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Opinião

Coube-nos a nós

Opinião

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ARTIGO DE JORGE RIBEIRO

Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço.


Um século depois da última grande epidemia, coube-nos agora a nós viver neste período dramático. Um novo vírus espalhou-se por todo o mundo e obrigou-nos a mudar radicalmente a nossa forma de vida.

A doença provocada por este vírus é especialmente agressiva com os mais idosos. A sua ação tem sido por isso muito sentida em lares residenciais, onde a concentração de idosos proporciona o meio ideal para a propagação deste vírus. Todos os dias nos chegam relatos de situações trágicas vividas em lares dos quatro cantos do mundo.

Quis o destino que eu estivesse, hoje, à frente de uma instituição onde existem lares para idosos. Foi num desses lares que a doença bateu à porta a três de abril. Nesse dia despedi-me dos meus filhos, sem saber quando voltaria a estar com eles. Um mês depois, a luta contra a doença e o medo de os contagiar, ainda não deixaram que isso acontecesse.

O dia três de abril de dois mil e vinte há-de ficar sempre nas memórias de toda a família da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, em especial dos que estão ligados ao Lar Pereira de Sousa, como o dia em que o inferno nos caiu em cima.

Entre o pânico, as lágrimas e o medo da doença, tínhamos que continuar a fazer aquilo que fazemos todos os dias, tínhamos que garantir que os nossos idosos continuavam a ser cuidados.

Os nossos dias passaram a ser geridos minuto a minuto. A cada momento uma situação nova e mais difícil que a anterior se nos apresenta. Dia após dia.

Quando à noite encosto a cabeça na almofada, penso que falta menos um dia para isto acabar.

Nem eu, nem certamente ninguém dos que me acompanham, alguma vez viveram algo semelhante. Não estávamos preparados para isto. Ninguém está.

Mas estes são períodos reveladores. Entre outras coisas, permite-nos ver o melhor e o pior que há em cada pessoa. E permite-nos também perceber quem são as melhores e as piores pessoas.

Podia falar-vos aqui da muita maldade que vimos, que sentimos na pele. Podia falar-vos daquele pequeno grupo de pessoas que tentam aproveitar os momentos de fraqueza para prejudicar, para fazer mal, para destruir. Sem qualquer preocupação com aqueles que tentamos salvar. Pessoas que não fazem falta, que não melhoram a vida de ninguém.

Mas prefiro falar-vos do melhor que vivi, das enormes lições de vida que recebi, da quantidade de vezes que me arrepiei com a grandeza de algumas personalidades.

As notícias que íamos lendo e ouvindo na comunicação social, falavam de lares onde os idosos eram abandonados, ou onde um pequeno grupo de pessoas tentava prestar os cuidados mínimos, até ao limite das suas forças. Esta era uma ideia que nos aterrorizava – a qualquer momento poderíamos não ter equipa suficiente para cuidar dos nossos utentes.

A verdade é que nem a doença, nem o medo de adoecer foram suficientes para que isso acontecesse. A coragem, a responsabilidade e o espírito de missão das nossas colaboradoras falaram sempre mais alto e não permitiram que em momento algum faltassem cuidados aos nossos idosos. Para estas pessoas que me acompanham nesta batalha, dia após dia, sem outra preocupação que não seja o bem-estar daqueles a quem cuidam, a minha vénia, a minha imensurável gratidão.

A resposta dada pela comunidade foi imediata e em grande escala. De todo o lado foi chegando colaboração, mensagens de apoio e donativos dos mais variados géneros, desde equipamentos de proteção a alimentos. As populações e entidades locais, públicas e privadas, disseram presente de uma forma que deixou bem claro que, nos momentos de aflição, somos uma comunidade, unimos esforços.

