Comunistas contra abate de sobreiros em Famalicão: “Capitalismo não é verde”

300 árvores dão lugar a 106 mil painéis solares
Foto: CDU Famalicão

A CDU acusa a Câmara e o Governo de “falta de transparência” no processo da empreitada que vai instalar uma central fotovoltaica em Famalicão e diz que este projeto demonstra, “de forma inequívoca”, que o “capitalismo não é verde”.

Como O MINHO noticiou, a instalação de 106 mil painéis fotovoltaicos está envolta em polémica devido ao abate de cerca de 300 sobreiros nas freguesias de Outiz e Vilarinho das Cambas, numa área com 80 hectares.

“O facto de o presidente da Câmara Municipal ter apenas agora emitido um comunicado, já depois da decisão estar tomada e apenas em reação à polémica instalada, é ilustrativo da ausência de um processo de discussão mais alargado que a matéria reclamava”, aponta a CDU de Famalicão.

Os comunistas lamentam que as explicações quanto ao aval dado a este empreendimento se limitem “a enquadrar juridicamente o processo”, quando a questão se devia centrar no “plano das opções políticas”.
Considera que a decisão “não serve os interesses dos cidadãos, que exigem, com cada vez maior força, o respeito pelo equilíbrio ecológico e ambiental”.

“A CDU compreende e partilha da inquietação que a questão está a suscitar nas populações, tendo em conta que foi cortada uma extensa mancha de sobreiros e alguns carvalhos alvarinho, numa área integrada em Reserva Ecológica Nacional e que abrange as cabeceiras das linhas de água e áreas com risco de erosão”, afirma.

O partido conseidera que a Câmara tem uma postura de “conivência” com a “especulação imobiliária” que tem “assaltado” o Monte do Facho.

“O capitalismo não é verde, e este investimento demonstra-o de forma inequívoca. É incompreensível que em nome da transição energética e da defesa do ambiente seja posta em causa a degradação de solos férteis, abrindo caminho ao desmatamento de floresta autóctone, ameaçando a biodiversidade e os serviços de ecossistemas que estes espaços naturais promovem, quando projetos desta natureza poderiam facilmente ocupar espaços já construídos”, aponta.

Posto isto, a coligaçao considera que “os investimentos emergentes que pretendem responder à exigência energética, à transição verde e à mitigação e adaptação climática têm que ser a solução e não parte do problema”.

 
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