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Cávado

Compositor António Pinho Vargas estreia “Stabat Mater” em Esposende

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Vídeo: hino “Stabat Mater”


O compositor António Pinho Vargas estreia, este sábado, na igreja matriz de Esposende, a obra “Stabat Mater“, que resulta de uma encomenda do Coro de Pequenos Cantores de Esposende (CPCE).

Esta é a primeira obra do compositor português para um coro de vozes de crianças (vozes brancas), surge depois de obras para coro misto e orquestra do compositor, como a oratória “Judas” (2002), “Requiem” (2012) e “Magnificat” (2013), e levantou “três desafios”, que Pinho Vargas descreve na nota de programa do concerto.

O primeiro tem exatamente a ver “com os registos, o grau possível de contraponto”, que o uso de vozes brancas impõe, distinto do trabalho com um coro misto, como o Coro Gulbenkian, por exemplo, com o qual trabalhou obras anteriores.

O segundo desafio tinha a ver com a escolha da secção do “Stabat Mater”, que remonta ao século XIII e constitui um dos textos mais longos da liturgia. António Pinho Vargas parte dos sete momentos iniciais, que incluem os versos mais comuns da obra, “Stabat Mater Dolorosa”, e junta o último, de caráter mais conclusivo, “Quando meu corpo morrer, possa a alma merecer”.

“O terceiro desafio e talvez o momento-chave”, adianta, “residiu na escolha dos instrumentos que, conjuntamente com o coro, constituem uma junção, nunca usada”, tanto quanto o compositor sabe: “Coro, violino e piano”, numa conjugação que, ao longo da obra, permitirá configurar “um afastamento da dolorosa descrição do evento, para uma fala reflexiva sobre a aspiração ao paraíso”.

 

Antonio Pinho Vargas

A obra de António Pinho Vargas será enquadrada por três motetes de compositores da Renascença – “Adoramus Te Christe”, do mestre Orlando De Lassus, “Recordare Domino”, do francês Elzéar Genet, ou Carpentras, e “O vos omnes”, do italiano Gianmmateo Asola -, aos quais se junta uma adaptação do “Miserere”, de Mozart, motetes de Anton Bruckner e de Johannes Brahms, e ainda um motete de inspiração mariana “Ave verum”, de Paulo Bastos, também em estreia, que abre caminho ao “Stabat mater” de António Pinho Vargas.

O concerto, dirigido pela maestrina Helena Venda Lima, tem início às 21:30, na Igreja Matriz de Esposende, distrito de Braga, e integra-se nas iniciativas da Semana Santa.

As obras em estreia, de acordo com a informação publicada na internet pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, deverão ser incluídas num novo disco do coro, a publicar em 2017, dedicado à música sacra portuguesa, a par de um motete do compositor residente, Osvaldo Fernandes, e de uma Missa de Paulo Bastos

No início de fevereiro, a Orquestra Metropolitana de Lisboa estreou o Concerto para violino de António Pinho Vargas.

Na altura, a Orquestra escreveu: “A música de António Pinho Vargas interpela-nos para lá da contemplação estética”. Por isso, “e porque o compositor é uma das mais destacadas personalidades do nosso panorama cultural”, cada estreia sua “incendeia expectativas”.

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Barcelos

Jovem alega ter sido atingido por tiro de borracha durante ação policial em Barcelos

Comando Distrital da PSP diz que “não tem conhecimento” de qualquer disparo

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Foto cedida a O MINHO

Um jovem de 21 anos afirma ter sido atingido por uma bala de borracha quando a PSP, através da Equipa de Prevenção e Reação Imediata (EPRI), dispersava um ajuntamento com cerca de três dezenas de pessoas, na madrugada de sábado, no centro de Barcelos. O Comando Distrital de Braga alega não ter conhecimento de ter sido efetuado qualquer disparo.

A situação aconteceu na Praça Pontevedra, já passava das duas da manhã, quando três EPRI – equipas de dois elementos que se deslocam em motas de alta cilindrada para intervenção rápida no combate à criminalidade sobretudo violenta – intervieram para dispersar um ajuntamento de jovens que ali se criara após o fecho dos cafés.

Unidade de intervenção da PSP dispersa ajuntamentos em Barcelos

Conforme O MINHO noticiou, assim que as EPRI apareceram, a maior parte dos jovens colocou-se de imediato em fuga e testemunhas relataram um estrondo que identificaram como um tiro.

Agora, um dos jovens que estavam no ajuntamento afirma ao nosso jornal que foi atingido nas costas com uma bala de borracha quando abandonava o local e apresenta uma fotografia que mostra o ferimento que sofreu.