Numa onda de solidariedade que se estendeu até Lisboa, chegaram à nossa instituição os voluntários. Mais de uma dezena de jovens, com as mais variadas formações académicas e profissões, vieram até nós, disponibilizando-se para o que fosse necessário. Sem esperar nada em troca, a não ser a satisfação de poder ajudar. “Não podíamos ficar em casa, sabendo que estes idosos precisam de ajuda”, diziam. Inundaram a instituição de carinho. Não tenho palavras para exprimir a admiração que sinto por estes homens e mulheres. São eles o garante de um futuro melhor para a humanidade.

Mas a maior lição de vida veio certamente dos nossos idosos. De um dia para o outro viram-se privados de visitas. Há quase dois meses que não recebem um abraço dos seus familiares, algo que as novas tecnologias ainda não substituem.

Mais tarde, passaram a não ter as suas atividades normais, a não conviver como habitualmente. Deixaram até de reconhecer os rostos daquelas que todos os dias lhe prestam cuidados. As máscaras, as viseiras, os fatos passaram a fazer parte do seu dia a dia.

Muitos deles não compreenderão bem o que está a acontecer. Mas confiam e acreditam que estamos a fazer o melhor para eles. E serenamente esperam por dias melhores. Com aquela serenidade que tanto precisamos e apenas os anos de vida trazem.

No entanto, não conseguimos salvar todos. Apesar de todos os esforços de toda esta gente, alguns dos nossos idosos foram vencidos pela doença. É para eles e para as suas famílias que vai o nosso pensamento. Queríamos continuar a tê-los entre nós. São eles o centro da família Santa Casa e é por eles que existimos e que trabalhamos diariamente.

Sairemos disto pessoas diferentes. Acredito que melhores, mais fortes, mais solidárias, mais preparadas para lidar com as adversidades da vida, que serão sempre pequenas, comparando com o que estamos a atravessar.

Santa Casa de Melgaço passa “maior crise” dos últimos 100 anos

Na parte que me diz respeito, na parte que toca à Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, estamos mais unidos do que nunca à volta da nossa missão.

Esperamos que este flagelo tenha um fim rápido, com um pensamento que nos acalenta em cada fim de dia – os nossos idosos nunca se sentiram abandonados.

Jorge Ribeiro – 13 de maio, 2020

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Colunistas

Queridos meninos e meninas

Por Vânia Mesquita Machado

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Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

Queridos
meninos e meninas,

Sou médica de crianças.

Talvez até seja a vossa Pediatra,
ou parecida com a vossa doutora.
Ou que o vosso doutor também sorria como eu.
Nós, os vossos doutores,
gostamos muito de sorrir para vos tentar animar se estiverem doentes.
E se não estiverem,
até sorrimos
porque a vossa energia e alegria nos contagia,
e nos põe a nós bem dispostos.

Estes dias é mais difícil verem que continuamos a sorrir quando nos vão consultar,
porque temos a cara tapada com as máscaras:
mas os vossos pais já vos explicaram que tem de ser.

Estou a escrever agora para vós,
para também explicar porque tenho de usar a máscara.

Costumo fazer isso na consulta quando me vão visitar,
desde que veio para Portugal o coronavirus,
mas como estou com ela na cara,
nem sempre se percebe bem o que digo,
e quando vão à consulta alguns de vós têm aquele friozinho na barriga, que é normal.

Eu também tinha quando era da vossa idade e ia ao meu doutor…
Confesso-vos que não gostava nada de sentir o frio do estetoscópio no corpo nem o pauzinho na garganta.
Mas os meus pais davam-me a mão com força e tudo corria bem!

Alguns de vós preferem as histórias dos livros que começam com
“Era uma vez”, outros preferem outras histórias,
mas todos gostam que o final seja feliz.

Como nós, os adultos!

Esta história do vírus que em dezembro apareceu na China, ainda não terminou,
não sabemos quando vai acabar,
mas temos todos esperança que seja o mais depressa possível.

Mas esta história ainda se está a escrever,
e como eu já vos disse muitas vezes,
e de certeza, os vossos doutores também,
nós não gostamos de mentir.

Não se deve mentir, pois não?

Quando vão às vacinas dói um bocadinho, mas depois passa.
Certo?

O coronavirus é mais um dos bichinhos invisíveis chamados micróbios.

