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Covid-19: Texto português do século XVI mostra eficácia da quarentena

Covid-19

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Foto: Ilustrativa / Arquivo

*** Paulo Alves Nogueira da Agência Lusa


Um especialista australiano descobriu num texto português do século 16 uma prova de que a quarentena ou o isolamento podem impedir a globalização de uma doença como a covid-19, que já provocou mais de 30 mil mortos.

O texto português “é um registo antigo de uma doença que passa de animais para humanos, e mostra que a quarentena pode ser eficaz para a travar”, disse à agência Lusa Sanjaya Senanayake, professor de doenças infecciosas na Universidade Nacional da Austrália (ANU), em Camberra.

Sanjaya Senanayake. Foto: Divulgação / ANU

Senanayake referia-se a uma passagem do “Tratado das ilhas Maluco e dos costumes índios e de tudo o mais”, de autor desconhecido, mas geralmente atribuído a António Galvão (c. 1490-1557).

Apelidado de “apóstolo das Molucas”, António Galvão governou a partir de Ternate as chamadas ilhas das Especiarias, na atual Indonésia, entre 1536 e 1540, tendo iniciado o seu mandato 15 anos depois da passagem pela região da expedição de Fernão de Magalhães, já comandada por Juan Sebastián Elcano.

O texto manuscrito foi encontrado no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, e publicado em inglês (“A Treatsie on the Moluccas”, Hubert Jacobs, Jesuit Historical Institute, 1971) e em português contemporâneo (“Tratado das ilhas Molucas”, Luís de Albuquerque e Maria da Graça Pericão, Publicações Alfa, 1989).

A obra versa sobre o governo de António Galvão nas Molucas e nela se narra um surto de uma doença no final de abril de 1539, que primeiro matou galinhas e depois humanos.

“Com os ventos sul, veio esta enfermidade a Bachão [Bacan]; logo se espalhou por todas as ilhas, começando nas galinhas (…), que de António Galvão se acharam mais de cinquenta ou sessenta mortas, que se empolavam sãs e gordas; e depois lhe adoeceram passante de cento e dez pessoas, entre criados e escravos, que só um não ficou e a mor parte lhe faleceu, afora os portugueses e filhos deles”, lê-se no texto.

“E por toda a terra era este mal tão geral que os não podiam enterrar e o mar era coalhado dos mortos e muitos lugares despovoados; andavam os homens e mulheres como pasmados, dizendo que nunca tal viram nem ouviram aos antepassados”, conta ainda o narrador.

Em dezembro de 2007, Sanjaya Senanayake e o historiador Brett Baker publicaram um artigo na revista científica The Medical Journal of Australia sobre o texto histórico, numa altura em que o mundo enfrentava a pandemia de gripe A, inicialmente designada como gripe suína.

“A epidemia do século 16 provavelmente não se espalhou devido ao isolamento das ilhas do resto do mundo por causa de padrões comerciais determinados pelo clima [monção]. Isto reforça o valor da quarentena (mesmo não intencional) ou do isolamento como medida de saúde pública. Dada a facilidade de circulação global de pessoas, animais e cargas na era moderna, a sua aplicação será agora um desafio muito maior”, concluíram Senanayake e Baker.

Sanjaya Senanayake admitiu à Lusa, num contacto telefónico em Camberra, que o estudo do texto português “não ajudou necessariamente a combater a gripe suína”.

Mas mostrou que o isolamento intencional das ilhas próximas de Ternate por não haver navegação do comércio das especiarias devido à ausência de vento terá evitado a disseminação de uma infeção que passou de animais para humanos.

A conclusão mantém-se atual, e Sanjaya Senanayake não tem dúvidas sobre a aplicação da quarentena para combater a covid-19, uma doença que se tornou global devido às viagens.

“As três coisas que usamos para combater a pandemia são quarentena, vacinas e medicamentos. São as três grandes ferramentas que temos para a covid-19”, disse Sanjaya Senanayake.

O especialista australiano admitiu que uma vacina para a covid-19 demorará “10 ou 12 meses” e que é impossível saber se haverá medicamentos eficazes em quantidade suficiente para tratar “milhões, dezenas de milhões ou centenas de milhões de pessoas”.

“Mas a quarentena é uma boa maneira de parar ou, pelo menos, de retardar um surto. E foi o que vimos neste texto português: a quarentena não intencional por causa das estações climáticas e a difícil acessibilidade mostram que a quarentena pode ser eficaz”, concluiu.

Sobre a atual pandemia, Sanjaya Senanayake é enfático ao dizer que “ninguém realmente sabe” quando é que poderá ser controlada.

“O surto pode desaparecer ou pode piorar. (…) Até pode ser como a gripe espanhola em 1918, em que houve uma primeira onda que não foi tão má e, pouco tempo depois, houve uma segunda onda que foi muito, muito má”, lembrou, referindo-se à pandemia que matou mais de 50 milhões de pessoas.