Ferimento alegadamente provocado por tiro de borracha. Foto cedida a O MINHO

“Estávamos todos por baixo da varandinha sentados e eles apareceram de motos. O pessoal, maioritariamente, começou a correr. Mesmo indo embora, eles vieram atrás de nós e um deles começa a dizer para o colega disparar de shotgun para cima de nós e assim o fez”, relata o jovem de 21 anos, residente em Barcelos, devidamente identificado por O MINHO, mas que pediu para não ser revelado o seu nome.

O jovem não precisou de receber assistência médica e diz que não apresentou queixa em nenhuma autoridade, como o Ministério Público, porque “não vai adiantar de nada”.

Contudo, considera que a ação policial foi abusiva: “Acho que foi totalmente desnecessário abrirem fogo”.

Centenas a consumir álcool na rua em Barcelos. Agente da PSP acabou agredido

Confrontado com estas alegações e a respetiva fotografia, o Comando Distrital da PSP de Braga respondeu “que não tem conhecimento de que qualquer um dos seus elementos tenha efetuado algum disparo”.

Na semana anterior, como O MINHO noticiou em primeira mão, em Barcelos, na Frente Ribeirinha, um dos locais onde se registam maior número de ajuntamentos, um agente da PSP foi agredido com uma garrafa de vidro quando dispersava um ajuntamento de jovens.

As EPRI, segundo a descrição da PSP, “são constituídas por elementos policiais que, deslocando-se em motociclos, visam garantir uma elevada capacidade operacional, através de uma forte componente de visibilidade policial e maior mobilidade em ambiente urbano que incremente a rapidez e eficácia do combate à criminalidade, em particular à criminalidade violenta e grave”.

Braga tem EPRI desde julho do ano passado. Foto: Facebook de Comando Distrital de Braga da PSP

Uma reportagem da revista Sábado, dá conta de que “além de uma pistola Glock 9 mm junto ao joelho para não atrapalhar a condução, o pendura da potente BMW 1200 todo-o-terreno transporta ainda uma sofisticada metralhadora ligeira MP5 e uma shotgun com munições de plástico”.

O Comando Distrital de Braga passou a dispor de EPRI em julho do ano passado.

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Barcelos

Investigadora de Barcelos premiada por trabalho sobre cancro do cólon

Ângela Costa

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Foto: DR

Ângela Amorim Costa, 38 anos, é de Viatodos, freguesia do concelho de Barcelos. Percebeu que queria ser investigadora no ensino secundário e graças à leitura das revistas Super Interessante. E assim foi. Hoje é investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S). Recentemente, o seu trabalho na área do cancro do cólon foi distinguido internacionalmente. O seu projeto de investigação foi um dos quatro contemplados – o único português – pela empresa NanoString, através do seu programa de bolsas, na primeira edição do prémio em sinalização celular em tumores.

A notícia foi recebida “com muita alegria”, porque significa ter dinheiro para “reagentes extremamente caros para experiências de investigação”, os quais “permitem avançar com a nossa linha de investigação, e potenciar a descoberta de dados importantes que futuramente direcionem os nossos estudos”.

“Para além disso, a nível pessoal é bom para o currículo, o que é importante porque o nosso salário está também ele sempre dependente de avaliação de resultados e de concursos supercompetitivos”, acrescenta Ângela Costa.

A investigadora aponta que, “para que se possa fazer trabalho científico, é preciso financiamento, e arranjar esse financiamento é da responsabilidade dos cientistas”.

Ora, “esta situação implica que muito do tempo de trabalho seja dedicado a escrever projetos que tenham valor científico, para concorrerem a programas de financiamento nacional e internacional, num ambiente extremamente competitivo. Para além dos concursos para projetos científicos organizados por entidades oficiais como a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), há por vezes também concursos organizados por empresas, como foi neste caso”.

Impacto da hipoxia no comportamento das células tumorais

O projeto intitulado The impact of hypoxia on the anti-colon cancer immune response: potential implications to immunotherapy, explica a investigadora barcelense, “começou a ser executado no mês passado, e ainda está numa fase muito inicial de otimização das condições experimentais”.

“Depois desta fase vamos fazer a análise, que é efetivamente o prémio, e a partir daí ver que conclusões se podem tirar do estudo”, acrescenta, esclarecendo que o estudo pretende perceber como “a hipóxia [baixos níveis de oxigénio] afeta o comportamento das células tumorais e de que maneira isso tem impacto nas células imunes”.

Desenvolvendo: “Na área dos tratamentos do cancro há agora uma alternativa muito promissora chamada imunoterapia, que consiste em fazer com que o sistema imune da pessoa reconheça o cancro como sendo uma entidade externa, como por exemplo uma bactéria ou um vírus e o ataque como faria nesses casos. No entanto, enquanto que nos casos dos tumores líquido (leucemias e linfomas) os resultados foram muito bons, no caso dos tumores sólidos, como o cólon, as coisas não têm funcionado tão bem. E uma das particularidades dos tumores sólidos é que devido à rápida proliferação das células, que não é acompanhada pelo crescimento de vasos sanguíneos funcionais, se cria um ambiente pouco oxigenado, hipóxico, que se sabe que altera o funcionamento quer das células malignas, quer das células normais que se encontram no microambiente do tumor, como as células imunes. Esta situação pode afetar a maneira como estes tumores respondem à imunoterapia”.

