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Braga

Cristiana Oliveira, a soprano de Braga que (en)canta nos melhores palcos de ópera da Europa

Com as férias a acabar, e por intermédio de duas agentes, uma alemã e outra inglesa, vai interpretar a partir de novembro, em Helsínquia, ‘La Bohéme’ e depois em fevereiro, em Wissebader, ‘O Trovador’ de Verdi para o qual terá ensaios intensos e pormenorizados. Serão 10 récitas por semana. Reportagem

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Foto: Facebook

Cristiana Oliveira é a soprano portuguesa de momento. Natural de Braga, a cantora lírica já actuou nos palcos de óperas conceituadas na Europa como cabeça de cartaz interpretando papéis emblemáticos em ‘La Bohéme’ ou ‘La Traviata’. A nova temporada que se inicia em breve, vai trazê-la, com mais regularidade, a Portugal e Braga poderá ser um dos destinos.

“Aqui em Braga temos tudo: sala de espectáculos com fosso, acústica e condições óptimas para a ópera mas não se faz nada”. Pode ser que agora as coisas mudem.

O sonho de ‘criança’ de Cristiana era ser pianista. Vinda de uma família de músicos, entrou no Conservatório em Braga para estudar piano e violino. Nunca achou ‘muita piada’ ao canto mas sempre que a ouviam cantar incentivavam-na a continuar. Até que o barítono Oliveira Lopes ouviu um recital e no final lhe disse para estudar e se concentrar no canto.

Não muito convencida, Cristiana não fechou a garganta, foi mantendo o violino e o canto funcionava como um ‘hobbie’. “Foi tudo muito depressa”. Depois da licenciatura em educação, na variante de música, em Viana do Castelo, entra no curso superior de canto no Instituto Piaget, “ainda não muito convencida”.

“No segundo ano concorro ao concurso de canto da ESMAE e passei à final”. Tinha apenas dois anos de aprendizagem. No ano seguinte consegue uma menção honrosa num concurso no Luísa Todi, em Setúbal, com uma ária de ‘La Bohéme’ e o destino fez das suas.

Escrito nas estrelas

Os vencedores do Luísa Todi tinham como ‘prémio’ cantar com orquestra no São Carlos. Cristiana ficava assim de fora. No entanto, um telefonema haveria de mudar tudo. Um dos elementos do júri informou-a que não tinha havido unanimidade e por isso, convidava-a a atuar no S. Carlos. “Foi a minha primeira vez com uma orquestra”.

No entanto, o grande impulso haveria de aparecer no concurso interpretativo do Estoril, em 2012, o maior do género em Portugal e com uma particularidade: “todos concorrem uns com os outros, isto é, a voz pode concorrer com um violino ou um violino pode concorrer com um clarinete. Torna tudo mais difícil”.

E Cristiana ganhou! “Para além do prémio monetário que era considerável, abriu-me as portas em Portugal porque quase todos os maestros do país estão na avaliação. Permitiu-me fazer concertos com essas orquestras”.

La Traviata

Sempre a querer aprofundar o conhecimento e a técnica vocal, a soprano bracarense, com o dinheiro ganho, vai fazer mais formação, em Barcelona, especificamente para ‘La Traviata’.

Fica no primeiro elenco e percorre os teatros espanhóis a interpretar Violeta.

Recebe um convite de Ferreira Lobo, uma referência na área, para ser a voz principal da ópera de Verdi no Coliseu do Porto. E volta a estrelinha a brilhar. “Na plateia estava uma encenadora italiana ligada ao Gianluigi Gelmetti que me convidou para fazer uma audição”. Gelmetti é só uma das referências mundiais: para além de ter dirigido a primeira orquestra aos 16 anos é o maestro chefe do Teatro da Ópera de Roma.

“Fiz uma audição e ele foi extremamente severo. Fiquei com a ideia que tinha tanto para aprender e sem hipóteses de entrar no elenco”. Estava enganada. O conceituado maestro dá-lhe o papel principal de Magda em “La Rondine” de Puccini. Foi no Natal de 2017. Após as primeiras actuações acontece algo raro e inusitado. “O próprio teatro pede-me para continuar após o final da temporada”.

E aqui que se dá o ‘boom’. “Em Itália vêem a ópera como nós o futebol. Tratam-nos como vedetas e verdadeiros artistas e até, isso, para mim, foi uma aprendizagem”. A verdade é que santos da casa não fazem milagres e só depois do sucesso internacional é que Cristiana começa a representar em Portugal.

Nova temporada

Com as férias a acabar, e por intermédio de duas agentes, uma alemã e outra inglesa, vai interpretar a partir de novembro, em Helsínquia, ‘La Bohéme’ e depois em fevereiro, em Wissebader, ‘O Trovador’ de Verdi para o qual terá ensaios intensos e pormenorizados. Serão 10 récitas por semana.

Portugal entra no roteiro com a representação de ‘Madame Butterfly” com a Orquestra Música do Património, no Teatro de Leiria e irá incluir o primeiro elenco português que abrirá a temporada no Teatro Nacional de São Carlos com a ‘Força do Destino’ de Verdi e com a Orquestra Nacional.