Este vírus tornou-se mais forte do que
muitos outros,
e viajou pelo mundo todo.
E essa viagem chama-se pandemia.

Mas de certeza que já ouviram falar noutras doenças como a gripe das aves,
a gripe A, o Ébola e a Doença das vacas loucas, que viajaram pelo mundo.

Os micróbios tambem eram mais fortes e
ainda dão doenças más nalguns lugares do mundo.

Mas os cientistas estão sempre a estudar para descobrir como matar os micróbios, e por isso muitos desses vírus já não são tão fortes.

Onde vivemos,
existem milhões de outros micróbios, não só vírus mas bactérias,
que são todos invisíveis, muito mais pequeninos que as formiguinhas.

E podem dar tosse, dor de garganta, dor dor de barriga…
Muitos fazem com que fiquem mal dispostos
e até sem quererem comer.
E quando os vossos pais
vos virem a brincar menos ,
põe-vos a mão na testa e estão quentes, por isso podem ter febre, e
usam o termómetro.
( que muitos de vós também não gostam nada… mas tem de ser)

Tomam os remédios e passado um tempo já se sentem melhor…
Verdade?

Se não melhoram, vêm-nos visitar.
E nós os doutores ouvimos o que se passa, vemos o vosso corpo, e depois damos outros remédios para que fiquem outra vez sem dores, e cheios de vontade de brincar e aprender!

Não precisam de ter medo.

Porque no nosso planeta sempre existiram doenças, tanto pelos micróbios como por outros motivos, já ouviram falar nelas, como o cancro, por exemplo.

A boa notícia,
é que os médicos estudam muito para vos poderem curar, e os cientistas ajudam a descobrir coisas novas, e já existem muitos remédios para tratar as doenças.

De certeza que alguns de vós já ficaram internados quando os tratamentos têm de ser no hospital, ou têm amigos que já lá passaram algum tempo.
Às vezes, tem mesmo de ser!

Como disse no princípio,
o que eu vos queria explicar muito bem,
é que durante uns tempos, nós doutores e os adultos,
temos de usar as máscaras para proteger as pessoas
se estivermos infetados com o coronavirus, porque muitas vezes não se sente nada quando o vírus entra no nosso corpo.

E vós, meninos e meninas, têm de usar máscaras para irem à escola,
exceto os mais pequeninos.

Nós não gostamos muito,
porque escondemos o riso e preferimos estar sem nada na cara, certo?

Mas nem sempre podemos fazer tudo o que nos apetece…
Também é verdade, não é?

Muitos de vós, preferem gomas e outras gulodices em vez da sopa e da fruta.
( quase todos…)

Mas como os pais, e nós doutores explicamos, e alguns já aprenderam na escola,
temos de comer alimentos com vitaminas, proteínas, e hidratos de carbono e gorduras boas,
para crescer, para que o cérebro fique mais inteligente,
e também para ajudar a curar as doenças!

Também é importante
dormir bem,
e termos todos momentos felizes com as pessoas de quem mais gostamos!

Tudo isso vai ajudar a que as defesas do nosso corpo fiquem cada vez mais fortes , o que nós doutores chamamos “sistema imunitário”,
e que é fundamental,
para além dos remédios, para curar as doenças, ou para nem ficarmos doentes.

Mais outra boa noticia para vós,
meninos e meninas:
é que o coronavirus não vos vai quase de certeza fazer sentir muito doentes, todos já tiveram febre, tosse nariz entupido, e depois ficaram bons, certo?

Mas as pessoas mais velhas,
ou que já tenham outras doenças, se se infetarem com este vírus podem ficar muito doentes ou podem morrer…

Por isso estamos todos a usar as máscaras,
a lavar bem as mãos,
não pondo as mãos nos olhos,
no nariz e na boca,
e não andamos na rua ou noutros sítios com muitas pessoas juntas, e se acontecer afastamo-nos.

Porque todos estamos a fazer um grande esforço para que o coronavirus
se vá embora do planeta, ou se transforme num vírus menos forte,
e acabe a pandemia.

