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Braga

Companhia de Teatro de Braga estreia em julho peça sobre a fronteira do rio Minho

Cultura

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Foto: Paulo Nogueira

A estreia de “Estremez Famoso da Pesca no Rio Minho”, uma peça sobre a fronteira Norte, Portugal-Galiza, é um dos destaques da programação da Companhia de Teatro de Braga (CTB) para 2021, disse hoje o diretor artístico.

Em declarações à agência Lusa, o responsável da CTB Rui Madeira adiantou que a peça, uma coprodução com o Centro Dramático Galego (CDG), vai estrear-se no dia 02 de julho, a abrir a 40.ª edição do Festival Internacional de Teatro Clássico de Almagro, em Espanha.

No dia 06 de julho, a peça segue para Braga, onde será apresentada no âmbito do festival de teatro Mimarte, estando ainda agendadas representações no Festival de Cangas, em Espanha (10 julho), e em Barcelos (16 julho).

Nos dias 22 e 23 de julho, a peça sobe ao palco do Theatro Circo, em Braga, ao abrigo da programação da Capital Europeia da Cultura do Eixo Atlântico, sendo convidados a assistir todos os municípios integrados naquele organismo.

A peça é uma mistura entre um texto dramático com 350 anos, assinado por Gabriel Freixo Araúxo, e uma nova abordagem, atual, à fronteira, em que se fala da alma dos dois povos, daquilo que os une e também daquilo que, apesar de tudo, ainda os separa, a partir da memória de uma velha contenda sobre a pesca no rio que faz a fronteira.

“Estremez Famoso da Pesca no Rio Minho” tem dramaturgia de Javier Alonso de Castilla, direção de Fran Nunez, do CDG, e apoio dramatúrgico de Rui Madeira.

Outros destaques da programação da CTB são “Pedro e Inês”, uma coprodução com o Kershon National Theater, da Ucrânia, a partir de vários autores, com dramaturgia e encenação de Rui Madeira, e direção musical de Paulo Bragança, e “Hamlet”, de William Shakespeare, “uma performance sobre a perceção da realidade moderna, logo sobre fronteiras”, como explica a companhia, com adaptação, encenação e dramaturgia de Alexej Schipenko.

O programa da temporada prevê ainda o regresso a August Strindberg, numa perspetiva de teatro de câmara, com “A Mais Forte”, “um dos mais brilhantes monólogos da história do teatro”, e “Pária”, adaptação “muito pessoal” do conto de Ola Hanson, escritor sueco amigo de Strindberg.

Os dois textos dramáticos, do autor de “Menina Júlia”, têm encenação e dramaturgia de Rui Madeira.

O programa inclui ainda outras 12 produções já anteriormente apresentadas pela CTB, destacando-se “As Troianas”, sobre a tragédia de Eurípides, “No Alvo”, de Thomas Bernhard, “Humidade”, de Bárbara Colio, “Calígula”, a partir de Albert Camus, “A Criatura”, sobre Henrik Ibsen, e “Gostava de estar viva para vê-los sofrer”, inspirada em Max Aub.

“Os Músicos de Breman”, a partir do conto dos Irmãos Grimm e do relato de oral de Joaquim Peças, uma reflexão sobre a velhice e a sua marginalidade, proposta ao público mais jovem, com poemas de Eugénio de Andrade e Afonso Lopes Vieira, é outra produção que regressa ao programa da CTB.

De temporadas anteriores, de acordo com o dossiê da temporada da CTB, vêm também “Um Picasso”, de Jeffrey Hatcher, “Justiça” e “Um Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, assim como “Auto da Barco do Inferno”, de Gil Vicente, e “Em Pessoa”, a partir de textos de Fernando Pessoa.

Segundo dados revelados por Rui Madeira, a CTB apresentou, em 2020, um total de 70 representações, 50 das quais no Theatro Circo, tendo ainda realizado 20 digressões nacionais e uma internacional.

“No total, tivemos cerca de 20 mil espetadores, o que, em ano de pandemia, tem de se convir, é obra”, referiu.

Salários em dia e despedimentos zero são outras das ‘performances’ de que se orgulha a CTB, que, em 2020, criou emprego e até contratou mais três pessoas.

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