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Construção de nova adega de 7 milhões em Ponte da Barca começa em breve

Estará a funcionar em 2023

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Foto: DR / Arquivo

A construção do novo edifício da Adega Cooperativa de Ponte da Barca começará até final do ano, ou início de 2022, num investimento de sete milhões de euros para dar resposta ao “constante” crescimento da instituição, foi hoje divulgado.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do conselho de administração da Adega Cooperativa de Ponte da Barca, Rui Folha, sublinhou que, “em termos operacionais”, o novo equipamento deverá estar em funcionamento em 2023.

“Só faremos vindima no novo espaço em 2023. A próxima vindima ainda será feita nas atuais instalações porque há um conjunto de equipamentos a mudar, desde cubas, linhas de engarrafamento, equipamentos de grande dimensão que levam muito tempo a instalar e depois a aferir no novo espaço”, explicou.

Com um atraso de dois anos, devido à aquisição do terreno, concretizada apenas este mês, a construção do novo equipamento “é um sonho antigo da instituição, cujo atual edifício com quase 60 anos já não está adequado às exigências da realidade atual do setor”.

“Fruto do crescimento que a adega tem tido, as atuais instalações que já não se adequam às necessidades quer do mercado nacional, quer externo, o que nos obriga a procurar uma alternativa em termos de infraestruturas”, explicou.

A construção do novo espaço, que “deveria ter sido concluído em agosto último, resulta “de uma candidatura ao projeto Inovação Social, do Portugal 2020, que tem, obrigatoriamente, de estar concluída no prazo de um ano e meio a dois anos”.

Segundo disse, este é “o único projeto a nível nacional, na área das adegas, apresentado ao programa Inovação Social”, sendo que tem “uma comparticipação a fundo perdido que poderá oscilar entre os 45 e os 50%, mas que poderá chegar aos 60%, com a eficiência do projeto”, explicou Rui Folha.

Em termos de inovação, o novo espaço vai permitir melhorar “o processo interno de tratamento do vinho, ao nível da vinificação, utilizando novas metodologias desde a garrafa ao engarrafamento e o lançamento de novos produtos”.

O “constante crescimento” da adega foi decisivo para a aposta no novo projeto, sendo que “nos últimos dois anos a instituição está a crescer sempre na casa dos dois dígitos”.

“Em 2020, num ano complicado [devido à pandemia de covid-19], crescemos perto de 20%. Este ano, garantidamente mais 20%. O volume de negócios, este ano, será acima dos sete milhões de euros, mais de 70% resultante da exportação”, apontou.

O responsável acrescentou que, “em 2020, o mercado interno foi bastante afetado, com o setor da restauração a ser muito fustigado”, situação que a instituição “conseguiu contrabalançar com o aumento das exportações”.

“Já exportamos para mais de 30 países, com destaque para os mercados consolidados dos EUA, Brasil, Rússia, Canadá, Polónia”, precisou.

Por ano, a Adega Cooperativa de Ponte da Barca produz, “entre três e 3,5 milhões de uva e cinco milhões de garrafas de vinhos brancos e rosados”, e “nos últimos cinco anos, os vinhos brancos têm representado 60% das vendas, mas o nosso vinho tinto vinhão também é dos mais conhecidos”, referiu.

“Estamos numa fase em que, forçosamente, temos de dar este passo no investimento da nova estrutura para fazer face até a algumas exigências da segurança alimentar. Somos certificados. Temos um conjunto de obrigações e, também por essa via, temos de ter uma alteração da infraestrutura”, insistiu.

Para Rui Folha, o novo edifício, “além de ser uma das mais bonitas infraestruturas da área vitivinícola, pelo menos do norte do país, está enquadrado num terreno com um certo declive e, em termos arquitetónicos, vai ser uma peça que se deve visitar, ligada também ao enoturismo”.

O projeto, cuja adjudicação da obra deverá ser feita até ao final do ano, prevê “o aproveitamento de um conjunto de infraestruturas que vão ser criadas”, e aposta na “sustentabilidade, com painéis solares”, entre outros equipamentos.

A nova adega vai ficar instalada na 1.ª fase de ampliação do parque empresarial de Rodo, em Ponte da Barca. Os dois lotes, com uma área total de 18.355 metros quadrados, foram vendidos este mês pela Câmara à Adega Cooperativa de Ponte da Barca.

A Adega Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, constituída em 1963, representa uma área de 1.200 hectares de vinha, maioritariamente nos concelhos de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, onde são privilegiadas as duas principais castas da Região dos Vinhos Verdes: Loureiro (branca) e Vinhão (tinta).

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