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Ponte de Lima

Corrupção, favorecimento e assédio sexual em IPSS de Ponte de Lima, acusam funcionárias

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Casa de Caridade de Nossa Senhora da Conceição em Ponte de Lima. Foto: DR

Um grupo de funcionárias da Casa de Caridade Nossa Senhora da Conceição, uma IPSS em Ponte de Lima, deu entrada no Ministério Público em um processo contra a Instituição, soube O MINHO. As fontes, que preferem o anonimato, acusam alguns membros da direcção de corrupção, favorecimento a familiares e assédio sexual.

As funcionárias, afastadas alegadamente por serem “um perigo iminente à instituição”, dizem estar na posse de documentos que mostram vendas ilícitas de terrenos, com dados ilícitos e parte do valor a ser passado “por baixo da mesa”.

Dizem ainda ter provas de que serviços, como fornecimento de frutas e legumes, manutenção da parte mecânica das viaturas de instituição, venda de produtos de higiene e até seguros são todos feitos por familiares de membros da direcção.

Os processos sobre as funcionárias já estão em averiguação e foram entregues à Judiciária.

“Começamos isto [as denúncias] a partir de setembro”, explicam. “Toda a gente sabe, mas ninguém é capaz de dar a cara”, dizem as funcionárias, que falam em “assédio sexual”, relatando casos de assédio nos postos de trabalho pelo próprio presidente, “ao tentar levar para sítios mais resguardados”.

“Sabemos que há mais funcionárias nessas circunstâncias, mas que não vão falar por medo de represálias. E ele nega, diz que é tudo mentira”, diz a fonte.

“O que deveria acontecer é eles serem afastados da instituição, devolver aquilo que, hipoteticamente, possam ter desviado. São bens da instituição. E terem que pagar o preço deles por sete anos de represálias, e aos próprios utentes”, reclamam.

Quem deu seguimento ao processo foi Pedro Saraiva. O presidente da Assembleia Geral recebeu uma carta e definiu quais seriam os próximos passos.

“Eu teria que fazer uma de duas coisas: convocar uma assembleia para debater esse assunto, ou efetivamente participar os fatos que constavam ao Ministério Público. Entendi que era mais oportuno apresentar a carta ao Ministério Público”, explicou ao O MINHO.

“Está agora a correr o processo referido. Se forem constituídos arguidos, tomarei posição enquanto presidente da Assembleia Geral”, acrescenta.

Segundo as funcionárias que fazem as acusações, há ainda falta de condições aos utentes, caldeiras enferrujadas, em mau estado, cortes na alimentação, cortes de regalias, como passeios.

Casa de Caridade de Nossa Senhora da Conceição. Foto: DR

Estão na casa por volta de 75 utentes internos, além do apoio domiciliário, que são cerca de outros 50. Para além da instituição de Refóios do Lima, um outro núcleo, que terá por volta de 45 utentes, e o apoio domiciliário, que tem pouco mais de 15.

“Eu acho que para o bem dessa instituição, as notificações e a instalação de inquérito já deveriam ter corrido. O prazo faz toda a diferença. A instituição está acima de tudo. E nesse sentido, eu apelo para que a justiça seja rápida, e virá a acontecer nos prazos que é humanamente possível”, concluiu Pedro Saraiva.

Contactado pelo O MINHO, o presidente da direção, Aníbal Varela, disse que “a Justiça serve para clarificar estas questões” e logo se irá apurar a verdade dos factos, “com toda a naturalidade”.

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Alto Minho

Ponte de Lima isenta pagamento de rendas e taxas até junho

Covid-19

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Foto: DR

A Câmara de Ponte de Lima vai isentar o pagamento de rendas e taxas até junho, ao abrigo de “medidas excecionais”, orçadas em 395 mil euros, para atenuar o impacto “relevante” da covid-19 na economia, emprego e coesão social.

Em comunicado enviado hoje às redações, aquela autarquia do distrito de Viana do Castelo justificou o investimento, aprovado por unanimidade em reunião camarária, com a necessidade de “apoiar o rendimento das famílias e das empresas, que tendo encerrado ou diminuído as suas atividades terão dificuldades em cumprir compromissos e retomar a seu normal funcionamento”.

De acordo com a nota do município presidido por Victor Mendes (CDS), “a isenção do pagamento vigora nos meses de março, abril, maio e junho, em todos os fogos municipais de habitação social, na ocupação da via pública e publicidade a todos os estabelecimentos comerciais, no terrado relativo às feiras cuja realização foi proibida e nas rendas devidas pela adjudicação da exploração e espaços municipais”.

Segundo a autarquia, aquela isenção representa “um apoio de 280 mil euros”.

O município decidiu ainda a antecipação das verbas do subsídio anual a 16 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), no valor de mais de 82 mil euros”, justificada com “o acréscimo de despesas para fazer face a situações excecionais previstas nos respetivos planos de contingência que poderão levar a eventuais problemas de tesouraria”.

Na última reunião, o executivo municipal aprovou ainda um apoio de 16.500 aos bombeiros voluntários, bem como contribuir com 16.047 euros para um fundo de 100 mil euros que a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho constituiu para apoiar a Unidade Local de Saúde do Alto Minho na resposta à pandemia da covid-19.

Em Portugal, segundo o balanço feito na quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 380 mortes, mais 35 do que na véspera (+10,1%), e 13.141 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 699 em relação a terça-feira (+5,6%).