Ainda não se sabe muito a este respeito, “nomeadamente quais os mecanismos moleculares que podem estar implicados”, portanto, “esclarecer de que forma esta característica dos tumores sólidos – a hipóxia – afecta o comportamento das células tumorais e de que maneira isso tem impacto nas células imunes é de importância fulcral, para que se entendam quais os pontos fracos do cancro onde se pode atacar, de maneira a que a imunoterapia seja efetiva”.

“Com este projeto, e usando o cancro do colon como modelo, vamos analisar as diferenças de comportamento das células tumorais e imunes num contexto de níveis de oxigénio normais e hipóxicos, com esperanças de encontrar diferenças que nos permitam explicar a falta de resposta da imunoterapia, e dessa forma saber por onde se deve atacar o problema”, afirma a investigada de Viatodos, freguesia onde viveu “a maior parte” da sua vida e ainda reside.

“Sempre frequentei escolas públicas, é motivo de grande orgulho”

Ângela Costa estudou em Viatodos até ao 9.º ano, depois fez o secundário na Escola Secundária Camilo Castelo Branco de Famalicão (“para uma pessoa de Viatodos, Famalicão fica a metade da distância de Barcelos”) e concluiu a licenciatura pré-bolonha de Bioquímica na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, no ramo de Bioquímica Aplicada.

“Sempre frequentei escolas públicas, o que para mim é um motivo de grande orgulho”, destaca.

O seu percurso profissional foi todo ele dedicado à investigação científica. Depois de fazer estágio curricular de Bioquímica na Faculdade de Farmácia da Universidade Complutense de Madrid, no programa Erasmus, começou a concorrer a bolsas de investigação em Portugal.

“Tive então a oportunidade de ir trabalhar no IPATIMUP, no Porto, onde acabei por fazer o doutoramento, em colaboração com o Instituto Max-Planck da Biologia da Infecção, na Alemanha. Já como pós-doc fui trabalhar para a Universidade do Minho, para o ICVS”, conta.

Entretanto, chegou a crise económica e, “tal como muitos outros cientistas”, ficou desempregada. “Uma situação bastante crítica, pois como bolseira de investigação não temos direito a subsídio de desemprego”, recorda, notando que, nesse período, ainda teve “a sorte de poder trabalhar em bolsas de curta duração na FEUP e no ICVS”.

A partir do final de 2015, e depois de conseguir uma bolsa no concurso nacional da FCT, foi trabalhar para o i3S no Porto, onde permanece.

“Na altura em que comecei a ler a revista Super Interessante percebi que queria trabalhar em investigação”

Ângela Costa recorda que “foi no secundário e na altura em que [começou] a ler a revista Super Interessante” que percebeu que “queria trabalhar em investigação”.

“Não sabia em que área, mas sabia que aquela coisa de estar num ambiente de equipa, a pensar num problema, nos seus porquês e nas soluções era por onde devia ir”, lembra a investigadora. “Como gostava muito de Química e de Biologia, e não sabia de qual gostava mais, acabei por ir para Bioquímica, um curso que sabia estar ligado a diversas áreas de investigação”.

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Cávado

Voluntários recolhem uma tonelada de lixo nas praias de Esposende

Ambiente

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Foto: Divulgação / CM Esposende

Um grupo de voluntários recolheu, em cerca de duas horas, perto de uma tonelada de lixo marinho em cinco praias de Esposende, numa ação que serviu para assinalar o Dia Internacional de Limpeza Costeira.

Em comunicado, a câmara de Esposende explica que os 178 participantes recolheram resíduos trazidos pelo mar para o areal ou “esquecidos” pelos banhistas, arrastados pelos rios e linhas de água, assim como artefactos utilizados normalmente pelos pescadores, “contribuindo para preservar os habitats abrangidos e melhorar significativamente a imagem destes locais”.

Por esta via, finaliza o texto, “o município de Esposende, através da Esposende Ambiente, está a contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, nomeadamente no que se refere ao ODS 13 – Ação Climática, ODS14 – Proteger a Vida Marinha, ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre e ODS 17 – Parcerias para a Implementação dos Objetivos de Sustentabilidade”.

A ação foi organizada pela empresa municipal Esposende Ambiente, em colaboração com a Associação Rio Neiva e a Onda Magna, apoiadas pela Fundação Oceano Azul.

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