Trabalho pessoal

As óperas são, geralmente, muito longas, com muito tempo em palco. “Não usamos microfones e, por isso, é preciso uma preparação física muito grande, para além de conhecer muito bem o papel”.

Foto: Facebook

O controlo de respiração, o trabalho vocal com trabalho específico voltado para a parte respiratória bem como a especial atenção a não frequência de locais sem fumo estão entre os segredos de Cristiana Oliveira para manter a voz em grande nível.

“Com a técnica no sítio, vocalmente não há cansaço”, revela para acrescentar que já fisicamente “perco entre 4 a 6 quilos, a comer bem, entre os ensaios e as récitas”. Outra das particularidades da soprano passa por ‘ligar’ a partitura à história da ópera, no fundo, “pôr-me no estado de espírito da personagem e da sua época”, o que requer muito estudo.

“Começo a estudar uma ópera com dois anos de antecedência. Este ano, já sei quais serão as óperas que irei fazer na próxima temporada, na sua generalidade, e por isso, posso ir estudando em função do calendário”. Para Cristiana Oliveira, não é nenhum sacrifício: “adoro estudar e tenha facilidade em estudar no avião, no comboio”. Aliás, fez o Braga/Porto, de comboio, na altura, da Universidade, a estudar.

Ensaios

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A preparação para uma ópera divide-se em várias partes: a começar, a soprano bracarense estuda sozinha não só as partituras mas todo o ambiente à volta. Depois junta-se a um pianista para a parte mais técnica, (ensaios feito no Porto com o professor Jaime Mota e com a professora Palmira Troufa) e finalmente, há os ensaios de cena, já com encenador, para se fazerem as marcações e na semana antes da estreia junta-se a orquestra. “Normalmente, os ensaios de cena são feitos numa academia de bailado e depois na recta final antes da estreia é que passamos para o anfiteatro, para retocar os pormenores”.

Estado da ópera em Portugal

“Estamos a melhorar”. É a primeira constatação de Cristiana Oliveira sobre a realidade deste tipo de música no nosso país. “Reconheço que tem sido feito um esforço para haver investimento na ópera, há mais músicos, há mais cantores é pena não haver mais receitas” e não é por falta de interesse do público.

“Há um aumento do número de músicos, há orquestras com elevadíssima qualidade, há melhores cantores e há cantores portugueses a fazerem carreira internacional sonhando em cantar em Portugal”. O que falta então? “Portugal só tem um teatro de ópera, o São Carlos e é em Lisboa. E quanto mais longe estiver mais difícil é chegar ao povo”.

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Cristiana Oliveira destaca, no entanto, o trabalho tanto da Orquestra Filarmónica portuguesa através do maestro Ferreira Lobo, que “está a fazer um trabalho de descentralização muito importante e interessante”, através do projecto ‘Ópera no Património’. Já fizeram concertos em Foz Coa, em Pinhel, com “casas a abarrotar”.

“É sinal que o público desses lugares quer ouvir ópera, tem interesse em ouvir ópera e portanto, cabe às instâncias públicas providenciar essa descentralização”, finaliza a soprano na recta final das férias.

A nova temporada está aí e os bracarenses poderão ouvir a ‘sua’ soprano mais para meados do próximo ano.

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Braga

Enfermeiros do Hospital de Braga anunciam possível greve de dois dias em março

Exigem aumento de ordenados com retroatividade

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO (Arquivo)

Os enfermeiros do Hospital de Braga decidiram hoje em plenário avançar com dois dias de greve em março se não houver “aumento dos ordenados”, “pagos com retroatividade”, disse à Lusa o representando de um dos sindicatos daqueles profissionais.

Em declarações à Lusa, o representante do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Nelson Fernandes, deu conta que a decisão dos profissionais em fazer dois dias de greve, a 17 e 19 de fevereiro e que a decisão ia ser dada a conhecer à administração do hospital.

Contactada pela Lusa, fonte do Hospital de Braga, que a 31 de agosto de 2019 deixou de funcionar como Pareceria Publico Privada, passando a funcionar como Entidade Pública Empresarial (EPE), remeteu para o comunicado de 10 de fevereiro, reforçando que “tudo tem feito” para dar resposta às reivindicações daqueles profissionais.

“O que nós queremos é que seja cumprida a lei, que haja uma atualização salarial dos atuais 1060 euros para 1201, pagos com retroatividade a setembro de 2019”, explicou o sindicalista.

Segundo explicou Nelson Fernandes, “a decisão de avançar com dois dias de greve vai ser dada a conhecer ao conselho de administração, estando a jornada de luta marcada para dias 17 e 19 de março.

No referido comunicado, o Hospital de Braga lembra que “valorizar e motivar os profissionais é um dos objetivos máximos do Conselho de Administração”, salientando que aquele órgão “está fortemente empenhado neste compromisso”.