Dos infetados, 1.211 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 196 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

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Alto Minho

Ponte de Lima: Páscoa de Fontão, tradição interrompida – “O chefe lá em cima não deixou”

Covid-19

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Foto: DR

Vídeo: YouTube (2019)

No domingo de Páscoa, em Fontão, Ponte de Lima, mais de 500 convivas reunir-se-iam em longas mesas onde abundariam os filetes, o cabrito, a vitela e a doçaria tradicional, num almoço providenciado pelo Mordomo da Cruz, Norberto Fernandes. Só que nada disso vai acontecer este ano.

A pandemia de covid-19 e as consequentes medidas de contenção da propagação do vírus impostas pelo Governo levaram, naturalmente, ao cancelamento de uma das mais conhecidas festas de Páscoa. Terá sido a primeira vez que esta tradição, tão enraizada na cultura limiana cujo início é indocumentável, não se realizou. “Segundo consta, não há memória de alguma vez ter sido cancelada, nem na altura da gripe espanhola, em 1918”, nota, em conversa com O MINHO, Norberto Fernandes.

“Foi tudo cancelado. Faremos para o ano, se tudo correr bem”, acrescenta o Mordomo da Cruz, que recebeu na Páscoa do ano passado o testemunho do seu irmão Orlando. Como este ano não se realiza a festa, Norberto Fernandes adianta que será ele novamente o Mordodo da Cruz em 2021: “É 99,9% certo, se Deus quiser”.

Mordomo é escolhido todos os anos

Escolha em 2019. Foto: DR

Todos os anos, o Mordomo da Cruz oferece o almoço, no domingo, à população e, nesse mesmo repasto, escolhe o seu sucessor. O anúncio da seleção também cumpre um ritual: a mulher do anfitrião deposita o ramo da cruz nas mãos do eleito. São também escolhidos os dois Mordomos do Senhor, que acompanham o ‘principal’ (este ano, são o Paulo e o Carlos). E, além de dar de comer a quase toda a freguesia, o mordomo tem ainda que, durante um ano, assegurar a limpeza da igreja e os serviços do sacristão.

Tradicionalmente, na segunda-feira de Páscoa, o compasso volta a percorrer a freguesia, o almoço é “mais curto” e o regresso faz-se já de noite com os mordomos, na reta final, a serem levados em ombros pelos jovens da freguesia até à igreja.

Era isto tudo que iria acontecer, como sempre, não fosse a normalidade dos nossos dias ter sido terraplanada pela pandemia de covid-19.

Já havia quem tivesse comprado bilhetes de avião

Almoço de 2017. Foto: DR

Norberto Fernandes, 62 anos, carpinteiro, que já há 33 anos havia sido Mordomo do Senhor, não esconde a desilusão. A da comunidade, em geral, e a sua, em particular: “Há desilusão, mas são coisas que nos ultrapassam. Para nós, custou bastante, porque tínhamos tudo organizadinho para que desse certo. Íamos colocar a tenda [onde é servido o almoço] 15 dias antes para que se fizesse lá a montagem do ramo, no sábado de ramos. (…) Fazia cinquenta anos que foi o meu sogro [o mordomo] e eu fazia todo o gosto em fazer este ano, mas o chefe lá em cima não quis que a gente fizesse, pronto”.

O mordomo conta, também, a O MINHO que “já havia gente de fora que tinha adquirido o bilhete de avião” para participar no almoço.

Já ao nível da organização, toda a logística estava preparada, mas ainda “deu para cancelar, a tenda, o aluguer das louças, tudo isso”, pelo que não houve prejuízos de maior. Mesmo assim, “há sempre uns gastos, mas fica para o ano”, acrescenta.

A tradição será retomada em 2021. Se “o chefe lá em cima” deixar.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 75 mil morreram. Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com cerca de 708 mil infetados e mais de 55 mil mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, contabilizando 16.523 óbitos em 132.547 casos confirmados até segunda-feira.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 345 mortes e 12.442 casos de infeções confirmadas.

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Alto Minho

Covid-19: Casos confirmados em Ponte de Lima subiram 71% num dia, de sete para 12

Relatório da DGS

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Foto: DR / Arquivo

Ponte de Lima registou o maior crescimento percentual de casos confirmados de infeção por covid-19, entre domingo e segunda-feira, na região do Minho, segundo indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral de Saúde, divulgado esta terça-feira. Os casos confirmados no concelho passaram de sete para 12, numa subida de 71%.

Os números correspondem aos dados recolhidos até as 24:00 de segunda e podem comportar apenas cerca de 79% dos casos reais.

Braga, com 407 (+49 do que ontem) casos confirmados, Famalicão com 150 (+8) e Guimarães com 147 (+16) são os concelhos da região do Minho mais atingidos pela pandemia.

Fonte: DGS

Segue-se o concelho de Barcelos com 103 (+10), Viana do Castelo com 75 (+7), Vila Verde sobe para 48 (+4), Póvoa de Lanhoso e Arcos de Valdevez com 26 (+5), Póvoa de Lanhoso com 23 (+2), Amares com 19 (+1), Vizela com 17 (+3), Esposende com 16 (+2), Fafe com 13 (+1), Ponte de Lima com 12 (+5), Vieira do Minho mantém 9, Melgaço sobe para 9 (+1), Caminha com 8 (+1), Celorico de Basto com 7 (+1), Monção com 7 (+1), Paredes de Coura com 6 (+3), Cabeceiras de Basto mantém 5 casos, Terras de Bouro com 4 (+1) e Valença também com 4.

Já abriu o centro de rastreio à covid-19 em Ponte de Lima

Os restantes concelhos minhotos registam menos de 3 casos, alguns ainda sem infetados, e não constam no relatório por “motivos de confidencialidade”.

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