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Braga

Compra de terreno e apartamento por ex-deputado de Vila Verde na mira da PJ

Rui Silva nega suspeitas

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Foto: O MINHO

Rui Silva, ex-deputado do PSD, afirma desconhecer qualquer ligação com o caso das buscas que a Polícia Judiciária (PJ) de Braga realizou esta terça-feira, na Câmara de Vila Verde e na Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), negando qualquer tipo de ilicitude quando desempenhou altos cargos naquelas duas instituições.

À época, a Câmara e a EPATV eram lideradas, respetivamente, por António Vilela e João Luís Nogueira, com quem Rui Silva está a ser julgado, no Tribunal de Braga.

O advogado de Rui Silva, Reinaldo Veloso Martins, garantiu a O MINHO que o seu cliente “desconhece em absoluto ser alvo de qualquer tipo de investigação criminal, em que seja direta ou indiretamente visado” e que “nunca foi ouvido nem questionado” neste novo caso.

No entanto, O MINHO sabe que Rui Silva é o principal alvo das buscas em que são visados, em consequência, António Vilela e João Luís Nogueira.

João Luís Nogueira, líder da EPATV. Foto: O MINHO

Aliás, as buscas desta terça-feira devem-se a uma certidão que foi extraída do caso em que os três estão a ser julgados, na Instância Central Criminal de Braga, cuja audiência continua no próximo dia 20 de janeiro, com declarações de António Vilela.

O cerco volta a apertar-se a este trio, precipitado pelo facto de Rui Silva já não ser deputado à Assembleia da República devido à dissolução do Parlamento. A nível de procedimentos legais, a PJ já não teve de requerer, através do Ministério Público e do Tribunal de Instrução Criminal de Braga, o levantamento a imunidade parlamentar, tornando assim o processo mais célere.

António Vilela, ex-presidente da Câmara de Vila Verde. Foto: O MINHO

Apartamento em Braga

O MINHO sabe que as buscas desencadeadas esta terça-feira pela PJ de Braga que resultaram na recolha de abundante documentação quer digital, quer em papel, pretendem apurar se o apartamento em que reside Rui Silva, na freguesia de São Vicente, em Braga, será mesmo propriedade dele, apesar de estar em nome de um irmão.

As autoridades judiciárias suspeitam que o irmão foi um “homem de palha”, isto é, serviu como se fosse um normal comprador da fração, pelo “valor simbólico” de 60 mil euros, a uma empresária que, com o marido, detém uma firma, sediada então em Braga, que forneceu bens e serviços à Câmara de Vila Verde e à EPATV, sempre quando Rui Silva desempenhou altos cargos e em ambas as instituições.

O apartamento situa-se num quinto andar, da Rua Padre António Freire, na freguesia de São Vicente, em Braga, tendo o valor muito superior aos 60 mil euros, mesmo tendo em conta a data da sua aquisição, segundo as convicções dos investigadores criminais da PJ.

Nesta fase das investigações, acredita-se que o apartamento tenha sido uma contrapartida dada indiretamente a Rui Silva, pelos altos montantes envolvidos com as contratações de bens e de serviços, contratados a uma firma, sediada em Palmeira, no concelho de Braga.

A crer na tese sustentada pelos investigadores criminais da PJ, tratar-se-ia assim de uma venda simulada, além do mais porque, aquando da transação, o imóvel ainda estava sob o domínio da Caixa Geral de Depósitos, dada a hipoteca quando foi inicialmente comprado.

Terreno em Vila Verde

O DIAP do Ministério Público e a Polícia Judiciária também querem perceber se houve e que tipo de contrapartidas, na aquisição, por Rui Silva, de um terreno, em Soutelo, Vila Verde, suspeitando-se que possa ter sido, de acordo com denúncias anónimas, relacionada com o Plano Diretor Municipal (PDM) de Vila Verde.

Em causa está a suspeita de que o depois deputado na Assembleia da República possa ter influenciado que determinadas áreas passassem a ter capacidade construtiva e já não só agrícola, aumentando exponencialmente o seu valor. Suspeitas, estas, que Rui Silva, através do seu advogado, Reinaldo Veloso Martins, nega “categoricamente”.

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