“É absolutamente imprevisível. (…) Esperemos que não dure muito”, acrescentou.

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Espanha reabre fronteiras com Portugal a 22 de junho (NOTÍCIA CANCELADA)

Desconfinamento

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Foto: DR

ATUALIZAÇÃO: GOVERNO ESPANHOL VOLTA ATRÁS E ANUNCIA QUE AS MESMAS SÓ ABREM A 01 DE JULHO


Espanha corrige. Afinal, fronteira com Portugal só reabre em julho

A ministra espanhola da indústria, comércio e turismo acabou de anunciar a data de 22 de junho para a reabertura das fronteiras terrestres com Portugal e com França.

Reyes Maroto falava ao país em conferência de imprensa sobre as medidas de desconfinamento espanhol.

Governo “surpreendido” com anúncio de Espanha sobre fronteira

Embora a medida ainda não esteja aprovada, a ministra indicou que a quarentena obrigatória para portugueses e franceses que cheguem ao país também deverá ser levantada.

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“Tudo será diferente” após pandemia

Papa Francisco

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Foto: DR / Arquivo

O Papa Francisco disse hoje, numa mensagem de vídeo divulgada esta noite, que “tudo será diferente” após a pandemia global, da qual a humanidade poderá sair “melhor ou pior”, apelando a uma “sociedade mais justa e equitativa”.


“Quando sairmos desta pandemia, não poderemos continuar a fazer o que estávamos a fazer, e como estávamos a fazer. Não. Tudo será diferente”, disse o pontífice numa mensagem de vídeo em espanhol, por ocasião da festa de Pentecostes.

“Das grandes provações da humanidade, entre estas a da pandemia, nós sairemos melhores ou piores. Não é a mesma coisa. Pergunto-vos: como querem sair disto? Melhor ou pior?” questionou o Papa Francisco.

A nível global, a pandemia causada pelo novo coronavírus já infetou mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo, dois terços das quais na Europa e Estados Unidos, segundo um balanço da AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Foguetão da SpaceX já foi lançado

NASA

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Foto: DR

O primeiro foguetão concebido e construído por uma empresa privada, a SpaceX, de Elon Musk, levando a bordo dois astronautas foi lançado hoje na presença do Presidente do Estados Unidos.


Os astronautas norte-americanos Bob Behnken e Doug Hurley voaram do Kennedy Space Center, na Florida, a bordo da cápsula espacial Dragon, transportada por um foguetão Falcon 9 da SpaceX, a primeira empresa privada certificada pela NASA para missões tripuladas.

 

Com um rugido ouvido a milhas da costa da Florida, o foguetão Falcon 9, da companhia fundada por Elon Musk descolou às 15h22 (19h22 GMT), e os primeiros minutos do voo decorreram sem problemas, de acordo com a transmissão em direto da missão pela NASA.

A primeira parte do foguetão desprendeu-se como planeado após dois minutos de voo, a quase 4.000 quilómetros por hora, enquanto a segunda continuou a impulsionar a cápsula Dragon em direção à Estação Espacial Internacional, num voo com duração estimada em 19 horas.

Segundo a SpaceX a cápsula Dragon está na órbita certa para chegar à estação espacial, disse a Sapacex.

O lançamento “foi incrível”, disse Donald Trump, que assistiu à operação no Kennedy Space Center.

Este voo já tinha sofrido um atraso de três dias, por causa do mau tempo, mas previsões apontavam para que existiam condições aceitáveis, de 50%-50%, para o lançamento da cápsula Dragon acontecer hoje às 15:22 locais (20:22 de Lisboa), bem como do foguetão Falcon 9, o que se verificou, sendo assim o primeiro lançamento de astronautas para o espaço por uma empresa privada.

Foi também o primeiro voo espacial tripulado da NASA, a agência espacial norte-americana, a partir do solo dos Estados Unidos da América (EUA) desde 2011.

A NASA tentou desencorajar espetadores de assistirem ao lançamento, por causa da pandemia de covid-19, e limitou severamente o número de funcionários, visitantes e jornalistas dentro do Kennedy Space Center. No entanto os 4.000 bilhetes para o lançamento foram todos comprados em poucas horas.

A NASA contratou a SpaceX e a Boeing, em 2014, ao abrigo de contratos que totalizam sete mil milhões de dólares. Ambas as empresas lançaram as suas cápsulas de tripulação no ano passado com manequins de teste. A Dragon cumpriu todos os seus objetivos, enquanto a cápsula Starliner, da Boeing, acabou na órbita errada e quase foi destruída devido a múltiplos erros de software.

Como resultado, o primeiro voo do Starliner com astronautas não é esperado até ao próximo ano.

Desde que retirou o vaivém espacial em 2011, a NASA tem confiado nas naves espaciais russas, lançadas do Cazaquistão, para levar os astronautas americanos de e para a estação espacial.

 

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