo.
Mas o medo constante é paralisador e corrói-nos, psicologicamente.
A frustração fragiliza-nos, psicologicamente.
A falta de sorrisos e de coisas boas,
torna-nos vulneráveis, psicologicamente.

Estarmos permanentemente com um botão de alarme ligado, terá como consequência um curto-circuito na nossa lucidez e capacidade de discernimento.
Deixamos de pensar claramente…
E debilitamos ainda mais o nosso sistema imunitário.

CUIDAREMOS DE NÓS também, se pararmos, e olharmos por nós.

Se desligarmos um pouco da palavra pandemia, quando nos asfixia de forma neurótica e obsessiva.

Se em vez de ouvirmos notícias e estarmos constantemente online , dedicarmos tempo a outras coisas.
Como mimar os quem gostam de nós, abraçar e dar atenção aos que pertencem ao nosso círculo, e na impossibilidade de outros afetos próximos, com as pessoas que nos fazem falta, fazê-lo à distância, com um telefonema acolhedor, que ajuda a tranquilizar e reforçar laços, com palavras de ânimo e energia positiva.

Se respirarmos ar puro ( mesmo privilegiando estar em casa, a saída para caminhar com os devidos cuidados, ajuda a arejar as ideias), e se disfrutarmos de pequenos prazeres.

Aquilo que cada um de nós sabe que lhe faz bem e lhe recarrega as baterias.

Porque a pandemia está instalada, sim.

Mas não podemos desistir.

Existe esperança, e soletra-se por outras palavras:

-Resiliência.
-Solidariedade
– Ânimo.

A pandemia é uma longa maratona entre um vírus matreiro e toda a Humanidade.

Seremos incapazes de unirmos esforços ou seremos capazes de pôr de lado as nossas diferenças, para CUIDARMOS DE TODOS NÓS?

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