Neste sentido, referem, “de forma a garantir uma aproximação às preocupações dos seus profissionais, o Conselho deliberou aplicar o Decreto – Lei n.º62/79, de 30 de março, que estabelece especificações do regime de trabalho dos profissionais de saúde e respetivas remunerações”.

O Hospital esclarece ainda que decidiu “efetuar o pedido de adesão aos Acordos Coletivos de Trabalho, garantindo a igualdade entre profissionais”, sendo que “neste momento, está a ser ultimado o procedimento de adesão a estes acordos, tendo sido previsto no orçamento de 2020 os respetivos impactos financeiros, quer das atualizações salariais quer da necessidade de recursos necessários com a passagem do horário normal de trabalho para as 35 horas semanais”.

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Braga

Câmara de Braga acusa Plataforma Salvar a Confiança de “terrorismo político” e contesta providência cautelar

Câmara implica Plataforma na “tentativa de instrumentalização dos tribunais”

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Foto: Sérgio Freitas / CM Braga

A Câmara de Braga contestou a providência cautelar posta no Tribunal Administrativo local por um grupo de cidadãos, contra a venda da antiga fábrica Confiança, acusando-os de, “terrorismo político” e “tentativa de instrumentalização dos tribunais”.

No documento, o jurista Paulo Viana diz que a Plataforma Salvar a Confiança “ficciona ilegalidades, para tentar controlar judicialmente decisões políticas legítimas”.

“Pode não se concordar com opções políticas, mas é nos órgãos da autarquia e nas eleições que aquelas se questionam, e não nos tribunais”, afirma, lembrando que esta é já a terceira providência cautelar intentada sobre o mesmo tema: a primeira foi intentada pelos mesmos autores e indeferida, em primeira e segunda instâncias; a segunda foi intentada pelo Ministério Público e igualmente indeferida”.

Paulo Viana lembra que os autores da ação sustentam, basicamente, que o uso/função aprovado pelo PIP é ilegal”, mas curiosamente apontam nulidade por violação do PDM nas não indicam qual a norma infringida… “

“Não há ilegalidade”

O advogado rebate ainda os argumentos da providência, nomeadamente a da ilegalidade da construção de uma residência universitária no prédio. O PDM- Plano Diretor Municipal – diz a Plataforma – prevê para o prédio um uso/função de equipamento, o que não se enquadraria no projeto.

Paulo Viana contrapõe que o projeto envolve uma residência universitária, um centro interpretativo de memória da Confiança e áreas de restauração, de apoio e de comércio.

“ O que o artigo 74º do regulamento do PDM prevê é um conceito alargado de equipamento, de natureza pública ou privada, “…que compreende as instalações e locais destinados a atividades de formação, ensino e investigação, saúde e higiene, segurança pública, cultura, lazer, educação física, desporto e abastecimento público ou dizem respeito às instalações coletivas, visando prestar um serviço extensivo à população interessada na sua área de influência e localizados em pontos estratégicos do território”.

E acrescenta:“O uso residencial não está proibido no PDM e, de resto, a construção de residências estudantis não corresponde ao uso habitacional tradicional”, argumenta, lembrando que o projeto “colmata a grave falta de habitação para universitários”.

Imóvel ao abandono?

O segundo argumento da Plataforma, que invoca o incumprimento do decreto-lei sobre as residências universitárias, é, também, rejeitado: “nunca se quis fazer uma residência nos termos do diploma, mas sim um alojamento para universitários”, contrapõe.

Paulo Viana lembra que o vencedor da hasta pública tem de apresentar um projeto e licenciá-lo, e salienta que, “se a providência vier a ser decretada o imóvel continuará a degradar-se e ao abandono, até porque os recursos judiciais demoram cinco anos a ser resolvidos”.

A primeira hasta pública de venda do prédio não teve licitadores, estando marcada outra para 10 de março em carta fechada. Se não houver comprador a Câmara doa o prédio à Universidade do Minho para o mesmo fim.

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Braga

Detido em Fafe por tentar atropelar e disparar contra mulher e filho

Tenta atropelar mulher e filho

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Foto: GNR Braga / Divulgação

Um homem de 53 anos foi detido em Fafe, na última terça-feira, por violência doméstica e posse ilegal de armas.

Segundo a GNR de Braga o homem terá causado alguns distúrbios dentro da sua própria habitação partindo peças de mobiliário. Perante o cenário de violência o filho e mulher do suspeito tentaram fugir com o suspeito a disparar com uma arma de fogo na direção destes.

Nenhum familiar do suspeito terá sido atingido.

No momento da chegada de GNR ao local do incidente o suspeito encontrava-se ao volante da sua viatura numa tentativa de atropelar o seu filho e companheira. A força policial presente interceptou o homem e fez prontamente a detenção.

Nas buscas à habitação do homem a GNR encontrou 16 armas brancas, oito armas proibidas, quatro armas de fogo, uma espingarda de ar comprimido, 385 cartuchos e munições e dois aerossóis de defesa (gás pimenta).

O detido está, neste momento, a ser presente no Tribunal Judicial de Guimarães, para aplicação de medidas de coação.

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