E nao se esqueçam que os cientistas estao a estudar os remédios para curar este vírus, e as vacinas para nos proteger contra ele.

E nós doutores, continuamos a tratar de vós, de máscara, enquanto for preciso.

E se estiverem doentes,
com tosse, febre, nariz muito entupido,
têm de ir às consultas das urgências numa sala diferente,
onde estamos vestidos como astronautas…

Mas continuamos a tratar de vós,
meninos e meninas,
e a sorrir!

E este é o meu sorriso,
sem máscara,
parecido com o dos vossos doutores, porque todos acreditamos que rir
também funciona como um remédio para ajudar a curar as doenças!

Um abraço amigo,

Doutora Vânia

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Colunistas

Cimeira Ibérica: Uma oportunidade de aprofundamento da cooperação

Por José Maria Costa

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foto: DR

José Maria Cunha Costa
Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e Presidente da RIET

A Cimeira Ibérica vai realizar-se dentro de poucos dias na cidade da Guarda com um significado especial para os dois países, mas com enorme expectativa para as populações dos territórios do interior e de fronteira.

As preocupações e problemas concretos das populações dos territórios de fronteira em dois países com um grande lastro centralista nem sempre no passado estiveram no centro das cimeiras. Normalmente, estes momentos assinalavam acordos entre os dois Governos para grandes projetos, grandes infraestruturas ou tomadas de posição conjuntas sobre temas europeus. Não significa que estes assuntos não sejam relevantes, mas ficavam muitos outros temas por decidir, acordar ou implementar da vida quotidiana das populações.

A fronteira entre Portugal e Espanha é a fronteira mais estável da União Europeia, mas também a mais despovoada e com indicadores de desenvolvimento mais frágeis. Por isso, as Entidades Transfronteiriças têm ao longo destes anos de integração europeia assumido o desenvolvimento de muitos projetos de cooperação, procurando diminuir o isolamento, desenvolver pequenas economias e partilhar equipamentos e projetos culturais. Bons exemplos de boas práticas desses protagonistas são a Associação do Eixo Atlântico, as Euro-Cidades e o Instituto Ibérico de Nanotecnologia, entre outros.

A RIET – Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriça tem sido uma plataforma de concertação entre diversas entidades, como redes de cidades, deputações, associações empresariais, universidades e politécnicos, para permitir a discussão de temas e estudos, e a apresentação de projetos e iniciativas de cooperação entre os dois territórios de fronteira.

É por isso que esta Cimeira Ibérica, ao ter na sua agenda política a discussão e aprovação de uma Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, traz uma nova esperança e, estou certo, grandes oportunidades, para as populações de fronteira e para todas as organizações e Entidades Transfronteiriças.

Portugal e Espanha vão assumir, em boa hora, um objetivo central das suas políticas de cooperação, a cooperação transfronteiriça. Vamos, assim, poder afirmar no contexto da cooperação europeia um papel mais forte e mais determinado na cooperação entre Universidades e Politécnicos de fronteira, projetos de desenvolvimento e valorização económica, social e turística, partilhar mais equipamentos e serviços públicos e, desta forma, fixar e atrair mais jovens para estes territórios.

Para concluir este processo virtuoso de afirmação e densificação da cooperação transfronteiriça só falta mesmo atualizar o Tratado de Valência, dando mais flexibilidade jurídica e fiscal às organizações e projetos transfronteiriços para que possamos ir mais longe nas políticas da cooperação, do que apenas na gestão dos fundos europeus.

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Opinião

Participação política das mulheres no poder local – que igualdade?

Opinião de Marta Ferreira – Deputada Municipal na Assembleia Municipal de Braga

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ARTIGO DE MARTA FERREIRA

Membro do secretariado concelhio das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga. Deputada Municipal na Assembleia Municipal de Braga.

De que falamos quando falamos em desigualdade de género na política?

A Lei da paridade (criada em 2006 e alterada pela Lei orgânica n.º 1/2019 de 29 de março) estabelece atualmente uma quota mínima de 40% de representação por cada género nas listas eleitorais. Tendo sido uma medida de ação positiva geradora de grandes controvérsias sociais, revelou-se um poderoso instrumento para atenuar as desigualdades de género na política em Portugal, abrindo portas às mulheres e impondo um nível mínimo de equilíbrio e representatividade dos dois géneros no poder político.

No entanto, apesar dos avanços verificados nos últimos anos nesta matéria, o sistema parece continuar adverso à permanência das mulheres na política, num mundo que persiste altamente genderizado.

O que impede então a mulher de participar mais ativamente na política?

Na origem desta desigualdade de género no exercício dos direitos políticos estarão um conjunto de fatores estruturais, culturais, históricos e institucionais.

Apesar de serem cada vez mais qualificadas, as mulheres continuam a encontrar mais barreiras à sua presença nos órgãos de decisão política. Se por um lado as mulheres estão sujeitas a um maior escrutínio e a uma elevada vigilância ao seu desempenho, não lhes sendo admitidas falhas, por outro lado, debatem-se com as dificuldades de conciliação da vida familiar e pessoal com a vida política.

No que respeita à paridade, o poder local é o que fica mais aquém no equilíbrio entre géneros. As autarquias locais continuam a ser um palco predominantemente masculino. De acordo com os dados publicados pela CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de género, a percentagem total de mulheres nos órgãos autárquicos em 2017 situou-se nos 33,2%, sendo mais baixa nos órgãos executivos (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia), do que nos órgãos deliberativos (Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia). Desta forma, é percetível que os partidos cumpriram os “mínimos” na composição das listas, colocando as mulheres no 3º, 6º e 9º lugares das listas, para cumprirem a Lei da Paridade. Muitas vezes, apesar do cumprimento das quotas mínimas nas listas, assistimos ao abandono das mulheres dos cargos para os quais foram eleitas.

Em 2017, as mulheres presidentes de câmara em Portugal representavam apenas 10% dos eleitos para o cargo, e das 3085 juntas de freguesias portuguesas, apenas 358 são presididas por mulheres, o que corresponde a 11,6%. Se tivermos em conta que 52,8% da população residente são mulheres, percebemos o claro domínio masculino no poder autárquico.

No concelho de Braga a realidade não é diferente. Desde 1976, em 12 eleições autárquicas livres e democráticas realizadas, apenas 7 mulheres foram eleitas presidentes de junta, sendo que no atual mandato 4 mulheres exercem esse cargo (10,8%) do total dos 37 presidentes de junta.

Analisando esta realidade, percebemos que a Lei da paridade não parece suficiente para garantir a igualdade no mundo da política, e que é necessário ultrapassar desigualdades estruturais presentes na nossa sociedade. São também necessárias medidas acessórias, que passarão por mudanças claras nas formas de participação política, e por repensar as estruturas autárquicas, garantindo um aumento efetivo das mulheres em lugares de decisão, através de, por exemplo, paridade nos dois primeiros lugares das listas, ou pela substituição por uma pessoa do mesmo género em caso de renúncia ou suspensão do mandato.

Conhecendo os principais obstáculos compete-nos a cada um de nós combatê-los, para que os cargos políticos, sobretudo nas autarquias locais, sejam mais apelativos para as mulheres.

Aproximam-se as eleições autárquicas de 2021. Levanta-se de novo o desafio de construir comunidades mais justas e solidárias, com espaço para os dois géneros, para que seja possível pensar modelos de desenvolvimento ajustados a homens e mulheres, nas diferentes áreas da vida.

É na política que começa a mudança social, e as Autárquicas de 2021 constituem mais uma oportunidade para os partidos políticos mostrarem que o “espírito da lei” foi interiorizado.

Aumentar o número de mulheres presentes nos órgãos de decisão é melhorar a qualidade da democracia.

Marta Ferreira
Membro do secretariado concelhio das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga
Deputada Municipal na Assembleia Municipal de Braga

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